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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Com cantam o Natal povos e cidades católicas em todos os continentes

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








É a noite de Natal. A Missa de Galo vai começar. Na igrejinha toda coberta de neve, iluminada e bem aquecida, todos entram de depressa.

Ao longe ficaram as casinhas da aldeia, a fumaça sobe das chaminés, a lareira está acesa, as suculentas, deliciosas e apetitosas iguarias da culinária alemã já estão no forno...

É a festa de Natal que segue à festa litúrgica.

O coro canta “Stille Nacht, heilige Nacht” (“Noite Feliz”) (a música está no vídeo embaixo).

“Noite tranqüila, noite silenciosa, noite santa.

“Tudo dorme, só está acordado o nobre e santíssimo Casal!

“O nobilíssimo menino de cabelos cacheados dorme em celestial tranqüilidade.”

A canção manifesta submissão de espírito, reverência e compaixão. Mas também alta cogitação.

Foi num ambiente desses que o povo da bravura e da proeza militar compôs essa canção de Natal universal: o “Stille Nacht, heilige Nacht” (“Noite Feliz”).

Uma outra canção natalina alemã conta que os dois iam juntos: Nossa Senhora, a flor de delicadeza, e o Menino, o tesouro do Universo!

E atravessaram um bosque de espinhos que havia sete anos que não florescia.

Veja vídeo
Vídeo: Noite Feliz: as almas
das canções de Natal perfeitas
Nossa Senhora sozinha, trazia o Menino Jesus amparado junto a seu coração.

Mas, enquanto Nossa Senhora atravessava o bosque, os espinhos transformavam-se em rosas perfumadas para Ela.

E Ela compreendeu: foi um gesto de amabilidade de seu Filho!

Comprazida, Ela olhou maternalmente para o Divino Infante.

Ele estava dormindo, mas governava a natureza!

Eis o paradoxo do povo germânico que concebeu uma canção assim doce.

Esse é o  povo dos grandes exércitos impecavelmente ordenados, dos couraceiros com capacetes encimados por águias.

Mas, na hora da ternura sabe cantar afetuosamente o Natal como nenhum outro.

Por quê?

Porque na hora de fazer a canção estava penetrado do espírito da Igreja.

Então, não perdeu suas virtudes guerreiras mas as aperfeiçoou com a doçura católica!



Vídeo: Como cantam Natal as almas no mundo unidas à Igreja




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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

O Pálio de Siena, glória da cidade medieval na Civilização Cristã (5)

Palio de Siena, corrida, a cidad medieval.

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Continuação do post anterior: O Pálio de Siena, onde o passado glorioso da Civilização Cristã entra no presente (4)




O prêmio pertence ao santo patrono

No pátio do Palácio Público surgem os dez cavalos com os seus jóqueis, e são vagarosamente conduzidos ao ponto de partida, onde se colocam em ordem pré-estabelecida por sorteio, e esperam.

O juiz dá um sinal, cai a corda que os retém, da multidão irrompe um clamor imenso, os cavalos disparam.

Palio de Siena, corrida, a cidad medieval.
Uma volta, duas voltas, três voltas na praça, em que eles se atropelam, se perseguem, dobram os ângulos da pista, descem desabaladamente a pequena rampa, surgem fogosos na curva.

Tudo se passa em segundos, entre o delírio ensurdecedor da multidão, até a passagem final pela meta, que consagra o vencedor.

Neste momento a pista é invadida de todos os lados, e os membros da contrada vencedora correm para junto da plataforma dos juízes a fim de receber o pálio.

Imediatamente levam-no à igreja de Provenzano ou à catedral, para agradecer a Nossa Senhora a vitória tão sonhada. Um solene Te Deum é celebrado.

Em triunfo eles seguem depois para o oratório da contrada, cujos sinos repicam festivamente; ali rendem graças ao santo patrono e depositam o prêmio que conquistaram.

Pela noite a dentro a vitória é comemorada alegremente.

Na manhã seguinte apresentam-se novamente, com os trajes tradicionais, para homenagear as autoridades da cidade e os protetores da contrada.

Um soneto, composto para exaltar a vitória, é distribuído ao povo.

Palio di Siena, a cidade medieval. Um mês depois, um grande banquete é oferecido nas ruas da contrada vencedora, decoradas com flores e tapeçarias, com as bandeiras tremulando.

O jóquei senta-se à mesa principal, e perto dele fica o cavalo, todo engalanado, diante de uma mangedoura com a mais suculenta alfafa.

Testemunho vivo da civilização cristã

Quem tiver tido a felicidade de assistir ao Pálio de Siena não terá visto apenas uma das mais belas e interessantes manifestações populares do mundo e uma das mais perfeitas reconstituições históricas que hoje em dia se realizam.

Terá sobretudo tido a ocasião única de ver e sentir, viva e palpitante, a beleza e o esplendor da Idade Média.

Nesta "era feliz, em que a Igreja presidia pacificamente os destinos dos povos", como disse Leão XIII, o espírito católico vivificava todos os costumes e modos de ser da Cristandade, imprimindo-lhes a alegria, o encanto e a harmonia próprios da existência conforme a lei de Deus.

O tufão revolucionário que desde a Renascença e pseudo-reforma protestante varre o mundo, destruindo o doce jugo de Nosso Senhor, tem tornado a vida cada vez mais intemperante, voluptuosa, triste, feia, e sempre insatisfeita.

A visão concreta da luminosa beleza medieval desperta uma nostalgia profunda de uma época em que a existência era digna, suave e toda impregnada de sublimidade.

Palio di Siena, a cidade medieval

O Pálio de Siena é um testemunho ainda vivo da civilização cristã, num mundo que apostatou da Santa Igreja de Deus.

É uma afirmação de todas as potencialidades culturais que essa mesma Igreja contém, e que poderão dar novos aspectos e novo lustre a uma civilização cristã do futuro, desde que a humanidade se converta de seus erros atuais, queimando o que adorava e adorando o que queimava.

Fim

(Fonte: "Catolicismo" - nº 45, setembro de 1954)


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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

O Pálio de Siena, onde o passado glorioso da Civilização Cristã entra no presente (4)

Palio di Siena, a cidade medieval

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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diversos blogs




Continuação do post anterior: O Pálio de Siena, relíquia palpitante de vida da Civilização Cristã (3)



 Uma cidade revive seu passado

O cortejo histórico do Pálio de Siena é mais do que uma simples reconstituição arqueológica.

É a revivescência da tradição de uma cidade, pela qual um povo toma consciência de si mesmo, de seu passado, de seus valores, de sua personalidade e de seus traços característicos.

No brilho e no pitoresco dos trajes medievais, com seu talhe esbelto, com a variedade de seus adornos, capacetes, couraças, plumas, emblemas, se refletem as glórias antigas da cidade.

Mas se espelha sobretudo a alma de um povo, com seu talento artístico, sua vivacidade, sua riqueza de expressão, suas virtudes.

Nada a ver com os espetáculos de massa das cidades hodiernas. É isto, mais que tudo, que explica o entusiasmo em meio do qual o desfile decorre.

Na frente surge o gonfaloneiro de Siena, a cavalo, acompanhado de seu escudeiro, rodeado por quatro capitães e precedido por seis maceiros ou mestres de armas.

Palio di Siena, a cidade medieval
Ele comanda a fanfarra da cidade — doze outros músicos, que tocam uma marcha brilhante e festiva — e 36 pajens com as bandeiras dos burgos e castelos que pertenciam outrora à República.

Segue-se um segundo grupo: o comandante das tropas de Siena, "Capitano del Popolo", com seu escudeiro e um pajem que carrega sua espada e seu escudo.

Atrás dele três centuriões com os estandartes dos "terzi" — os distritos urbanos da cidade — e outros três levando os das "masse", distritos rurais anexos a ela.

Entram as contradas que vão concorrer.

O espetáculo apresenta então suas notas mais pitorescas e encantadoras.

Cada contrada é representada por um tambor e dois "alfieri" (ou balizas) com bandeiras; pelo capitão, seus pajens e homens de armas; o jóquei num animal de parada, com seu valete; e o treinador conduzindo a pé o cavalo que disputará a corrida.

Palio di Siena, a cidade medieval
Todos, como dissemos, com trajes medievais, predominando em cada contrada as cores da respectiva bandeira, numa profusão infinita de matizes e combinações.

De espaço em espaço as contradas param.

O capitão saúda a multidão com sua espada, e cada alfiere começa a executar com sua grande bandeira a encantadora "sbandierata": manobrando-a com graça e leveza, gira-a por trás do pescoço, passa-a por entre as pernas, recolhe-a sobre os ombros, passa-a pelas costas e arrasta-a pelo chão, levando-a novamente ao pescoço.

Palio di Siena, a cidade medieval
E assim por diante, numa variedade sem fim de gestos e passes, mantendo a bandeira sempre inteiramente desfraldada.

Até que por fim, envolvendo-as no cabo, a um só tempo os dois comparsas da contrada atiram suas bandeiras oito, nove, dez metros para o alto, elas se cruzam no ar, e eles as apanham, cada um a do outro, antes que caiam no chão.

Após doze pajens levando grinaldas de louros, seguem-se as sete contradas que não correrão dessa vez.

Surgem depois o Magistrado da Cidade, a cavalo, e os arautos das antigas corporações: tecelões de seda, tecelões de lã, joalheiros, pintores, ourives, boticários, ferreiros.

Palio di Siena, a cidade medievalAtrás deles o Capitão de Justiça e seis cavaleiros com viseira abaixada, representando estes as contradas supressas.

Entra por fim na praça o carro triunfal, o "Carroccio", cópia daquele que os sienenses capturaram aos florentinos na batalha de Monteaperti, em 1216.

Puxado por quatro bois brancos, conduz o ambicionado pálio, que será dado como prêmio ao vencedor, e a bandeira branca e preta de Siena.

Palio di Siena, carroccio, a cidade medievalDentro dele quatro Magistrados da cidade e quatro trombetas; ao redor, sete cavaleiros que montam guarda; atrás, dezoito maceiros e uma multidão de soldados.

Palio di Siena, autoridades, a cidade medievalDiante do Palácio Público o cortejo pára. Todos os participantes ocupam a tribuna que lhes é reservada, e o pálio é levado à presença dos juízes, enquanto os alfieri, todos juntos, executam a última sbandierata.

A visão das 34 bandeiras coloridas esvoaçando simultaneamente é a coroa do cortejo e arranca aplausos incessantes da multidão.

Neste instante o sino da torre Mangia silencia: a corrida está prestes a começar.



Continua no próximo post: O Pálio de Siena, glória da cidade medieval na Civilização Cristã (5)


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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

O Pálio de Siena, relíquia palpitante de vida da Civilização Cristã (3)

Palio di Siena, a cidade medieval

Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: O Pálio de Siena, relíquia palpitante de vida da Civilização Cristã (2)


Entre a "prova generale" e a "provaccia", um banquete

Nos dias que antecedem a corrida, a cidade toda se agita com os preparativos.

A municipalidade anuncia em termos solenes a sua próxima realização, as contradas se aprestam, as casas são enfeitadas, preparam-se as vestes para o desfile, ninguém comenta outra coisa senão o Pálio: Siena vai viver seu grande dia.

A corrida tem regras muito peculiares, a começar pelo sorteio dos cavalos entre as contradas.

Os capitães escolhem os dez melhores entre os animais que podem concorrer, e cada um destes recebe um número, colocado sob a sua orelha direita; uma criança, retirando de uma urna um número e de outra um nome, decide a qual contrada será entregue cada cavalo.

Palio di Siena, cavalo, a cidade medieval
Aconteça o que acontecer, a escolha pela sorte não pode ser mudada.

Em duas ocasiões sucedeu de um cavalo morrer durante os treinos: os representantes da contrada infeliz desfilaram na festa com uma tarja na bandeira e uma capa preta nos tambores silenciosos.

As montarias são levadas para as respectivas contradas, onde são tratadas e vigiadas com grande cuidado. O capitão sorteia o jóquei, que poderá, conforme sua atuação, tornar-se famoso ou execrado.

Começa então uma série de treinos, para habituar os cavalos com a saída e com os perigos do percurso.

Na tarde da véspera todos correm, já vestidos com seus uniformes, a "prova generale", após a qual participam de um grande banquete. E na manhã do grande dia há um último treino, a "provaccia".

Enquanto isto são instaladas na praça as tribunas de honra, as arquibancadas, uma plataforma para os juízes, outra para os priores das contradas, e cercas ao longo da pista, que é recoberta com terra.

Palio di Siena, a cidade medievalO pároco abençoa o jóquei e o cavalo

O dia da corrida amanhece em meio à animação e alegria gerais.

Por todos os meios de transporte chegam continuamente ondas de gente, habitantes das cidades vizinhas, turistas de todo o mundo.

Na catedral é celebrada Missa em louvor de Nossa Senhora; a imagem da Madonna delle Grazie é exposta à multidão dos fiéis.

As ruas estão todas enfeitadas, dos balcões das casas pendem ricos tapetes.

Em três praças importantes são hasteadas as bandeiras dos três "terzi" em que se divide a cidade, correspondentes aos castelos primitivos.

Cada contrada tem seu próprio oratório, onde antes do desfile o jóquei vai rezar e beijar uma relíquia.

Ele, e também o cavalo, recebem uma bênção do pároco, após a qual dirigem-se, como todo o séquito que logo as acompanhará no desfile, ao Palácio do Arcebispo, a fim de prestar-lhe homenagem.

Entrementes, a praça se enche de espectadores — sua capacidade é calculada em 50 mil pessoas.

As arquibancadas, o canteiro central, as janelas das casas, telhados, postes, tudo regurgita de gente.

A expectativa é intensa, quando o grande sino da torre Mangia começa a badalar vagarosa e sonoramente, anunciando o desfile que precede a corrida, o "cortejo histórico", durante o qual ele se fará ouvir sem cessar.

Espocam morteiros, surge a guarda dos "carabinieri", que dão a volta da pista, a cavalo, sob os aplausos da multidão. Pela segunda vez os morteiros troam; é o sinal de que começou o desfile.



Continua no próximo post: O Pálio de Siena, onde o passado glorioso da Civilização Cristã entra no presente (4)


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