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segunda-feira, 10 de junho de 2019

A festa de Corpus Christi: modelo de festividade religiosa na cidade medieval

O corporal com as gotas do divino Sangue do milagre de Bolsena na saída da basílica de Orvieto
O corporal com as gotas do divino Sangue do milagre de Bolsena na saída da basílica de Orvieto
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Neste ano 2019 a festa de Corpus Christi se comemora o dia 20 de junho.



A festa de Corpus Christi é dedicada a honrar e adorar o Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus Cristo realmente presente na Eucaristia, sob as aparências do pão e do vinho.

Corpus Christi é a manifestação pública da fé no dogma da Presença Real na Hóstia consagrada. Daí as belas procissões realizadas no mundo inteiro.

No Brasil, de norte a sul, cidades enfeitam suas ruas com encantadores “tapetes” de flores para glorificar o Deus humanado.

A festa de Corpus Christi foi inspirada a uma religiosa agostiniana, Santa Juliana de Cornillon (1193–1258), a quem Deus revelou a conveniência para a Igreja dessa celebração.

Santa Juliana foi superiora da abadia de Mont-Cornillon de Liège (Bélgica), fundada em 1124.

A partir dela surgiu um movimento eucarístico que incentivou várias práticas de adoração à Hóstia Consagrada, como a Exposição e a Bênção do Santíssimo Sacramento.

Deus pediu a Santa Juliana, abadessa de Mont-Cornillon,
a celebração da festa do Corpus Christi
Em 1246, Santa Juliana pediu ao bispo de Liège, Dom Roberto de Thorote, a instituição da festa de ação de graças pela presença real, em Corpo e Alma, de Nosso Senhor na Eucaristia.

O Bispo concordou com a celebração na diocese, mas não chegou a ver cumprida a solenidade, pois falecera no mesmo ano.

Em 1250 o Cardeal Cher, também de Liège, instituiu em toda a diocese a nova festividade com o nome de “Fête-Dieu”.

A primeira vez foi realizada no interior da igreja de Saint-Martin, num cerimonial dirigido pelo próprio Cardeal.

Entretanto a primeira procissão de Corpus Christi realizada publicamente, ocorreu em 1264 — há mais de 750 anos — nas ruas da cidade de Orvieto na Itália.

Ela vem sendo realizada todos os anos e certamente constitui a mais bela manifestação pública em honra do Santíssimo Sacramento, embora muitas outras, como a de Toledo, possam ser mencionadas pelo seu brilho e piedade.

Em 11 de agosto de 1264, o Papa Urbano IV estendeu a todo o Orbe católico a Festa de Corpus Christi.

Ele ordenou com a bula Transiturus de hoc mundo que fosse celebrada publicamente e de modo solene pelas ruas e praças.

A data foi fixada para a quinta-feira após o dia da Santíssima Trindade.

Ela é rezada em memória da primeira Missa celebrada por Nosso Senhor, na Última Ceia com os Apóstolos, na Quinta-Feira Santa, quando instituiu o incomparável Sacramento da Eucaristia.

O que determinou decisivamente o Papa para atender os pedidos que se originaram em Santa Juliana na Bélgica?

Um milagre. Mas na Itália e com um sacerdote checo!

Santo Tomás de Aquino compôs os hinos do oficio de Corpus Christi.
Bandeira bordada, Santa Rosa, Springfield, EUA.
Ele aconteceu em Bolsena, na província de Viterbo, diocese de Orvieto, em 1264.

O Padre Peter, oriundo de Praga, empreendeu uma viagem desde a Boêmia, sua região natal, até Roma.

Ele desejava revigorar sua fé na Cidade Eterna, pedir ao Papa alguns esclarecimentos e expor-lhe dúvidas a respeito da doutrina da transubstanciação, a mudança da substância do pão e do vinho em Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, permanecendo, contudo, as aparências do pão e do vinho.

Chegando à cidade de Bolsena, o sacerdote celebrou a Missa na igreja de Santa Cristina.

Foi essa a última vez que o atormentaram as dúvidas de fé sobre a presença Real de Jesus na Santíssima Eucaristia!

No momento da Consagração, na Sagrada Hóstia ocorreu uma transbordante efusão do preciosíssimo Sangue.

Gotas se verteram sobre o corporal (tecido de linho branco que fica debaixo do Cálice), tingindo-o de sangue.

Assustado com aquele inexplicável acontecimento, o sacerdote dubitativo procurou esconder o sagrado corporal, pois julgava que isso ocorrera em castigo devido às suas dúvidas de fé.

Mas o sangue transpôs o linho e quatro gotas caíram sobre os degraus do altar, deixando impressos no mármore sinais evidentes do adorável Sangue.

Não podendo mais ocultar o milagre, foi à procura do Papa Urbano IV que se encontrava em Orvieto, cidade bem próxima de Bolsena.

Ele narrou o acontecido e o Papa fez trazer à sua presença aquele corporal e ordenou uma apuração meticulosa, que resultou na comprovação inequívoca do milagre.

Essa é a origem da edificação da Catedral de Orvieto: a guarda e veneração do sacrossanto Corporal, venerado hoje por muitas peregrinos do mundo inteiro.

O corporal do milagre de Bolsena na procissão de Corpus Christi em Orvieto.
O corporal do milagre de Bolsena na procissão de Corpus Christi em Orvieto.
O mármore sobre o qual pingaram gotas do preciosíssimo Sangue, conserva-se até hoje na Igreja de Santa Cristina de Bolsena, para prodigiosa comprovação da presença Real de Nosso Senhor Jesus Cristo na Hóstia consagrada.

Naquelas circunstâncias, o próprio Papa Urbano IV pediu a Santo Tomás de Aquino compor cânticos para se festejar com maior esplendor o dia de Corpus Christi.

O Doutor Angélico então compôs cinco hinos em louvor ao Santíssimo Sacramento — o “Lauda Sion”, “Adoro Te Devote”, “Pange Lingua”, “Sacris Sollemnis” e “Verbum Supernum”.

Conta-se que para a criação dos hinos, o Papa também apelou ao grande São Boaventura que estava presente na cidade.

Mas quando o Romano Pontífice fez leitura em voz alta do ofício composto por Santo Tomás, São Boaventura, despretensiosamente, foi rasgando a sua composição enquanto lia o célebre e belíssimo hino “Lauda Sion” (Louva Sião).





Vídeo: Corpus Christi: procissão em Granada






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segunda-feira, 27 de maio de 2019

Pontes com beleza na cidade medieval

A Ponte dos suspiros, assim chamada porque os réus ali dariam seu último adeus
A Ponte dos suspiros, assim chamada porque os réus ali dariam seu último adeus
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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A Ponte dos Suspiros, em Veneza. Quem não a conhece? Reúne dois corredores de palácios.

Tão simples! Tão pequena! É insignificante como obra de engenharia em comparação com qualquer dos nossos minhocões.

Os senhores acham que algum desses minhocões vai passar para a história?

A Ponte dos Suspiros é uma amostra da natureza espiritual da alma humana. Embora tal vez não seja verdade que os condenados à morte passavam por essa ponte, a ideia de que uma ponte chamada dos Suspiros!

Como é nobre suspirar numa ponte, olhando para a água! Como isso é belo! Que bom lugar para suspirar!

E quanta dignificação entra a alma humana escolher um lugar adequado para o ponto onde ela suspira!

Quem não ouviu falar da Ponte dos Suspiros? Quem não a admira?

Os senhores em São Paulo comparem o Viaduto do Chá com o Viaduto Santo Ifigênia. Todo mundo gosta mais do Viaduto do Chá.

O Viaduto do Chá é uma rua Barão de Itapetininga que se prolonga em dois parapeitos sem graça, onde a única singularidade que há é uma espécie de batatões de cimento.

Comparem com o Viaduto de Santa Ifigênia, mais estreito, menos escancarado.

Mas olhem as grades do viaduto: todas ornadas, todas floridas; olhem os metais que estão em baixo: todos ligeiros, nada fala de massa pesada, agressiva.

Com frequência a ponte se reflete nos rios que passam sob ela.

Pode-se dizer que a alegria do rio é passar sob a ponte, recolher a sua imagem e depois levá-la muito além.

E que quando um rio passa por debaixo de uma bela ponte, um capítulo de sua história foi feito. Ele passou pela ponte tal.

Ponte Sant'Angelo sobre o Tibre, Roma, em direção ao castelo do Santo Anjo Miguel
Se os senhores, por exemplo, soubessem agora que o Tietê passou por debaixo da ponte do Castelo de Santo Ângelo, não é verdade que os senhores paravam o automóvel para olhar para o Tietê?

Por que? Porque ele trouxe algo dessa figura.

Mas como é verdade o contrário!

Imaginem uma ponte a cujos pés tenha secado a água; a cujos pés a água tenha deixado de correr por uma razão qualquer, por exemplo, uma obra prosaica que obrigou o desvio das águas.

Os srs. imaginem a solidão da ponte vendo seus fundamentos secos, e nada do que acontece junto a ela.

A sua imagem não se reflete, não tem brilho, está seca, esturricada no ar.

De repente, abrem-se as comportas e a água começa a circular; da parte da ponte, um gáudio!

Se é uma alegria refletir algo que representa uma tradição, quanta alegria é refletir uma tradição em algo que representa o futuro.

E a continuidade da água que vem de um local remoto, fica enobrecida por um presente formoso e se encaminha enobrecida para o futuro.



(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de palestra pronunciada em 26.8.78, sem revisão do autor)



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terça-feira, 14 de maio de 2019

A revolução industrial medieval: os começos da engenharia moderna


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Uma certa “lenda negra” visceralmente anti-medieval acostumava apresentar a Idade Média como uma era de retrocesso técnico.

Essa visualização anti-histórica movida por um fundo anticristão não resiste mais à crítica científica.

O Professor Raul Bernardo Vidal Pessolani, do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal Fluminens ‒ UFF, vem de publicar a respeito esclarecedora apresentação de Power Point.

A apresentação dispensa comentários e a reproduzimos a continuação:



PowerPoint: A Revolução Industrial Medieval e os começos da Engenharia




Clique nas setas para passar o slide.
Veja em FULLSCREEN clicando no MENU no canto inferior esquerdo.




Alguns grandes nomes da ciência medieval

Na Idade Média nasceu a ciência logicamente sistematizada

Sem a Igreja Católica não teria havido ciência e progresso autênticos

Na Idade Média, a Europa encheu-se de escritores, artistas, monumentos e invenções

Os hospitais: frutos da caridade desconhecidos antes da Idade Média

Universidades e catedrais francesas: farois da cultura medieval

Invenção “sui generis” de um monge e Papa: o zero

Idade Média: era de grandes descobertas geográficas

Historiadores recusam os mitos anti-católicos e anti-medievais

Os mosteiros levaram a agricultura a patamar nunca visto

Descobertas grandes e surpreendentes

Castelos, abadias e aldeias medievais integradas com a natureza. Exemplo dos queijos e cervejas de Chimay

Melhores vinhos modernos: herança das abadias medievais

Monges trapistas fazem a melhor cerveja do mundo

Ordenadas pela lógica floresceram ciências como a mecânica, as matemáticas, a física e a astronomia

Nascimento e triunfo dos altos estudos

A minúscula carolíngia mudou o rumo da cultura e da alfabetização

Convite aos fiéis a aprofundar racionalmente as verdades da fé

Sob a doce luz de Cristo, a Idade Média foi uma explosão de liberdade, criatividade e progresso, diz catedrático de Lisboa

A revolução industrial da Idade Média: os surpreendentes planos de Villard de Honnecourt

A movimentada vida dos engenheiros medievais

A Idade Média à procura do Movimento Perpétuo para resolver o problema da energia

Energia industrial para invenções e “gadgets” em plena era medieval

A geometria a serviço do arquiteto medieval

Conhecimentos industriais e científicos da Antiguidade cuidadosamente aproveitados

Os mestres medievais autores de inventos atribuídos a Leonardo da Vinci

O relógio astronômico do Ocidente nasceu na Idade Média

Um abade na ponta da tecnologia: Dom Richard Wallingford

Uma vocação familiar para relógios nunca antes sonhados: os Dondi

Monges inventores de tecnologias logo comunicadas a todos

Idade Média: ingenuidade ou entendimento superior das coisas?

O monasticismo católico e a restauração da fé, da cultura e das ciências

A Idade Média achava que a Terra era plana?

Idade das Trevas? Ou Idade da Luz da Fé e da razão irmanadas?

O sistema universitário medieval: o oposto do conhecimento fragmentário hodierno

"Caso Galileu": manipulação revolucionária para abalar a hierarquia medieval das ciências

Sob o Catolicismo as ciências progrediram mais que em qualquer outra civilização

Invenções e instituições criadas na época medieval

A revolução industrial medieval: os começos da engenharia moderna

Mito errado: Na Idade Média a ciência ficou estagnada, e não houve progresso técnico



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segunda-feira, 29 de abril de 2019

Prefeitura: símbolo da autonomia da cidade medieval

Luis Dufaur
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O prédio ao lado não é uma casa de operários? Ou poderia ser tal vez de um monarca absoluto?

Pode se entrever salões magníficos e o vidão que se levava dentro.

Pode se supor, erradamente, esse monarca olhando de cima para baixo o plebeu que andava a pé pela praça.

E seria um julgamento perfeitamente errado.

O prédio é palácio municipal, isto é, sede de uma prefeitura municipal.

Fica na cidade de Wroclaw (Polônia), antigamente Breslau, Alemanha.

Os nobres governavam os campos, mas a cidade era governada com forte preponderância, quando não exclusivamente, pelos plebeus.

De maneira que a administração da cidade em geral era plebeia e eleita pelos habitantes da cidade, sendo que em muitas cidades havia o voto feminino.

E a plebe que habitava as cidades medievais elegia seus representantes.

Elegiam o prefeito que ia à Câmara, que nós chamáramos hoje dos vereadores, e os funcionários públicos trabalhavam neste local.

Isto é um monumento à grandeza, à força, à autonomia e à opulência da plebe urbana.





(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 22.04.73. Sem revisão do autor.)


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