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terça-feira, 23 de agosto de 2016

O número de horas era ditado pela natureza,
mas havia incontáveis dias de repouso
Condições de trabalho dos medievais

O ritmo do trabalho na Idade Média era ditado pelos ritmos da natureza.
O ritmo do trabalho na Idade Média era ditado pelos ritmos da natureza.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



O ritmo da jornada de trabalho varia muito na Idade Média, segundo as estações.

É o sino da paróquia ou do mosteiro vizinho que chama o artesão à oficina e o camponês aos campos, e as horas das trindades mudam com a duração do dia solar.

Em princípio, as pessoas deitam-se e levantam-se ao mesmo tempo que o Sol.

No Inverno o trabalho começa por volta das oito ou nove horas, para terminar às cinco ou seis.

No verão a jornada começa a partir das cinco ou seis da manhã, para só terminar às sete ou oito da noite.

Com as duas interrupções para as refeições, delimitam-se jornadas de trabalho que variam de oito a nove horas no inverno, e no verão até doze ou treze, por vezes quinze horas.

É este ainda o regime habitual das famílias camponesas.

Mas isto não se verifica todos os dias.

Em primeiro lugar, pratica-se aquilo a que se chama a semana inglesa.

Todos os sábados, e nas vésperas dos feriados, o trabalho cessa à uma hora da tarde em certos ofícios; e para todas as pessoas nas vésperas, quer dizer, o mais tardar por volta das quatro horas.

Aplica-se o mesmo regime às festas que não são feriados, isto é, uma trintena de dias por ano, tais como o dia de Cinzas, das Implorações, dos Santos Inocentes, etc.

Repousa-se igualmente na festa do padroeiro da confraria e da paróquia, além de feriado completo no domingo e nos dias de festas obrigatórias.

As festas são muito numerosas na Idade Média: de trinta a trinta e três por ano, segundo as províncias.

Às quatro festas que conhecemos hoje em dia em França acrescentavam-se não só o dia de Finados, a Epifania, as segundas-feiras de Páscoa e de Pentecostes, e três dias na oitava do Natal.

Numerosas outras festas passam mais ou menos desapercebidas atualmente, tais como Purificação, Invenção e Exaltação da Santa Cruz, Anunciação, São João, São Martinho, São Nicolau, etc.

O calendário litúrgico regula assim todo o ano, introduzindo grande variedade, tanto mais que se dá a estas festas muito mais importância do que nos nossos dias.

É pelas datas das festas que se mede o tempo, e não pelos dias do mês. Fala-se do “Santo André”, e não de 30 de novembro, e diz-se três dias depois do São Marcos, de preferência a 28 de abril.

Em sua honra são igualmente preteridas exigências de ordem social, tais como as da justiça, por exemplo.

Os devedores insolúveis, aos quais é designada uma residência forçada — regime que faz lembrar a prisão por dívidas, embora sob uma forma mais doce — podem abandonar a prisão e ir e vir livremente da Quinta-feira Santa até a terça-feira de Páscoa, do sábado à terça-feira de Pentecostes, da véspera de Natal até a Circuncisão.

Estas são noções que nos é difícil hoje em dia compreender perfeitamente.

No total, havia cerca de noventa dias por ano de feriados completos, com setenta dias e mais de feriados parciais, ou seja, cerca de três meses de férias repartidas ao longo do ano, o que garantia uma variedade inesgotável na cadência do trabalho.

Em geral as pessoas queixavam-se mesmo, como o sapateiro de La Fontaine, de ter demasiados dias feriados.


(Autor: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)


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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Grandes invenções mudaram o trabalho e a produtividade
Condições de trabalho dos medievais

Mestre de obras instrui os pedreiros que estão com seus instrumentos
Mestre de obras instrui os pedreiros que estão com seus instrumentos
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Os instrumentos de trabalho são sensivelmente os mesmos de que nos servimos até ao século XIX, antes do desenvolvimento do maquinismo e da motorização da agricultura.

É necessário contudo mencionar que o carro de mão, cuja invenção uma tradição bem estabelecida atribui a Pascal, já existia na Idade Média, em tudo semelhante àquele de que nos servimos atualmente.

É possível ver manuscritos do século XIV cujas iluminuras mostram trabalhadores transportando pedras ou tijolos em carros de mão, dos quais sustentam um dos braços por meio de uma corda passada sobre o ombro, para poderem transportar mais facilmente a carga. O processo ainda é usado pelos nossos operários.

Devem-se várias invenções à Idade Média, e a sua importância tornou-se demasiado grande com o andar dos tempos, não admitindo que sejam passadas em silêncio: a albarda (jugo) dos cavalos, por exemplo.

Até então a atrelagem concentrava todo o esforço sobre o peito do animal, de tal modo que uma carga um pouco mais importante produzia o risco de sufocação.

Foi no decurso do século X que apareceu a engenhosa ideia de atrelar os animais de carga de modo a que fosse o corpo inteiro a suportar o peso e esforço requeridos.

Esta inovação deveria introduzir uma profunda renovação dos costumes, pois a tração humana havia sido até então superior à animal (Cf. Lefèbvre des Noettes, L'attelage à travers les âges, Paris, 1931).

Ao inverter a ordem das coisas, tornava-se fácil e possível na prática a supressão da escravatura, necessidade econômica da Antiguidade.
A invenção do jugo simplificou o trabalho e multiplicou a produção
A invenção do jugo simplificou o trabalho e multiplicou a produção agrícola

A Igreja tinha lutado para que o escravo fosse considerado como um homem e para que os direitos da pessoa humana lhe fossem reconhecidos, e isso constituía já uma revolução social nos costumes.

Essa revolução foi definitiva a partir do dia em que cavalos e burros se encarregaram de uma parte do trabalho humano.

O mesmo se deu com a invenção do moinho hidráulico, depois o moinho de vento, que deveria proporcionar um passo considerável à humanidade, suprimindo a imagem clássica do escravo atrelado à mó.

De alcance menos profundo, mas de incontestável comodidade, o processo que permite a uma viatura girar facilmente sobre si própria, graças ao dispositivo que torna as duas rodas da frente independentes das rodas de trás, não deveria contribuir menos para o progresso e o conforto.

Basta pensar no espaço que devia ser necessário para virar os grandes carros carregados de cereais ou de forragem, e nos atropelos daí resultantes.

É mais que certo que estas invenções tiveram mais efeito do que outras sobre o bem-estar da arraia-miúda, contribuindo sem sobressaltos nem despesas para melhorar eficazmente a sua sorte.

A estas invenções, que deviam modificar radicalmente as condições do trabalho humano, é preciso acrescentar as da bússola e da barra do leme, não menos importantes na história do mundo.

Os progressos da navegação foram por elas decuplicados, o que em parte explica essa intensa circulação a que se assiste no século XIII.


(Autor: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)


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terça-feira, 26 de julho de 2016

Como se vestiam os medievais? – 2
A vestimenta militar

Cavaleiro antes de aparecerem as armaduras:
cota de malha, elmo, sobreveste, grevas e esporões.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Continuação do post anterior: Como se vestiam os medievais? – 1



É sabido, no entanto, que Luís, o Jovem, São Luís e Filipe Augusto se faziam notar pela sobriedade do traje, frequentemente mais simples que o dos seus vassalos.

No que respeita ao traje militar, cometeria um erro quem imaginasse o cavaleiro medieval sob as pesadas armaduras complicadas que se veem nos nossos museus.

Elas não aparecem antes do fim do século XIV, quando as armas de fogo requerem um aparelho defensivo aperfeiçoado.

Nos séculos XII e XIII, a armadura consiste essencialmente na cota de malha, que desce até pouco acima do joelho; e no elmo, pesado e maciço a princípio, que se aperfeiçoa e suaviza depois com viseiras e fitas sob o queixo, móveis e com nasal e frontal.

Para atenuar o brilho do lorigão ou cota de malha, passava-se uma sobreveste de tecido, pano fino ou outro. As grevas e esporões completavam a farpela.

Não é possível fazer melhor ideia da indumentária de guerra da época do que através da bela estátua do Cavaleiro de Bamberg, obra-prima de harmonia e máscula simplicidade.

Mas é necessário um esforço suplementar para reconstituir o espetáculo deslumbrante que deviam apresentar os exércitos de então, com essa multidão de cascos, lanças e espadas chamejando ao sol, a ponto de a sua reverberação ter sido muitas vezes uma causa de derrota para aqueles que se encontravam desfavoravelmente orientados.

Podem-se conceber os gritos de admiração arrancados aos cronistas por essas hostes rutilantes, com as suas bandeirolas e estandartes, os cavalos carapaçonados, as sedas brilhantes abrindo-se sobre as cotas de aço, cada corte agrupada em torno do seu senhor e usando as suas cores.

De fato é na mesma época, em princípios do século XII, que aparece o brasão. Os termos e a maior parte das peças foram tirados do oriente árabe, mas o costume generalizou-se rapidamente na Europa.

Reconstituição histórica da batalha de Hastings, na Inglaterra em 1066
permite apreciar o armamento e vestimentas
Foi expandido pela prática dos torneios, pois para seguir a evolução dos cavaleiros em campos frequentemente muito amplos, os espectadores se fixavam nas suas armas, como hoje nas cores de um jóquei.

Com uma voga hoje renovada, o brasão faz parte integrante da vida medieval, traduzindo sob uma forma articulada a divisa de um senhor ou de uma família.

É ao mesmo tempo grito de guerra e sinal de aliança. É sabido que cada cor, ou antes cada esmalte, tem a sua significação, como cada móvel a que está aposto: o azul é símbolo de lealdade; o goles, de coragem; o areia, de prudência; e o sinople, de cortesia.

Dos dois metais, a prata significa pureza, e o ouro o ardor e amor. O brasão foi-se complicando ao longo dos séculos, mas desde o seu aparecimento constitui uma ciência e uma espécie de linguagem hermética.

Sob essa forma rica e colorida, que tanto apraz à Idade Média, traduzia todo o feixe de tradições e de ambições que compõe a personalidade moral de cada corte.


(Autor: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)



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terça-feira, 12 de julho de 2016

Como se vestiam os medievais? – 1
O triunfo da cor

Parada histórico em Asti, Itália. O prefeito da cidade
Parada histórica em Asti, Itália. O prefeito da cidade
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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O que surpreende nos trajes da Idade Média é a cor. O mundo medieval é colorido, e o espetáculo da rua devia ser então um encantamento para os olhos.

Perante um cenário de fachadas pintadas e de tabuletas rutilantes, o movimento desses homens e mulheres vestidos de tons vivos, contrastando com a túnica negra dos clérigos, o burel castanho dos irmãos mendigantes e a brancura extrema de uma coifa.

Não é possível no mundo moderno imaginar uma tal festa de cores, a não ser nos conhecidos desfiles na Inglaterra por ocasião do casamento de um príncipe e a coroação de um rei.

Ou então em certas cerimônias eclesiásticas, como as que se desenrolam no Vaticano.

Não se trata apenas de indumentárias de luxo, pois os simples camponeses vestem-se com cores claras, vermelhas, ocres, azuis.

A Idade Média parece ter tido horror dos tons sombrios, e tudo o que nos legou — frescos, miniaturas, tapeçarias, vitrais — testemunha essa riqueza de colorido tão característica da época.

Não se deve contudo exagerar o pitoresco ou a excentricidade do traje medieval.

Alguns pormenores, que associamos inevitavelmente aos quadros do tempo, só excepcionalmente fizeram parte da indumentária.

Os sapatos de ponta revirada, por exemplo, estiveram na moda durante meio século, não mais, no decorrer do século XV, que assistiu a não poucos exageros vestimentares.

Cortejo Histórico em Feltre, Itália. Um casal jovem
Cortejo Histórico em Feltre, Itália. Um casal jovem
Charles d'Orléans critica os “gorgias” — jovens elegantes que usam mangas recortadas, com fenda lateral, que exibem dobras impressionantes.

Do mesmo modo, a coifa longa e pontiaguda, irresistivelmente evocada pela palavra “castelã”, foi muito menos usada do que a coifa quadrada ou arredondada, que enquadra o rosto e é muitas vezes acompanhada de uma fita sob o queixo, moda corrente no século XIV.

De modo geral, as mulheres da Idade Média usam roupas que seguem a linha do corpo, com um busto muito justo e amplas saias de curvas graciosas.

O corpete abre-se frequentemente sobre a chainse ou camisa de tecido, e as mangas são por vezes duplas, detendo-se as primeiras (as da sobreveste ou traje de cima) nos cotovelos, e as de baixo, de tecido mais ligeiro, indo até aos pulsos.

O pescoço é sempre bem destacado, enquanto as saias arrastam pelo chão, presas por um cinto onde por vezes sobressai uma fivela de joalheria.

O traje masculino quase não se distingue do feminino, pelo menos nos primeiros séculos da Idade Média, mas é mais curto. O calção deixa ver as meias, e por vezes as bragas ou calções.

No decurso do século XII, sob a influência das cruzadas, adotam-se roupas compridas e flutuantes, moda vivamente censurada pela Igreja como sendo efeminada.

Os camponeses usam uma espécie de romeira com capuz, e os burgueses cobrem a cabeça com um carapuço de feltro ou de tecido pregueado.

São muito apreciadas as peles, desde o arminho reservado aos reis e príncipes de sangue, a marta ou o esquilo, até às simples raposas e carneiros, dos quais os aldeões confeccionam sapatos, gorros e casacos compridos.

No século XV, grandes senhores como o duque de Berry gastarão fortunas para comprar peles preciosas, e é também nessa época que o traje se complica, os calções se tornam estreitos e justos, a vasquinha exageradamente curta e franzida na cintura, e os seus ombros acolchoados.

A roupa de baixo existe desde o início da Idade Média, e o exame das miniaturas mostra que é usada tanto pelos camponeses como pelos burgueses.

Havia por toda parte, em França, cânhamos cuja fibra era fiada e tecida em casa, fornecendo um belo tecido resistente. Em contrapartida a roupa de noite não existe, e o seu uso só muito tarde é introduzido.

Cortejo histórico em Asti, Itália. Um casal.
Cortejo histórico em Asti, Itália. Um casal.
Circula em toda a França uma grande variedade de tecidos para a indumentária, através das grandes feiras.

Vendem-se nas cidades mediterrânicas todas as especialidades da indústria têxtil das Flandres e do norte da França: tecidos de Châlons, estamenha forte de Arras, lençóis de lã de Douai, de Cambrai, de Saint-Quentin, de Metz, panos vermelhos de Ypres, estanforts da Inglaterra, tecidos finos de Reims, feltros e capas de Provins, sem contar especialidades locais como a brunette de Narbona e os panos cinzentos e verdes de Avignon.

O comércio das cidades do litoral, Gênova, Pisa, Marselha, Veneza, permitia a importação dos produtos exóticos da África do Norte, e mesmo da Índia e da Arábia.

Alguns registros de mercadores que freqüentavam a feira da Champagne são tão sugestivos como uma página das Mil e uma noites: panos de ouro de Damasco, sedas e veludos de Acra, véus bordados da Índia, algodões da Armênia, peles da Tartária, couros e cordovões de Tunes ou de Bougie, peles trabalhadas de Oran e de Tlemcen.

A seda e o veludo foram durante muito tempo apanágio da nobreza, sendo os nobres os únicos suficientemente ricos para poderem adquiri-los.

Tudo isto era objeto dos presentes dos príncipes. Em ocasiões de grande regozijo eles distribuem gostosamente ao seu séquito, independentemente do grau, trajes mais ou menos suntuosos.

Mas o luxo excessivo não foi característico da realeza capetiana. A corte só se tornou magnífica sob os Valois, e sobretudo com os príncipes apanagiados — duques de Berry, Borgonha e Anjou.



Continua no próximo post: Como se vestiam os medievais? – 2

(Autor: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)



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terça-feira, 28 de junho de 2016

Como comiam os medievais

Refeição num lar nobre
Refeição num lar nobre
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A maior parte dos pratos não são postos em cima da mesa. As carnes põem-se num pequeno trinchante, e o mesmo se passa com as bebidas.

O escudeiro trinchador, em geral um jovem gentilhomem, tem a função de cortar para cada convidado porções de carne. Nos romances de cavalaria — como Jean de Dammartin et Blonde d'Oxford, obra de Beaumanoir — o cavaleiro servidor da dama cumpre esse papel.

Depõem-se os pedaços diretamente sobre o prato ou sobre fatias de um pão especial, conhecido como pão de trinchar, mais compacto que o pão corrente.

Este costume subsistiu em algumas regiões de Inglaterra, onde os pratos de carne não aparecem à mesa.

Com relação às bebidas, os jarros que as contêm estão sobre um aparador, e o copeiro enche jarros e taças uns após outros, à vontade dos convivas.