segunda-feira, 15 de junho de 2020

O urbanismo medieval: glória da Igreja Católica

Albrechtsburg, Meissen, Sachsen. A cidade medieval
Albrechtsburg, Meissen, Sachsen
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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O clero multiplicou nossos vilarejos, fez crescer e embelezou nossas cidades.

Diversos bairros de Paris, tais como os de Santa Genoveva e de Saint-Germain-l’Auxerrois, surgiram em parte às custas das abadias dos mesmos nomes.

Em geral, onde quer que se estabelecesse um mosteiro, ali se formava uma aldeia: a Chaise-Dieu, Abbeville, e muitos outros lugares levam ainda em seus nomes a marca de sua origem.

A cidade de Sante Salvatore, aos pés do Monte Cassino, na Itália, e os burgos circundantes, são obra dos religiosos de São Bento.

Em Fulda, Mainz, em todos os círculos eclesiásticos da Alemanha, na Prússia, Polônia, Suíça, Espanha, Inglaterra, uma multidão de cidades tiveram por fundadoras Ordens monásticas ou militares.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Cada profissão era um universo autônomo de privilégios e leis próprias

Cristo vigia o trabalho dos sapateiros
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O exercício de cada profissão era objeto de uma minuciosa regulamentação, que existia principalmente para manter o equilíbrio entre os membros da corporação.

Toda tentativa para embaraçar um mercado, todo esboço de entendimento entre alguns mestres em detrimento de outros, toda apropriação de quantidades excessivamente grandes de matérias-primas, eram severamente punidas.

Nada mais contrário ao espírito das antigas corporações do que os grandes estoques, a especulação ou os “trusts”.

Tintureiros: trabalho diante do olhar de todos
Era também punido o desvio da clientela dos vizinhos pelo abuso da propaganda.

Entretanto a concorrência existia sempre, mas restrita ao domínio das qualidades pessoais.

O único modo de atrair os fregueses era fazer pelo mesmo preço um determinado produto mais bem acabado e mais perfeito que o dos vizinhos.

Os regulamentos lá estavam, para zelar pela boa execução dos trabalhos, apontar as fraudes e punir os transgressores.

Com este objetivo o trabalho deveria, o quanto possível, ser feito ao ar livre, ou ao menos de modo bem visível.

Tudo devia ser mostrado à luz do dia, na qual o malandro não gosta de permanecer, e onde “maître Patelin” (espertalhão) não consegue enganar o comerciante ingênuo.

Os mestres-jurados ou guardas de ofício cuidavam também da fiel observância dos regulamentos. Exerciam severamente o direito de visita.

Os fraudadores eram colocados no pelourinho e expostos juntamente com sua má mercadoria durante certo tempo.

Os desonestos eram julgados pelos próprios colegas do ofício
Os desonestos eram julgados pelos próprios colegas do ofício
Seus companheiros eram os primeiros em apontá-los, fazendo-os sentir o desprezo de seus confrades, ofendidos pela vergonha que jorrava sobre todo o ofício.

Eram colocados à margem da sociedade. Por isso os falsificadores eram olhados mais ou menos como os cavaleiros perjuros, que teriam merecido a degradação.

O artesão medieval tem em geral grande amor e zelo pela própria profissão.

Encontra-se um testemunho disso nos romances de profissão, como os de Thomas Deloney sobre os tecelões e sapateiros de Londres, no qual estes últimos intitulam seu trabalho como “a nobre profissão”, e têm orgulho do provérbio: “todo filho de sapateiro é príncipe nato”.

É um traço especialmente medieval este orgulho do próprio estado e o zelo das corporações na reivindicação de seus privilégios.

Juíz inglês
Um dos mais preciosos para a época era o de poder julgar os delitos cometidos por seus membros.

Mas a corporação estima essencialmente a liberdade de administrar-se por seus próprios representantes.

Para isso é eleito cada ano um conselho de mestres escolhido de mil maneiras, quer pelo conjunto da corporação, quer apenas pelos mestres. Os usos variam segundo os ofícios.

Os conselheiros escolhidos prestam um juramento, de onde o nome de jurados.

Além do que já vimos, cabia também a eles resolver as discórdias surgidas entre os mestres e administrar a caixa da corporação.

Sua influência chega a ser tal, que eles desempenham papéis políticos na vida da cidade.

Em várias, tomam parte efetiva na direção dos negócios da comuna, como em Marselha.

Quase sempre fazem parte do Conselho Geral. Sem eles, nenhuma decisão que toque os interesses da cidade pode ser tomada.

Em muitos lugares os artesãos escolhem semanalmente os semaniers que assistirão o recteur, e sem os quais não se pode tomar nenhuma deliberação.

Segundo Bourrilly, eles eram o “elemento motor” da vida municipal. Pode-se dizer que Marseille teve no século XIII um governo de base corporativa.



(Autor: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)


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segunda-feira, 4 de maio de 2020

Relações familiares entre patrões e empregados no trabalho

Mestre açougueiro e aprendiz
Luis Dufaur
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Durante toda a Idade Média, no início as oportunidades são as mesmas para todos, e o aprendiz só não se torna mestre por falta de jeito ou indolência.

O aprendiz liga-se a seu mestre por um contrato de aprendizagem — sempre esse laço pessoal, caro à Idade Média — comportando obrigações a ambas as partes: para o mestre, a de formar seu aluno no ofício, e seu sustento durante esse tempo; para o aprendiz, obediência a seu mestre e dedicação ao trabalho.

Transpôs-se assim ao artesanato a dupla noção de “fidelidade-proteção”, que une o senhor a seu vassalo.

Mas como aqui uma das partes contratantes é uma criança de 12 a 14 anos, todos os cuidados são tendentes a reforçar sua proteção.

Deste modo, por um lado manifesta-se maior indulgência para com suas faltas, estorvamentos e até vagabundagens; por outro, delimitam-se severamente os deveres do mestre: ele não pode ter mais que um aprendiz por vez, para que seu ensino seja frutuoso; não pode explorar seus alunos, descarregando sobre eles uma parte de seu trabalho.

Mestre padeiro e aprendiz
O aprendiz só poderá exercer a profissão como mestre depois de exercer a maestria por um ano, para que se tenha certeza de suas qualidades técnicas e morais.

“Ninguém deve ter aprendiz se não for tão sábio e tão rico que o possa ensinar, governar e sustentar, e isso deve ser conhecido pelos homens que protegem o ofício” — dizem os regulamentos.

Eles fixam também quanto o mestre deve despender diariamente com a alimentação e manutenção do aluno.

Os mestres são ainda submetidos a um direito de visita, exercido pelos jurados da corporação, que vem a domicílio examinar como o aprendiz é alimentado, ensinado e tratado.

O mestre tem para com ele os deveres e obrigações de um pai. Entre outras coisas, deve velar por sua conduta moral.

O aprendiz lhe deve respeito e obediência, apesar de conservar uma certa independência.

No caso de ele abandonar a casa de seu mestre, este deve esperar um ano antes de tomar outro, e durante esse período é obrigado a recebê-lo, se voltar.

Todas as garantias do lado mais fraco, e não do mais forte.

O tempo do aprendizado varia segundo as profissões. Em geral é de 3 a 5 anos.

No final o aluno põe à prova suas habilidades perante os jurados de sua corporação.

Essa é a origem da obra-prima, cujas condições se irão complicando com o correr dos séculos.

Armeiros
Ele deve pagar uma taxa, aliás mínima, que corresponde à sua quota da corporação.

Em alguns ofícios em que o comerciante deve provar sua solvabilidade, exige-se uma caução.

Foram estas as condições da maestria na Idade Média.

A partir do século XIV elas haviam sido independentes, mas a partir de então começam a se ligar ao poder central.

O acesso à maestria vai sendo dificultado pouco a pouco.

Por exemplo, tornou-se então obrigatório em quase todas as corporações um estágio intermediário de 3 anos, como companheiro; o postulante devia desembolsar o que se chamou “compra do ofício”, variando de 5 a 20 soldos.




(Autor: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)


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segunda-feira, 20 de abril de 2020

Autonomia operária e burguesa nas sociedades comerciais
e nas corporações de ofício

Orvieto, parada na festa de Corpus Christi:
bandeiras das corporações de sapateiros e açougueiros
Luis Dufaur
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Para melhor se defenderem, e por um costume caro à época, os comerciantes têm o hábito de se associarem.

Há no princípio, para os navios, o que se chama a “conserva”: dois ou mais navios decidem fazer juntos sua viagem, e esta decisão é objeto de um contrato, que não se rompe sem se expor a sanções e a uma multa.

De outro lado, os comerciantes de uma cidade, onde quer que eles se encontrem, formam uma associação e elegem um representante seu para os administrar, e, se for necessário, assumir a responsabilidade ou a defesa de seus interesses.

As ferrarias mais importantes têm um cônsul permanente — ou pelo menos durante a grande “estação” comercial, que vai de São João (24 de junho) a Santo André, em novembro — fiscalizando os armazéns.

Marseille nos oferece o exemplo dessa instituição dos cônsules, comum nas cidades do Mediterrâneo, cujas decisões só podiam ser suprimidas pelo reitor da comuna e tinham até força da lei.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

As cidades medievais em desenvolvimento

Luis Dufaur
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A história da evolução de uma cidade na Idade Média é um dos espetáculos mais cativantes.

Cidades mediterrâneas, como Marseille, Arles, Avignon ou Montpellier, rivalizando pela sua audácia com as grandes cidades italianas no comércio de aquém-mar; centros de tráfico, como Laon, Provins, Troyes ou Le Mans; núcleos de indústria têxtil, como Cambrai, Noyon ou Valenciennes; todas demonstraram um ardor, uma vitalidade sem igual. Obtiveram, além do mais, a simpatia da realeza.

Já que as cidades libertas entravam na enfiteuse real, não procuravam elas por este fato, em seu desejo de emancipação, a dupla vantagem de enfraquecer o poder dos senhores feudais e aumentar com isso inesperadamente o domínio real?

segunda-feira, 23 de março de 2020

Os guerreiros medievais: sua missão social inspirada por uma “visão” mística de Jesus Cristo

Santo Estevão, rei da Hungria
Santo Estevão, rei da Hungria
Luis Dufaur
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O homem de luta e de ideal na Idade Média foi o guerreiro.

Sua missão social era ser protetor contra os inimigos externos, ou seja o Exército hoje, contra os bandidos, ou seja da Polícia hoje, contra os animais ferozes, ou seja algo equivalente a uma Polícia florestal.

Mas esse guerreiro não era um naturalista todo apoiado em seus conhecimentos materiais da guerra, das armas e das tecnologias. É, sem excluir isso, o contrário disso.

O guerreiro típico da Idade Média é o guerreiro que combate por uma razão religiosa.

Ainda que de imediato se trate de uma guerra feudal, em que estão, portanto, envolvidas questões de terras, a veracidade da palavra empenhada, não empenhada, etc., etc., no fundo há algo de religioso.

A família era tida como uma pequena pátria, e deixar de pertencer à família era uma vergonha como deixar de pertencer à pátria.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

A vida burguesa orgânica: fenômeno tipicamente medieval

Feltre, Itália: a vida comunal tinha admirável riqueza e originalidade
Luis Dufaur
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Desde quando acabam as invasões, a vida ultrapassa os limites do domínio senhorial.

As famílias não se bastam mais a si próprias.

Toma-se então o caminho da cidade, o tráfico se organiza, e logo, vencendo as muralhas, surgem os burgos.

É então, a partir do século XI, o período de grande atividade urbana.

Dois fatores de vida econômica, até aqui secundários, vão tomar uma importância de primeiro plano: o artesanato e o comércio.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

O Pálio de Siena, glória da cidade medieval na Civilização Cristã (5)

Palio de Siena, corrida, a cidad medieval.

Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: O Pálio de Siena, onde o passado glorioso da Civilização Cristã entra no presente (4)




O prêmio pertence ao santo patrono

No pátio do Palácio Público surgem os dez cavalos com os seus jóqueis, e são vagarosamente conduzidos ao ponto de partida, onde se colocam em ordem pré-estabelecida por sorteio, e esperam.

O juiz dá um sinal, cai a corda que os retém, da multidão irrompe um clamor imenso, os cavalos disparam.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

O Pálio de Siena, onde o passado glorioso da Civilização Cristã entra no presente (4)

Palio di Siena, a cidade medieval

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Continuação do post anterior: O Pálio de Siena, relíquia palpitante de vida da Civilização Cristã (3)



 Uma cidade revive seu passado

O cortejo histórico do Pálio de Siena é mais do que uma simples reconstituição arqueológica.

É a revivescência da tradição de uma cidade, pela qual um povo toma consciência de si mesmo, de seu passado, de seus valores, de sua personalidade e de seus traços característicos.

No brilho e no pitoresco dos trajes medievais, com seu talhe esbelto, com a variedade de seus adornos, capacetes, couraças, plumas, emblemas, se refletem as glórias antigas da cidade.

Mas se espelha sobretudo a alma de um povo, com seu talento artístico, sua vivacidade, sua riqueza de expressão, suas virtudes.

Nada a ver com os espetáculos de massa das cidades hodiernas. É isto, mais que tudo, que explica o entusiasmo em meio do qual o desfile decorre.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

O Pálio de Siena, relíquia palpitante de vida da Civilização Cristã (3)

Palio di Siena, a cidade medieval

Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: O Pálio de Siena, relíquia palpitante de vida da Civilização Cristã (2)


Entre a "prova generale" e a "provaccia", um banquete

Nos dias que antecedem a corrida, a cidade toda se agita com os preparativos.

A municipalidade anuncia em termos solenes a sua próxima realização, as contradas se aprestam, as casas são enfeitadas, preparam-se as vestes para o desfile, ninguém comenta outra coisa senão o Pálio: Siena vai viver seu grande dia.

A corrida tem regras muito peculiares, a começar pelo sorteio dos cavalos entre as contradas.

Os capitães escolhem os dez melhores entre os animais que podem concorrer, e cada um destes recebe um número, colocado sob a sua orelha direita; uma criança, retirando de uma urna um número e de outra um nome, decide a qual contrada será entregue cada cavalo.

Palio di Siena, cavalo, a cidade medieval
Aconteça o que acontecer, a escolha pela sorte não pode ser mudada.

Em duas ocasiões sucedeu de um cavalo morrer durante os treinos: os representantes da contrada infeliz desfilaram na festa com uma tarja na bandeira e uma capa preta nos tambores silenciosos.

As montarias são levadas para as respectivas contradas, onde são tratadas e vigiadas com grande cuidado. O capitão sorteia o jóquei, que poderá, conforme sua atuação, tornar-se famoso ou execrado.

Começa então uma série de treinos, para habituar os cavalos com a saída e com os perigos do percurso.

Na tarde da véspera todos correm, já vestidos com seus uniformes, a "prova generale", após a qual participam de um grande banquete. E na manhã do grande dia há um último treino, a "provaccia".

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

O Pálio de Siena, relíquia palpitante de vida da Civilização Cristã (2)

Palio di Siena, a cidade medieval
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Continuação do post anterior: Siena e seu Palio: relíquia que vibra ainda pelo impulso da vida da Civilização Cristã (1)


 Em louvor da Virgem

O Pálio não é apenas uma festa esportiva e guerreira, é também uma comemoração religiosa.

A primeira corrida se realiza no dia 2 de julho, em honra da Madona de Provenzano, e a segunda a 16 de agosto, em louvor de Nossa Senhora da Assunção.

Esta especial devoção dos sienenses para com a Mãe de Deus, a Quem elegeram como Padroeira da cidade, tem origens muito antigas.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Siena e seu Palio: relíquia que vibra ainda
pelo impulso da vida da Civilização Cristã (1)


Luis Dufaur
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Quem viaja pela Toscana e chega de noite a Siena atravessa majestosas muralhas e percorre ruas antigas e tortuosas, cheias de mistérios e de encanto.

Assim chega até a Piazza del Campo, centro da história da cidade através dos séculos. Se sobe pela Via di Cittá encontra a catedral, das mais lindas joias da arte medieval italiana, na riqueza de seus mármores e mosaicos.

Então, a pessoa sente a impressão de ter penetrado num mundo de sonhos.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Gôndolas: um meio de transporte original
herdado da Veneza medieval

Cada góndola é feita à medida do gondoleiro
Cada góndola é feita à medida do gondoleiro
Luis Dufaur
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As gôndolas negras deslizam pelos canais de Veneza ostentando os sinais de um pequeno, mas requintado grupo de artesãos que mantêm vivos os métodos tradicionais de construção, informou a “Folha de S.Paulo”.

Cerca de 700 anos atrás, existiam 7.000 delas em Veneza, mas seu uso cotidiano foi suplantado pelo de barcos mais modernos.

Restam 433, primordialmente dedicadas a atender as saudades dos turistas.

O construtor de gôndolas Roberto Tramontin explica que uma gôndola demora dois meses para ser construída, leva 280 peças de madeiras diversas, como limoeiro, carvalho, mogno, nogueira, cerejeira, abeto, lárix e olmo, e custa cerca de € 38 mil (R$ 123 mil).

A madeira é tratada durante até um ano antes de ser modelada na forma cilíndrica ligeiramente assimétrica, o que permite a um único gondoleiro conduzir a embarcação em linha reta.