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segunda-feira, 15 de novembro de 2021

A vida rural encravada na cidade

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A vida rural foi extraordinariamente ativa durante a Idade Média, e grande quantidade de culturas foi introduzida na França durante essa época.

Isso foi devido, em grande parte, às facilidades que o sistema rural da época oferecia ao espírito de iniciativa da nossa raça.

O camponês de então não é nem um retardatário nem um rotineiro. A unidade e a estabilidade do domínio eram uma garantia tanto para o futuro como para o presente, favorecendo a continuidade do esforço familiar.

Nos nossos dias, quando concorrem vários herdeiros, é preciso desmembrar o fundo e passar por toda espécie de negociações e de resgates, para que um deles possa retomar a empresa paterna. [disposições recentes vieram modificar o regime das sucessões]

A exploração cessa com o indivíduo, mas o indivíduo passa, enquanto o patrimônio fica, e na Idade Média tendia-se para residir.

Se existe uma palavra significativa na terminologia medieval, essa palavra é mansão senhorial (manere, o lugar onde se está), o ponto de ligação da linhagem, o teto que abriga os seus membros passados e presentes, e que permite às gerações sucederem-se pacificamente.

Bem característico também é o emprego dessa unidade agrária que se denomina manse — extensão de terra suficiente para que uma família possa nela fixar-se e viver.

Variava naturalmente com as regiões: um cantinho de terra na gorda Normandia ou na rica Gasconha traz mais ao cultivador que vastas extensões na Bretanha ou no Forez.

A manse tem pois uma extensão muito variável conforme o clima, as qualidades do solo e as condições de existência. É uma medida empírica e — característica essencial — de base familiar, não individual, resumindo por si só a característica mais saliente da sociedade medieval.

Assegurar à família uma base fixa e ligá-la ao solo de qualquer forma, para que aí tome raízes, dê fruto e se perpetue, tal é a finalidade dos nossos antepassados.

Pode-se traficar com as riquezas móveis e dispô-las por testamento, porque por essência são mutáveis e pouco estáveis. Pelas razões inversas, os bens fundiários [propriedades rústicas ligadas à terra, à agricultura, são a base da economia medieval] são propriedade familiar, inalienáveis e impenhoráveis.

O homem não é senão o guardião temporário, o usufrutuário. O verdadeiro proprietário é a linhagem.

Uma série de costumes medievais decorrem dessa preocupação de salvaguardar o patrimônio de família. Assim, em caso de falta de herdeiro direto os bens de origem paterna voltam para a família do pai, e os de origem materna para a da mãe, enquanto no direito romano só se reconhecia o parentesco por via masculina.

É o que se chama direito de retorno, que desempata de acordo com a sua origem os bens de uma família extinta.

Do mesmo modo, o asilo de linhagem dá aos parentes mesmo afastados o direito de preferência, quando por uma razão ou por outra um domínio é vendido.

A maneira como é regulada a tutela de uma criança que ficou órfã apresenta também um tipo de legislação familiar. A tutela é exercida pelo conjunto da família, e torna-se naturalmente tutor aquele cujo grau de parentesco designa para administrar os bens.

O nosso conselho de família é apenas um resíduo do costume medieval que regulava o arrendamento dos feudos e a guarda das crianças.

Na Idade Média se tem viva a preocupação de respeitar o curso natural das coisas, de não criar prejuízos quanto aos bens familiares, tanto que, no caso em que morram sem herdeiro aqueles que detêm determinados bens, o seu domínio não pode voltar para os ascendentes.

Procuram-se os descendentes mesmo afastados, primos ou parentes, evitando voltar esses bens para os que tiveram antes a sua posse: “Bens próprios não voltam para trás”.

Tudo isso pelo desejo de seguir a ordem normal da vida, que se transmite do mais velho para o mais novo e não volta para trás: os rios não voltam à nascente, do mesmo modo os elementos da vida devem alimentar aquilo que representa a juventude, o futuro.

Esta é mais uma garantia para o patrimônio da linhagem, que se transfere necessariamente para seres jovens, portanto mais ativos e capazes de o fazer valer mais longamente.

Por vezes, a transmissão dos bens faz-se de uma forma muito reveladora do sentimento familiar, que é a grande força da Idade Média.

A família (aqueles que vivem de um mesmo “pão e pote”) constitui uma verdadeira personalidade moral e jurídica, possuindo em comum os bens cujo administrador é o pai.

Pela sua morte, a comunidade reconstitui-se com a orientação de um dos filhos, designado portanto pelo sangue, sem que tenha havido interrupção da posse dos bens nem transmissão de qualquer espécie.

É aquilo a que se chama a comunidade silenciosa, de que faz parte qualquer membro da casa de família que não tenha sido expressamente posto “fora do pão e pote”.

O costume subsistiu até ao fim do Antigo Regime, e podem-se citar famílias francesas que durante séculos nunca pagaram o mínimo direito de sucessão. Em 1840, o jurista Dupin assinalava nessa situação a família Jault, que não o pagava desde o século XIV.

Em todos os casos, mesmo fora da comunidade silenciosa, a família, considerada no seu prolongamento através das gerações, permanece o verdadeiro proprietário dos bens patrimoniais.

O pai de família que recebeu esses bens dos antepassados deve dar conta deles aos seus descendentes. Seja servo ou senhor, nunca é o dono absoluto.

Reconhece-se a ele o direito de usar, não o de consumir, e tem além disso o dever de defender, proteger e melhorar a sorte de todos os seres e coisas dos quais foi constituído o guardião natural.


(Fonte: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)




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segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Progresso e desenvolvimento das cidades na Idade Média

Construção de uma cidade medieval
Construção de uma cidade medieval
Luis Dufaur
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A história da evolução de uma cidade na Idade Média é um dos espetáculos mais cativantes.

Cidades mediterrâneas, como Marseille, Arles, Avignon ou Montpellier, rivalizando pela sua audácia com as grandes cidades italianas no comércio de aquém-mar; centros de tráfico, como Laon, Provius, Troyes ou Le Mans; núcleos de indústria têxtil, como Cambrai, Noyon ou Valenciennes; todas demonstraram um ardor, uma vitalidade sem igual.

Obtiveram, além do mais, a simpatia da realeza.

Já que as cidades libertas entravam na enfiteuse real, não procuravam elas por este fato, em seu desejo de emancipação, a dupla vantagem de enfraquecer o poder dos senhores feudais e aumentar com isso inesperadamente o domínio real?

Muitas vezes a violência é necessária, e surgem movimentos populares como em Laon e Le Mans.

Mas, frequentemente as cidades se libertam por meio de trocas, por tratados sucessivos ou simplesmente a preço de dinheiro.

Aí ainda, como em todos os detalhes da sociedade medieval, a diversidade triunfa, pois a independência pode não ser inteira.

Tal parte da cidade ou tal direito particular permanecem sob a autoridade do senhor feudal, enquanto o resto volta para a comuna.

Mapamundi com cidades medievais
Mapamundi com cidades medievais
Um exemplo típico é o de Marselha.

O porto e o bairro baixo, que eram repartidos entre os viscondes, foram adquiridos pelos burgueses, quarteirão por quarteirão, e tornaram-se independentes, enquanto que o bairro alto permanecia sob o domínio do bispo e do capítulo, e só uma parte da baía, em frente do porto, ficou propriedade da abadia de São Vítor.

Em todo caso, o que é comum a todas as cidades é a diligência com que procuram fazer confirmar essas preciosas liberdades que adquiriam, e sua pressa em se organizar, escrever seus costumes, regular suas instituições a respeito das necessidades que lhes eram peculiares.

Seus usos diferiam conforme a especialidade de cada uma delas: tecelagem, comércio, metalurgia, aproveitamento do couro, estaleiros e outras.



(Fonte: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge” - Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)



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segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Paternalismo protetor nas relações de trabalho na Idade Média

Controle de qualidade nas guildas, ou corporações
Controle de qualidade nas guildas, ou corporações
Luis Dufaur
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Eis o que diz o Papa Leão XIII no que toca aos trabalhadores da indústria e do comércio a respeito do paternalismo nas relações de trabalho na Idade Média:

"Os nossos antepassados experimentaram por muito tempo a benéfica influência destas associações (as corporações operárias).

"Ao mesmo tempo que os artesãos encontravam nelas inapreciáveis vantagens, as artes receberam delas novo lustre e nova vida, como o proclama grande quantidade de monumentos.

"Sendo hoje mais cultas as gerações, mais polidos os costumes, mais numerosas as exigências da vida quotidiana, é fora de dúvida que não se podia deixar de adaptar as associações a estas novas condições.

"Assim, com prazer vemos Nós irem-se formando por toda parte sociedades deste gênero, quer compostas só de operários, quer mistas, reunindo ao mesmo tempo operários e patrões: é para desejar que ampliem a sua ação.

Tintureiros na Idade Média
"Conquanto Nos tenhamos ocupado delas mais de uma vez, queremos expor aqui a sua oportunidade e o seu direito de existir, e indicar como devem organizar-se e qual deve ser o seu programa de ação"

(Encíclica "Rerum Novarum").

Como se vê, o grande Pontífice considerava deverem as corporações medievais permanecer até nossos dias, feitas embora as necessárias modificações.

Sentimo-nos muito melhor na companhia do grande Papa no elogio a esses organismos medievais, garantia dos direitos dos patrões e dos empregados, do que na sequela dos advogados neo-escravagistas do estatismo contemporâneo.



(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, setembro de 1965


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segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Entre empregador e empregado relações de pai e filho

Patroa e criados na colheita: relacionamento de alma
Patroa e criados na colheita: relacionamento de alma
Luis Dufaur
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Na sociedade medieval os relacionamentos humanos não eram tanto baseados nos contratos de serviço, mas nos contratos pessoais em que um homem se dá inteiro e recebe uma proteção total.

Hoje, os contratos entre patrão e empregado, ou entre patrão e patrão, empregado e empregado, são contratos trabalhistas, contratos de compra, venda, empréstimo, etc., e locação de serviços.

Esse tipo de contratos está restringido aos interesses e vantagens particulares legítimos.

Porém, não se pode dizer que atendem a todos os desejos de relacionamento que existem no homem.

Trata-se de contratos legais onde o relacionamento de alma é secundário ou está ausente. Esta ausência deixa um vazio no espírito.

A sociedade medieval apanhou perfeitamente essa ausência na locação de serviços entre empregador e empregado.

Aliás, as palavras empregador e empregado são muito boas para o mundo do metal e do dinheiro.

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Na decadência, a família medieval ainda faiscou maravilhas

Recepção nas bodas de prata de George Washington, Jean Leon Gerome Ferris (1863 – 1930)
Recepção nas bodas de prata de George Washington, Jean Leon Gerome Ferris (1863 – 1930)
Luis Dufaur
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O período pós-medieval conhecido como Ancien Régime (Antigo Regime) e que vai desde o fim da Idade Média até a Revolução Francesa (aprox. de 1453 até 1789) merece magníficos elogios.

Mas isso não quer dizer absolutamente que tenha sido um regime ideal.

Ele se situa numa época em que a sociedade foi lentamente resvalando para o abismo da Revolução Francesa.

Tendo a sociedade medieval abandonado seu ideal primitivo, entrou numa rampa histórica.

E quando se acompanha detidamente este movimento descendente, vê-se até que seu resvalar não foi tão lento.

O Ancien Régime é uma era na qual se apontam muitas coisas boas, mas que não lhe são próprias, pois são aspectos medievais que ainda lhe restam.

Por outro lado, tem inúmeros pontos maus, aspectos já do Estado moderno que vai surgindo.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

As famílias na justiça de Deus

Levando o Santissimo Sacramento para os doentes. Ferdinand Georg Waldmüller (1793 - 1865)
Levando o Santíssimo Sacramento para os doentes. Ferdinand Georg Waldmüller (1793 - 1865)
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: A tradição familiar, as estirpes e o governo do Estado




Os homens, sendo eternos, serão julgados na vida eterna; mas as nações, não o sendo, receberão prêmio ou castigo nesta Terra.

O mesmo se dá com as famílias: como tais, não se salvam nem se perdem; têm a recompensa de suas qualidades ou a punição de seus defeitos nesta Terra mesmo.

Certas famílias terão até seu anjo da guarda próprio.

Este o mistério de que nos fala muitas vezes a Escritura: famílias que são chamadas a uma certa missão, recusam, e saem do cenário histórico; outras, que correspondem à graça, começam a florescer, e Deus faz nascer delas homens inteligentes, capazes, ilustres.

Não quer isto dizer que cada família que empobreça o seja por punição; mas, de um modo geral, pode-se dizer que a ascensão ou decadência das famílias está relacionada com o uso que tenham feito das graças divinas.

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

A tradição familiar, as estirpes e o governo do Estado

Festa de aniversário, William Powell Frith (1819 – 1909), Mercer Art Gallery, Harrogate Museums and Arts
Festa de aniversário, William Powell Frith (1819 – 1909), Mercer Art Gallery, Harrogate Museums and Arts
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Por que os filhos parecem com os pais As forças misteriosas da hereditariedade




Três elementos – a hereditariedade de corpo, de alma e o ambiente moral – completados com outros, como a expressão da mentalidade da família no modo de ser cortês, no modo de conversar, de decorar a casa, de cozinhar, de tratar os negócios, no modo até de conceber as relações afetivas, o casamento, o noivado, etc, todo este conjunto constitui a tradição que uma família transmite.

Se estas forças podem ser extraídas, desenvolvidas e firmadas pela família, a família deve produzir esta tradição.

Chamamos estirpe uma família que assim produz uma tradição: um tipo físico muito continuado, um tipo de constituição psíquica e nervosa muito definida, um tipo de virtudes, e às vezes também de defeitos muito definidos, um sistema de vida, um estilo de existência, tudo muito definido.

Estirpe é uma família que carreia consigo uma grande densidade de tradição, sob todos estes aspectos, e que constitui um todo homogêneo e igual a si mesmo, através de vários séculos.

Os homens passam, a estirpe é sempre a mesma; como um rio, em que a água passa, mas ele é sempre o mesmo.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Por que os filhos parecem com os pais
As forças misteriosas da hereditariedade

No ambiente familiar se transmite um espírfito único de geração em geração, Hugo Engl (1852 - 1926). Wikimedia Commons
No ambiente familiar se transmite um espírito único de geração em geração,
Hugo Engl (1852 - 1926). Wikimedia Commons
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: No feudalismo os povos florescem e saem do caos



Num discurso à nobreza romana, Pio XII fala das forças misteriosas da hereditariedade.

São misteriosas, de fato, pois que até hoje os biologistas não conseguiram definir satisfatoriamente as regras que presidem a hereditariedade.

Mas ela é um fato, e muito importante, constatado sob mil aspectos diversos.

Cada homem traz dentro de si várias hereditariedades.

Somos a resultante biológica de um sem número de correntes de vida, que vieram ter em nós o seu ponto de encontro.

Assim como numa lagoa existem águas de diversos rios que nela desembocam, assim existem em nós essas hereditariedades.

Somos recipientes em que várias correntes do passado se fundem.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

No feudalismo as famílias florescem e saem do caos

Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: As estirpes ordenaram os homens que fugiam do caos



Eis a verdadeira história do feudalismo.

Funck-Brentano tem razão ao demonstrar que o feudalismo nasceu dos fatos tratados nos post anteriores. Cfr. A família organizou a vida social e os países ; As estirpes ordenaram os homens que fugiam do caos

Mas há uma série de outros que ele não cita, e que o prepararam.

Vejamos contudo, sumariamente, alguns deles.

Entre os sucessores de Carlos Magno, ficou assentado que os cargos seriam vitalícios e hereditários; isto era já um princípio de feudalismo.

Mesmo no tempo de Carlos Magno ele já nomeava condes, que eram os grandes proprietários de determinada região.

Vê-se que ele já tinha o intuito de apoiar a administração central sobre os valores locais autênticos.

segunda-feira, 12 de julho de 2021

As estirpes ordenaram os homens que fugiam do caos

Conceito medieval da família: a árvore genealógica e a continuidade familiar
A estirpe familiar dá continuidade ao espírito dos primeiros pais ao longo de gerações.
A árvore genealógica registra essa continuidade familiar
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Continuação do post anterior: A família organizou a vida social e os países



A teoria de Funck-Brentano sobre a origem do Estado francês não é muito clara porque carece de um elemento que trataremos agora.

Pois a Inglaterra, ao tempo em que o feudalismo nascia por esta forma, era invadida pelos normandos, e já antes destes pelos anglo-saxões.

Lá encontraram uma população de celtas, que tinham o nome de bretões, donde provém a Bretanha de nossos dias.

Os celtas, que eram cristãos, foram derrotados e sumariamente expulsos pelos invasores, os quais converteram-se e deram origem à Irlanda e ao País de Gales, onde até hoje fala-se um resquício da língua céltica.

As tribos celtas, esmagadas, recuaram diante dos agressores e fixaram-se durante algum tempo na Escócia.

quinta-feira, 1 de julho de 2021

A família organizou a vida social e os países

Fugindo dos bárbaros no caos do fim do Império Romano, os restos de civilização se reuniram em torno de empalizadas. A família era a alma da resistência
Fugindo dos bárbaros no caos do fim do Império Romano,
os restos de civilização se reuniram em torno de paliçadas.
A família era a alma da resistência
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: A família nas origens da civilização



No início da Idade Média, os homens mais civilizados, horrorizados com a invasão dos bárbaros, começaram a galgar os montes e montanhas, fixando-se nos pontos menos acessíveis.

De tal modo que os normandos passando pelas vias fluviais não tivessem vontade de atingi-los.

Começaram, por outro lado, a fixar culturas e a construir casas por detrás dos pântanos, nos lugares chamados marécage, zonas pantanosas atrás das quais há regiões férteis.