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| Cortejo histórico na cidade de Asti, Itália |
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Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de política internacional, sócio do IPCO, webmaster de diversos blogs |
A nobreza está associada ao castelo que habita.
A família nobre porta o mesmo nome que é usado para identificar indiferente um ou outro, ou os dois ao mesmo tempo.
O castelo tinha nas origens uma missão militar e a nobreza exercia os deveres militares para proteger a região contra invasores, bandos de criminosos e outros perigos que exigiam o uso das armas.
Por isso era também conhecida como nobreza de sangue, pois o derramava abundantemente para salvar o bem comum, e transmitia a missão pela hereditariedade, quer dizer o sangue, a seus descendentes.
Com a pacificação dos costumes bárbaros por efeito da Igreja e também pela ação da mesma nobreza, as cidades puderam se desenvolver, enriquecer e adquirir peso político.
Nelas apareceu naturalmente uma nobreza da cidade, muitas vezes aparentada com a nobreza do castelo: filhos ou netos dos castelões que mudaram para as cidades e levaram uma vida esplêndida.
Outras vezes não: tratou-se de ricos comerciantes, juízes, literatos ou personalidades que adotaram os estilos dos nobres. E acabaram sendo reconhecidos como verdadeiros aristocratas.
Frequentemente os filhos das duas nobrezas passaram a casar entre si e a se inter-relacionarem profundamente.
A razão de ser dessa nova nobreza não estava mais nas armas, embora fornecesse numerosos e excelentes oficiais para os exércitos do rei e heróis na defesa da região.
Qual era sua razão de ser?
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| Cortejo histórico em Asti, Itália |
Ela tem a função, segundo diz Pio XII numa de suas alocuções, empregando um provérbio francês muito bonito — de ser la cloche qui donne le son au village. Deve ser o sino que dá o tom à aldeia.
Ou seja, concretamente, nas cidades deve haver uma nobreza que dê o tom à vida social.
Mas não é só o tom da vida social como modas e costumes.
O tom social, em última análise, exprime a vontade, o modo de ser e de entender de toda a cidade.
Ao mesmo tempo, ela deve ter um poder político na cidade.
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| Cortejo Histórico na cidade de Florença, Itália |
Mesmo num regime democrático, em que, portanto, os cargos do poder político são eletivos, se a nobreza que dá o tom sabe influenciar devidamente o povo, ela, independente de mídia, tem uma força de direção, de persuasão, de tração, de levar as pessoas e as coisas atrás de si, e tem uma larga medida de influência.
Se a nobreza da cidade guarda esta influência e sabe exercê-la sobre o geral do povo, ela tem um papel parecido com o do patriciado nas cidades livres da Alemanha, da Suíça, e em geral das cidades livres que pertenceram ao reino de Lotário.
Quer dizer, a faixa de terra opulenta, cheia de história e cheia de futuro, que se estende desde a desembocadura do Reno até à Calábria.
Em linha mais ou menos reta, passando pela Suíça, pelo Luxemburgo, pela Bélgica, atingindo depois o norte da Itália, e descendo a península italiana até o fim.
Essa nobreza de cidade deve caracterizar-se por algumas notas especiais.
Ela deve ter uma certa opulência.
Com essa opulência, ela deve ter um certo brilho de vida.
Com essa opulência e esse brilho de vida, ela deve dar aos habitantes da cidade uma ideia de como é que a vida na cidade — e, portanto, também as mentalidades e os costumes — devem ser.
O tom da cidade é dado por essa nobreza.
(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, palestra em 8/4/94, sem revisão do autor)
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