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quarta-feira, 10 de abril de 2019

O clérigo medieval: um apaixonado por Nosso Senhor Jesus Cristo

São Nizier bispo, Lyon
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Na ordem social medieval é preciso distinguir três categorias essenciais.

A mais alta é a dos clérigos.

O clérigo é por excelência um homem de oração e estudo.

O próprio do clérigo é um modo de considerar a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Não considera a Jesus Cristo como um qualquer que olha e exclama “Aahh!” Não.

O bom clérigo olha para Nosso Senhor com uma espécie de enlevo apaixonado.

Há também o mau clérigo, e esse elogio que eu estou fazendo não cabe a um mau clérigo.

Então, o bom clérigo se caracteriza por uma espécie de paixão por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Clérigo santo medieval
Clérigo santo medieval
Por exemplo, quando ele considera a Paixão e Morte de Nosso Senhor, ele é propenso a se compenetrar de tal modo que ele até chora.

Se ele considera a Anunciação, ou os mistérios gaudiosos, ele é propenso a atitudes como as representadas nos quadros de Fra Angélico.

Em todas as coisas, o bom clérigo é profundamente refletido, medita muito, e sua meditação toca até o fundo de sua sensibilidade.

E isto o leva, portanto, aos maiores sacrifícios e às maiores renúncias com resolução, e daí o grande número de santos entre o clero da Idade Média.





(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 28/2/91. Sem revisão do autor)



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segunda-feira, 18 de março de 2019

Simbolismo e valor da ponte na ordem medieval

A Ponte de São Carlos em Praga
A Ponte de São Carlos em Praga
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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A ponte é um hífen entre dois caminhos. Quando o caminho para no lado de num abismo de um rio ou de um vale profundo é necessário uma ponte sobre ele.

A ponte é um traço de união, não é nem uma parte do caminho, nem a outra do caminho; tem como que individualidade própria. Ela é ponte.

E porque a ponte é filha da inteligência humana, ela tem uma nobreza própria e se entendeu sempre que ela devia ter uma beleza própria.

Daí o fato de as pontes mais antigas, cujos quadros, figuras em mosaico; em pergaminhos, em vitrais etc. nós podemos contemplar, terem alguma coisa que as diferencie do resto do caminho.

A Ponte de Londres
Pode ser a menor das pontes num pequeno caminho de roça; ou pode ser a ponte mais monumental de um grande rio, sempre se concebeu a ponte como algo de nobre, bonito, que merece ter uma fisionomia própria.

Por exemplo, a famosa ponte sobre o Tâmisa, que se abre em dois para deixar passar os navios que sulcam o rio intensamente comercializado e industrializado.

E que depois se fecha de novo para que sobre ele passe o trânsito da grande capital inglesa.

De um lado e de outro, foram construídas duas torres monumentais.

Quando o leito da ponte está abaixado e sobre ele passa o trânsito tem então a impressão de firmeza, de solidez, de força.

Quando está levantado se tem a impressão de solenidade: as duas partes da ponte se abrem lentamente como que ignorando o que se passa aos pés.

Essa ponte tem uma fisionomia própria tal que foi fotografada, filmada de todos os modos possíveis no mundo inteiro.

Há pontes muito bonitas em outro gênero. Uma delas é a ponte que conduz ao Castelo de Santo Ângelo, em Roma.

É uma torre imensa, construída para servir de jazigo ao imperador Adriano.

Ela foi utilizada durante a Idade Média como um castelo fortificado, onde as tropas dos pontífices se acantonavam para a defesa da cidade Eterna.

Há até uma obra de engenharia que não é bonita, mas que tem seu quê de épico.

É uma longa arcada que acompanha o casario, ocultando um caminho coberto, que leva sobre arcos do Vaticano ao Castelo de Santo Ângelo.

Quando havia invasões ou os Papas se sentiam ameaçados, eles passavam depressa por essa ponte coberta até o Castelo de Santo Ângelo, que é uma fortificação completa.

A passagem chamada Passetto di Borgo vista desde Castel Sant'Angelo.
A passagem chamada Passetto di Borgo vista desde Castel Sant'Angelo.

Não ficava inteiramente de acordo com o lugar religioso onde está sepultado São Pedro.

Então, os Papas aliando o belo e o piedoso ao prático e ao forte, fizeram esse caminho secreto.

Ele tem a beleza dos apuros do Papado nos antigos tempos, e da saída inteligente desse poder que presidiu os mais belos combates da história, que foram as Cruzadas, de maneira a aliar a força à piedade.

E triunfaram do paganismo transformando a sepultura do velho imperador pagão em a fortaleza do Papa.

Outra ponte monumental liga a cidade de Roma por cima do rio Tibre ao Castelo de Santo Ângelo, dedicado ao Arcanjo São Miguel que apareceu no alto dele e deu sinal de fim de uma epidemia que grassava na cidade.

Então a ponte é dedicada aos Anjos e é toda ornada com imagens de santos e de anjos.

E indulgenciada, quer dizer, quem percorre essa ponte rezando determinadas orações, acaba ganhando indulgências fabulosas.

Sobre o velho Tibre romano os anjos lançaram uma ponte monumental.

Os fiéis percorriam rezando sobre as águas do rio, mais ou menos indicando que a intercessão dos anjos conduz sobre os abismos que vão desta terra até o outro mundo.

E que quando nossas almas forem apresentadas a Deus, o serão pelos Anjos.

Mas há pontes de uma simplicidade maravilhosa, que não é a simplicidade calvinista, fria, mal humorada e imbecil da Revolução.

Mas é feita de equilíbrio, de distinção e de uma beleza que está apenas na forma dos arcos e mais nada.

E diz coisas inenarráveis.

Ponte que conduz ao Castel Sant'Angelo
Ponte que conduz ao Castel Sant'Angelo
Essa ponte é a mais bonita das muitas pontes que cortam o Sena: é o Pont Neuf, construído sob Henrique IV.

É apenas um conjunto de arcos que lembram ogivas.

Esses arcos se refletem na água única do Sena.

Só a água do rio Arno, em Florença é comparável à água do Sena.

São duas super-águas.

Quem não conheceu essas duas águas, eu duvido que tenha uma ideia inteira do que é água.




(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de palestra pronunciada em 26.8.78, sem revisão do autor)



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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Moradia medieval: espírito elevado, oposto ao prosaísmo

Kaysersberg, Alsacia, França
Kaysersberg, Alsacia, França
Luis Dufaur
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Denomino “europeização” a compreensão do que a Europa tem de bonito e a adoção do estado de espírito do europeu.

Não seria uma pura valorização do que há na Europa, mas a aquisição de um modo de ser inspirado no europeu.

Os europeus procuram organizar a vida de modo belo, com valores positivos.

Em suas casas, por exemplo: se há uma janela disponível, eles colocam um vaso com gerânios; se há um jardinzinho, plantam flores com desenhos lindos.

Óbidos, Portugal
Óbidos, Portugal
Tendo um belo panorama, aparecem artistas para ver, pintar, fotografar; comentam o panorama e extasiam-se com ele; expõem quadros com as pinturas.

Tudo aquilo vai entrando na cultura do povo.

Os brasileiros modernos, entretanto, ao contrário dessa impostação de alma, geralmente não incorporam as coisas com aquele estado de espírito medieval, mesmo tendo nós panoramas realmente bonitos.

Se adquirissem esse estado espírito, ficariam com apetência desse tipo de prazer intelectual.

Annecy, França
Annecy, França
Bem diferente da apetência pela politicagem, pela sensualidade, pela torcida desenfreada no esporte…

São defeitos contra os quais se deve remar.

Há nisso um sentido religioso?

Há, evidentemente, pois as coisas magníficas da natureza nos foram dadas pela Providência para nos elevarmos a Deus.

São imagens da sublimidade d’Ele.

É evidente que a posição de fechamento, de não se ter a alma aberta em relação ao sublime, leva as pessoas para o que é prosaico.

Portanto, representa um fechamento para a imagem que Deus colocou nas coisas criadas por Ele.

Tal fechamento para os aspectos sublimes das coisas representa, substancialmente, algo de antirreligioso.


Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 31 de outubro de 1966. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.


Vídeos: a moradia em cidades medievais europeias










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terça-feira, 2 de outubro de 2018

Prefeitura de Bremen: grande nave flutuando num mar de pedras

Luis Dufaur
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O teto da prefeitura de Bremen tem uma beleza especial. O teto foi muito utilizado como elemento de decoração.

Por exemplo na Catedral de Santo Estevão em Viena, e em outros prédios da Idade Média, se aproveitavam ardósias de cores diversas e faziam-se desenhos bonitos. O golpe de vista é magnífico.

O teto é todo ele de cobre azinhavrado. Com o tempo ele fica com esse verde lindo, de esmeralda. Parece todo feito de uma pedra preciosa.

Por outro lado, o prédio é alegre; se o teto fosse preto ficaria de um peso medonho.

Mas, o verde turmalina comunica alegria e leveza para todo o edifício. Ele dá impressão de que sobe. O Paço não é uma caixa d'água, um quadradão, mas tudo nele convida para elevar-se.

A impressão ascensional é acentuada por três grupos de janelas.

É o tipo perfeito de teto. O teto não deve pesar, mas deve dar a idéia de uma coisa que convida para subir.

A parte debaixo é levíssima também. Ela é composta de uma série de ogivas que dão para uma galeria aberta, onde as pessoas podem passear e ficar em tempo de chuva.

Como se trata de um edifício público era preciso que todo mundo pudesse ficar no edifício se

A galeria acompanha a linha geral do edifício formando um movimento variegado, mas muito leve.

O resultado é que a parte intermediária, que poderia pesar um pouco, fica tão leve que é um verdadeiro encanto.

As janelas são tão grandes que na parte central tomam dois andares. Elas são quase o dobro das janelas laterais que já são altas.

Esses quadradões janelões sem apoio nenhum deveriam ficar de um peso enorme.

Mas, como puxa para cima, como apoia no chão com muita leveza, como as janelas são esguias, o prédio todo dá uma ideia de conto de fadas pela diferença das cores: verde, vermelho claro, entremeado com o beige das pedras.

Há um jogo de cores tão claro, delicado, leve que a gente poderia ter a impressão de que se se colocasse esse prédio sobre uma jangada, ele flutuaria sobre as ondas e não iria para o fundo. Daria, aliás, um lindíssimo palácio flutuante.

Pelos seus imponderáveis, o paço dá a impressão de uma grande nave que flutua numa praça que é um mar de pedras.

Há qualquer coisa de aquático indefinido dentro disso, que é a verdadeira beleza do prédio. O prédio é um encanto.

O Paço Municipal de Bremen tem muitas reminiscências góticas e contrasta com a Catedral, que é um misto de gótico e de romano.

Enquanto este prédio sorri, a Catedral, pelo contrário, tem qualquer coisa de majestoso, de forte e de sério, que lembra um dos aspectos da Igreja Católica: Sua divina severidade.

Esta é uma das mil maravilhas da Europa antiga que o espírito progressista procura de todos os modos insultar, e que os tratadistas de arte e de história procuram desvirtuar.

Porque, a descrição de um edifício desses com as técnicas atuais é inteiramente oposta.

É assim: “Rathaus da cidade de Bremen, século tanto; material empregado: brique tirado de terra especial que se encontra na montanha tal, de onde lhe vem por tal reação química a consistência e a durabilidade do seu vermelho.

Resultado: a gente tem a impressão de que está descrevendo um cadáver. É um pouco como quem diante do cadáver de São Sebastião, em vez de dizer:

A prefeitura de Bremen num dia dia de Natal
“Pro-consul romano, chefe da guarda pretoriana imperial” e fazer um belo comentário, não!:

“São Sebastião; cadáver encontrado na catacumba de tal, etc, pelo famoso arqueólogo Fulano do Tal; é o número tanto do grande álbum de não sei o quê, intitulado tal coisa assim. Esse cadáver mostra que São Sebastião tinha um metro e tanto, por tanto de largo, etc., etc.

“Discute-se pelos seus traços se ele era da Ilíria ou da Macedônia. Há a esse respeito duas federações de associações, cada uma delas sustentando um ponto de vista.

“É de se notar que as armaduras que ele traz são de aço de tal, o que vem provar que o exército romano temperava os seus metais de tal maneira assim”.

Um jovem que ouve no museu um comentário desse tem vontade de sair correndo. Porque isto é a morte no seu aspecto mais horroroso, que é a coisa reduzida a esqueleto.

Aí a gente não tem a sensação da morte mas da perenidade. Não é possível que uma coisa destas esteja definitivamente morta. Não é da glória de Deus.

Ele não pode permitir que uma coisa destas tenha desaparecido da Terra e que nunca mais algo de análogo vá brilhar como um valor que oriente os homens.

Se isto fosse assim, era para o mundo terminar logo, porque que haja novos séculos e novas civilizações construídas sobre o conspurcado de tudo isso é impossível, a glória de Deus não permite.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 14.8.67, não revisto pelo autor)


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