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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

O Pálio de Siena, glória da cidade medieval na Civilização Cristã (5)

Palio de Siena, corrida, a cidad medieval.

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Continuação do post anterior: O Pálio de Siena, onde o passado glorioso da Civilização Cristã entra no presente (4)




O prêmio pertence ao santo patrono

No pátio do Palácio Público surgem os dez cavalos com os seus jóqueis, e são vagarosamente conduzidos ao ponto de partida, onde se colocam em ordem pré-estabelecida por sorteio, e esperam.

O juiz dá um sinal, cai a corda que os retém, da multidão irrompe um clamor imenso, os cavalos disparam.

Palio de Siena, corrida, a cidad medieval.
Uma volta, duas voltas, três voltas na praça, em que eles se atropelam, se perseguem, dobram os ângulos da pista, descem desabaladamente a pequena rampa, surgem fogosos na curva.

Tudo se passa em segundos, entre o delírio ensurdecedor da multidão, até a passagem final pela meta, que consagra o vencedor.

Neste momento a pista é invadida de todos os lados, e os membros da contrada vencedora correm para junto da plataforma dos juízes a fim de receber o pálio.

Imediatamente levam-no à igreja de Provenzano ou à catedral, para agradecer a Nossa Senhora a vitória tão sonhada. Um solene Te Deum é celebrado.

Em triunfo eles seguem depois para o oratório da contrada, cujos sinos repicam festivamente; ali rendem graças ao santo patrono e depositam o prêmio que conquistaram.

Pela noite a dentro a vitória é comemorada alegremente.

Na manhã seguinte apresentam-se novamente, com os trajes tradicionais, para homenagear as autoridades da cidade e os protetores da contrada.

Um soneto, composto para exaltar a vitória, é distribuído ao povo.

Palio di Siena, a cidade medieval. Um mês depois, um grande banquete é oferecido nas ruas da contrada vencedora, decoradas com flores e tapeçarias, com as bandeiras tremulando.

O jóquei senta-se à mesa principal, e perto dele fica o cavalo, todo engalanado, diante de uma mangedoura com a mais suculenta alfafa.

Testemunho vivo da civilização cristã

Quem tiver tido a felicidade de assistir ao Pálio de Siena não terá visto apenas uma das mais belas e interessantes manifestações populares do mundo e uma das mais perfeitas reconstituições históricas que hoje em dia se realizam.

Terá sobretudo tido a ocasião única de ver e sentir, viva e palpitante, a beleza e o esplendor da Idade Média.

Nesta "era feliz, em que a Igreja presidia pacificamente os destinos dos povos", como disse Leão XIII, o espírito católico vivificava todos os costumes e modos de ser da Cristandade, imprimindo-lhes a alegria, o encanto e a harmonia próprios da existência conforme a lei de Deus.

O tufão revolucionário que desde a Renascença e pseudo-reforma protestante varre o mundo, destruindo o doce jugo de Nosso Senhor, tem tornado a vida cada vez mais intemperante, voluptuosa, triste, feia, e sempre insatisfeita.

A visão concreta da luminosa beleza medieval desperta uma nostalgia profunda de uma época em que a existência era digna, suave e toda impregnada de sublimidade.

Palio di Siena, a cidade medieval

O Pálio de Siena é um testemunho ainda vivo da civilização cristã, num mundo que apostatou da Santa Igreja de Deus.

É uma afirmação de todas as potencialidades culturais que essa mesma Igreja contém, e que poderão dar novos aspectos e novo lustre a uma civilização cristã do futuro, desde que a humanidade se converta de seus erros atuais, queimando o que adorava e adorando o que queimava.

Fim

(Fonte: "Catolicismo" - nº 45, setembro de 1954)


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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

O Pálio de Siena, onde o passado glorioso da Civilização Cristã entra no presente (4)

Palio di Siena, a cidade medieval

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Continuação do post anterior: O Pálio de Siena, relíquia palpitante de vida da Civilização Cristã (3)



 Uma cidade revive seu passado

O cortejo histórico do Pálio de Siena é mais do que uma simples reconstituição arqueológica.

É a revivescência da tradição de uma cidade, pela qual um povo toma consciência de si mesmo, de seu passado, de seus valores, de sua personalidade e de seus traços característicos.

No brilho e no pitoresco dos trajes medievais, com seu talhe esbelto, com a variedade de seus adornos, capacetes, couraças, plumas, emblemas, se refletem as glórias antigas da cidade.

Mas se espelha sobretudo a alma de um povo, com seu talento artístico, sua vivacidade, sua riqueza de expressão, suas virtudes.

Nada a ver com os espetáculos de massa das cidades hodiernas. É isto, mais que tudo, que explica o entusiasmo em meio do qual o desfile decorre.

Na frente surge o gonfaloneiro de Siena, a cavalo, acompanhado de seu escudeiro, rodeado por quatro capitães e precedido por seis maceiros ou mestres de armas.

Palio di Siena, a cidade medieval
Ele comanda a fanfarra da cidade — doze outros músicos, que tocam uma marcha brilhante e festiva — e 36 pajens com as bandeiras dos burgos e castelos que pertenciam outrora à República.

Segue-se um segundo grupo: o comandante das tropas de Siena, "Capitano del Popolo", com seu escudeiro e um pajem que carrega sua espada e seu escudo.

Atrás dele três centuriões com os estandartes dos "terzi" — os distritos urbanos da cidade — e outros três levando os das "masse", distritos rurais anexos a ela.

Entram as contradas que vão concorrer.

O espetáculo apresenta então suas notas mais pitorescas e encantadoras.

Cada contrada é representada por um tambor e dois "alfieri" (ou balizas) com bandeiras; pelo capitão, seus pajens e homens de armas; o jóquei num animal de parada, com seu valete; e o treinador conduzindo a pé o cavalo que disputará a corrida.

Palio di Siena, a cidade medieval
Todos, como dissemos, com trajes medievais, predominando em cada contrada as cores da respectiva bandeira, numa profusão infinita de matizes e combinações.

De espaço em espaço as contradas param.

O capitão saúda a multidão com sua espada, e cada alfiere começa a executar com sua grande bandeira a encantadora "sbandierata": manobrando-a com graça e leveza, gira-a por trás do pescoço, passa-a por entre as pernas, recolhe-a sobre os ombros, passa-a pelas costas e arrasta-a pelo chão, levando-a novamente ao pescoço.

Palio di Siena, a cidade medieval
E assim por diante, numa variedade sem fim de gestos e passes, mantendo a bandeira sempre inteiramente desfraldada.

Até que por fim, envolvendo-as no cabo, a um só tempo os dois comparsas da contrada atiram suas bandeiras oito, nove, dez metros para o alto, elas se cruzam no ar, e eles as apanham, cada um a do outro, antes que caiam no chão.

Após doze pajens levando grinaldas de louros, seguem-se as sete contradas que não correrão dessa vez.

Surgem depois o Magistrado da Cidade, a cavalo, e os arautos das antigas corporações: tecelões de seda, tecelões de lã, joalheiros, pintores, ourives, boticários, ferreiros.

Palio di Siena, a cidade medievalAtrás deles o Capitão de Justiça e seis cavaleiros com viseira abaixada, representando estes as contradas supressas.

Entra por fim na praça o carro triunfal, o "Carroccio", cópia daquele que os sienenses capturaram aos florentinos na batalha de Monteaperti, em 1216.

Puxado por quatro bois brancos, conduz o ambicionado pálio, que será dado como prêmio ao vencedor, e a bandeira branca e preta de Siena.

Palio di Siena, carroccio, a cidade medievalDentro dele quatro Magistrados da cidade e quatro trombetas; ao redor, sete cavaleiros que montam guarda; atrás, dezoito maceiros e uma multidão de soldados.

Palio di Siena, autoridades, a cidade medievalDiante do Palácio Público o cortejo pára. Todos os participantes ocupam a tribuna que lhes é reservada, e o pálio é levado à presença dos juízes, enquanto os alfieri, todos juntos, executam a última sbandierata.

A visão das 34 bandeiras coloridas esvoaçando simultaneamente é a coroa do cortejo e arranca aplausos incessantes da multidão.

Neste instante o sino da torre Mangia silencia: a corrida está prestes a começar.



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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

O Pálio de Siena, relíquia palpitante de vida da Civilização Cristã (3)

Palio di Siena, a cidade medieval

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Continuação do post anterior: O Pálio de Siena, relíquia palpitante de vida da Civilização Cristã (2)


Entre a "prova generale" e a "provaccia", um banquete

Nos dias que antecedem a corrida, a cidade toda se agita com os preparativos.

A municipalidade anuncia em termos solenes a sua próxima realização, as contradas se aprestam, as casas são enfeitadas, preparam-se as vestes para o desfile, ninguém comenta outra coisa senão o Pálio: Siena vai viver seu grande dia.

A corrida tem regras muito peculiares, a começar pelo sorteio dos cavalos entre as contradas.

Os capitães escolhem os dez melhores entre os animais que podem concorrer, e cada um destes recebe um número, colocado sob a sua orelha direita; uma criança, retirando de uma urna um número e de outra um nome, decide a qual contrada será entregue cada cavalo.

Palio di Siena, cavalo, a cidade medieval
Aconteça o que acontecer, a escolha pela sorte não pode ser mudada.

Em duas ocasiões sucedeu de um cavalo morrer durante os treinos: os representantes da contrada infeliz desfilaram na festa com uma tarja na bandeira e uma capa preta nos tambores silenciosos.

As montarias são levadas para as respectivas contradas, onde são tratadas e vigiadas com grande cuidado. O capitão sorteia o jóquei, que poderá, conforme sua atuação, tornar-se famoso ou execrado.

Começa então uma série de treinos, para habituar os cavalos com a saída e com os perigos do percurso.

Na tarde da véspera todos correm, já vestidos com seus uniformes, a "prova generale", após a qual participam de um grande banquete. E na manhã do grande dia há um último treino, a "provaccia".

Enquanto isto são instaladas na praça as tribunas de honra, as arquibancadas, uma plataforma para os juízes, outra para os priores das contradas, e cercas ao longo da pista, que é recoberta com terra.

Palio di Siena, a cidade medievalO pároco abençoa o jóquei e o cavalo

O dia da corrida amanhece em meio à animação e alegria gerais.

Por todos os meios de transporte chegam continuamente ondas de gente, habitantes das cidades vizinhas, turistas de todo o mundo.

Na catedral é celebrada Missa em louvor de Nossa Senhora; a imagem da Madonna delle Grazie é exposta à multidão dos fiéis.

As ruas estão todas enfeitadas, dos balcões das casas pendem ricos tapetes.

Em três praças importantes são hasteadas as bandeiras dos três "terzi" em que se divide a cidade, correspondentes aos castelos primitivos.

Cada contrada tem seu próprio oratório, onde antes do desfile o jóquei vai rezar e beijar uma relíquia.

Ele, e também o cavalo, recebem uma bênção do pároco, após a qual dirigem-se, como todo o séquito que logo as acompanhará no desfile, ao Palácio do Arcebispo, a fim de prestar-lhe homenagem.

Entrementes, a praça se enche de espectadores — sua capacidade é calculada em 50 mil pessoas.

As arquibancadas, o canteiro central, as janelas das casas, telhados, postes, tudo regurgita de gente.

A expectativa é intensa, quando o grande sino da torre Mangia começa a badalar vagarosa e sonoramente, anunciando o desfile que precede a corrida, o "cortejo histórico", durante o qual ele se fará ouvir sem cessar.

Espocam morteiros, surge a guarda dos "carabinieri", que dão a volta da pista, a cavalo, sob os aplausos da multidão. Pela segunda vez os morteiros troam; é o sinal de que começou o desfile.



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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

O Pálio de Siena, relíquia palpitante de vida da Civilização Cristã (2)

Palio di Siena, a cidade medieval
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Siena e seu Palio: relíquia que vibra ainda pelo impulso da vida da Civilização Cristã (1)


 Em louvor da Virgem

O Pálio não é apenas uma festa esportiva e guerreira, é também uma comemoração religiosa.

A primeira corrida se realiza no dia 2 de julho, em honra da Madona de Provenzano, e a segunda a 16 de agosto, em louvor de Nossa Senhora da Assunção.

Esta especial devoção dos sienenses para com a Mãe de Deus, a Quem elegeram como Padroeira da cidade, tem origens muito antigas.

Palio di Siena, igreja, a cidade medieval
Nos tempos do apogeu militar, partindo para a guerra eles ofereciam a Nossa Senhora as chaves das nove portas de Siena, para alcançarem sua proteção no combate.

Em agradecimento pelas vitórias conquistadas, erguiam-lhe capelas e oratórios.

Na véspera da batalha de Monteaperti, dedicaram a cidade a Nossa Senhora da Assunção; a Ela consagraram a catedral.

Nessa época, em que todas as atividades humanas eram vivificadas pelo sopro do Catolicismo, era natural que as próprias comemorações guerreiras tivessem uma nota profundamente religiosa.

Assim, os jogos com que Ferrara celebrava a festa de São Jorge, Bolonha as de São Pedro e São Bartolomeu, e Florença a de São João Batista.

Palio di Siena, Madonna di Provenzano, a cidade medieval.
Em Siena — "cidade da Virgem", como era chamada — a principal festa foi durante muito tempo em honra da "Madonna dell’Assunta".

Em fins do século XVI, quando uma terrível fome assolou a região, o povo mais uma vez voltou-se para sua Protetora.

Mas não pôde entrar na catedral para oferecer seus votos, porque dentro havia uma disputa terrível entre os cônegos, e as portas estavam fechadas.

Acorreram então os sienenses a Nossa Senhora de Provenzano, cuja imagem ficava entre duas janelas de uma humilde morada na Via dei Provenzani di Sotto, e que já operara milagres.

A Virgem atendeu aos rogos que lhe foram dirigidos, e afastou o flagelo.

Desde então a solenidade de Nossa Senhora de Provenzano, a 2 de julho, tornou-se a principal festa religiosa de Siena, comemorada também com uma corrida na Piazza del Campo.

Até hoje (embora seja preciso reconhecer que o espírito religioso atual é bem menos intenso que o de antigamente) o Pálio é realizado em louvor de Nossa Senhora.

Madonna del Voto, Siena, a cidade medieval O único prêmio ao vencedor da corrida é um estandarte, pintado a mão, com a imagem da Madonna de Provenzano ou da Assunção, conforme o caso.

Deste estandarte — em italiano palio — a corrida recebeu o nome com que é conhecida.

A festa é rica em cerimônias e símbolos religiosos: beijo de relíquias pelo jóquei, bênção do cavalo, visita ao Arcebispo, Te Deum comemorativo da vitória, procissão ao Santuário de Nossa Senhora, e muitas outras, peculiares a cada "contrada" (nome dos grupos que tomam parte na corrida).

 Espetáculo artístico incomparável

As "contradas" que correm no Pálio têm origem medieval.

Siena, no seu apogeu, era dividida administrativamente em 23 bairros autônomos, dentro de uma mesma muralha, cada qual com seu governo, suas leis, seus padroeiros, sua igreja e seu pequeno território.

Palio di Siena, a cidade medieval
Todos eles se uniam debaixo da autoridade do Magistrado da comuna, o qual, do Palácio Público cuja torre domina a cidade e a região, presidia aos destinos comuns.

Estas eram as originais "contradas".

Com o tempo, porém, a administração se unificou e as contradas passaram a ser apenas entidades civis.

Mantiveram contudo certos direitos, que detêm até hoje: cobrar impostos dos cidadãos de seu território, convocá-los para reuniões, realizar comemorações nas ruas e praças, escolher protetores, mesmo entre nobres residindo além de suas divisas, e render homenagem pública a eles.


Desde o século XV as contradas têm tomado parte nas corridas e comemorações populares.

Até hoje isto mantém o ambiente de emulação e entusiasmo que cerca o Pálio.

A princípio eram 23 as concorrentes, mas seis foram supressas, por terem brigado durante a corrida de 1675.

Das 17 que existem atualmente — Águia, Dragão, Girafa, Pantera, Unicórnio, etc. — correm apenas dez em cada Pálio: as sete que não correram na vez anterior e três sorteadas.

No desfile que precede a corrida, cada contrada procura sobrepujar suas rivais pela beleza dos trajes.

Palio di Siena, a cidade medieval
Seus representantes — pajens, tambores, porta-bandeiras, capitão, homens de armas, jóquei e treinador — vestem-se à medieval, com as cores da contrada, mas dispostas com tal variedade que não se veem dois padrões iguais.

As diversas contradas exibem combinações de preto e vermelho, amarelo e azul, vermelho e verde, branco, laranja e azul, etc., ora em listras, ora em faixas onduladas, ora em xadrez, e em mil outros desenhos.

Tudo é vida, espontaneidade, exuberância.

As calças dos pajens têm cada perna de uma cor.

E o que poderia dar facilmente em um conjunto demasiado vistoso, quiçá bufo, constitui, graças ao gosto apurado e comedido dessa pequena população de província, uma admirável festa de colorido, de graça, de vivacidade, de alegria.

Diante dessa festa medieval o pobre espectador não pode deixar de sentir ao vivo o contraste com a "austera, apagada e vil tristeza" do mundo moderno.



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