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quarta-feira, 11 de julho de 2018

Paço Municipal de Bremen: uma espécie de palácio real

Paço municipal de Bremen: o símbolo da autonomia da cidade
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Bremen é uma das mais gloriosas cidades medievais da Alemanha.

As cidades de Bremen, de Hamburg, de Lübeck e de Danzig eram as quatro cidades pivots da Liga Anseática.

Eram cidades que adotavam uma forma de governo burguesa em que as corporações elegiam uns tantos representantes, que constituíam a Câmara Municipal.

De fato, o governo da cidade acabava tocando a uma oligarquia de famílias, que constituía uma aristocracia monetária dedicada ao comércio e à indústria.

Elas se ligaram e formaram a famosa Liga Anseática que chegou a ter marinha de guerra própria a era tão rica que emprestava dinheiro até aos imperadores do Sacro Império Romano Alemão.

Durante algum tempo foi uma das maiores potências da Europa.

Como essas cidades eram governadas pelas prefeituras e o paço municipal era o símbolo da autonomia da cidade, elas procuravam fazer prédios municipais muito bonitos e dignos.

Os Países Baixos e a Alemanha eram lugares de municipalismo muito desenvolvido com paços municipais que eram verdadeiros palácios régios.

O paço municipal — Rathaus (em alemão), ou Casa do Conselho — de Bremen tem uma praça e ao fundo a Catedral. A Catedral, a praça e a prefeitura formam um só conjunto visual.

Praça de Bremen: irregular mas com simetria, disposição muito judiciosa e adequada
A praça é irregular mas tem simetria pela disposição muito judiciosa e adequada.

Ela evita ficar como as praças de certas cidadezinhas — simétricas, chão batido, com poças d'água, milho, galinha, pinto postas ao contrário das obras de Deus, sem conta, sem peso e sem medida.

O urbanismo moderno não usa jato d'água. Um jato d'água elegante, leve, bonito, poderia atenuar a irremediável das técnicas modernas.

A praça tem uma torre colocada num lugar assimétrico, mas que é antiga e que condiz com o monumento. Este edifício com algumas figuras no alto é antigo também.

Todo o ambiente é antigo. O ambiente é renascentista com reminiscências medievais.


(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 14.8.67, não revisto pelo autor)



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terça-feira, 26 de junho de 2018

Influência dos mosteiros no renascimento econômico medieval

Claustro da abadia de Moissac, região Hauts-Pyrenées, França
Claustro da abadia de Moissac, região Hauts-Pyrenées, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Para Henry Goddell, presidente do Massachusetts Agricultural College, os monges salvaram a agricultura durante 1.500 anos.

Eles procuravam locais longínquos e inacessíveis para viver na solidão. 
Lá, secavam brejos e limpavam florestas, de maneira que a área ficava apta a ser habitada.

Novas cidades nasciam em volta dos conventos.

O terreno em torno da abadia de Thorney, na Inglaterra, era um labirinto de córregos escuros, charcos largos, pântanos que transbordavam periodicamente, árvores caídas, áreas vegetais podres, infestados de animais perigosos e nuvens de insetos.

Abadia de Thorney
A natureza abandonada a si própria, sem a mão ordenadora e protetora do homem, encontrava-se no caos.

Cinco séculos depois, William de Malmesbury (1096-1143) descreveu assim o mesmo local:
“É uma figura do Paraíso, onde o requinte e a pureza do Céu parecem já se refletir. [...]

“Nenhuma polegada de terra, até onde o olho alcança, permanece inculta. A terra é ocultada pelas árvores frutíferas; as vinhas se
estendem sobre a terra ou se apoiam em treliças.

“A natureza e a arte rivalizam uma com a outra, uma fornecendo tudo o que a outra não produz. Oh profunda e prazenteira solidão!

“Foste dada por Deus aos monges para que sua vida mortal possa levá-los diariamente mais perto do Céu!”
(p. 31).

Mais tarde o protestantismo reduziu Thorney a ruínas, mas estas ainda emocionam os turistas.

Aonde chegavam, os monges introduziam grãos, indústrias, métodos de produção que o povo nunca tinha visto.

Selecionavam raças de animais e sementes, faziam cerveja, colhiam mel e frutos.

Na Suécia, criaram o comércio de milho; em Parma, o fabrico de queijo; na Irlanda, criações de salmão; por toda parte plantavam os melhores vinhedos.

Até inventaram a cerveja como a conhecemos hoje e a champagne!

Abadia de Beauport
Represavam a água para os dias de seca. Os mosteiros de Saint-Laurent e Saint-Martin canalizavam água destinada a Paris.

Na Lombardia, ensinaram aos camponeses a irrigação que os fez tão ricos. Cada mosteiro foi uma escola para explorar os recursos da região.

Seria muito difícil encontrar um grupo, em qualquer parte do mundo, cujas contribuições tivessem sido tão variadas, tão significativas e tão indispensáveis como a dos monges do Ocidente na época de miséria e desespero que se seguiu à queda do Império Romano.

Quem mais na História pode ostentar semelhante feito? –– pergunta o historiador Thomas Woods.

Realmente, por mais que se procure, não se encontra.



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terça-feira, 12 de junho de 2018

Remanso medieval: repouso delicioso que prepara para façanhas

As muralhas protegiam dos perigos e garantiam o aconchego e o remanso da cidade
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Uma forma característica de remanso é o aconchego da cidade cercada de muros, com portas que se fecham durante a noite, guardas, sentinelas, etc.

Enquanto do lado de fora tem o inimigo, a proximidade do assalto noturno e outros perigos.

As casas populares procuravam proteção junto ao castelo
Outra forma é o remanso do castelo, num grande campo, junto ao qual as cabanas dos agricultores se reúnem como filhas medrosas em torno da mãe.

O castelo enorme tem encostada uma aldeiazinha a seu lado.

Essa proximidade permite aos aldeões irem correndo para dentro do castelo se houver ataque.

De maneira que todos dormem ao seu lado. O castelo é o grande remanso.

Mas não era moleza. Durante o dia todos trabalham.

Acresce que a guerra era frequente na Idade Média.

Também, os medievais empreendiam viagens enormes, romarias a cidades longínquas que podiam durar meses ou anos, Cruzadas e aventuras da toda ordem.

É o contraste.

A gente deve imaginar assim cidades como a de Bruges tão encantadora com seus canais.

Hoje, ela ficou meio parada.

Distensão que restaura a hierarquia das coisas
Considerando esse conjunto, o remanso fica delicioso.

É um remanso cheio de calor humano, cheio de aconchego, e que não é um remanso para a vida inteira, mas uma alternativa para a luta, o trabalho e a aventura.

São ocasiões em que toda a sensação de perigo se afasta, e o homem se distende inteiro.

E, nessa distensão, as coisas retornam à sua verdadeira hierarquia.

Porque, na atividade febricitante perde-se o senso da boa ordem, mas nessa distensão as coisas retomam sua verdadeira hierarquia. Isso é propriamente o remanso.

Imaginemos, por exemplo, o comerciante que passou o dia inteiro posto na sua loja.

O grande aconchego e paz do lar medieval
Ele chega a noite em casa, as atividades comerciais estão encerradas, e ele entra num ambiente tão diferente de sua atividade comercial, que fica como que forçado a não pensar mais nela.

Então aí o comércio fica de lado e a hierarquia de valores se restabelece.

Restabelecendo-se, ele é capaz de “distância psíquica”.

Tudo isto é bonito e atraente.

Há nisto um equilíbrio, uma ordem, uma afinidade com a natureza humana, que torna isso belo.



O recolhimento não é o contrário da ação.

O recolhimento é a fonte da ação.

As grandes ações do homem se resolvem nas horas de recolhimento.

Então, o recolhimento assim vivido não é um convite à preguiça.

Ele restaura as forças para continuar a ação, e por causa disto ele é belo.



(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 29/4/67. Sem revisão do autor.)




Vídeo: Paz da cidade medieval - Casas populares da Inglaterra






Popular traditional houses in England





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terça-feira, 29 de maio de 2018

As estirpes familiares na origem da grande ordem do feudalismo - 3

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Estamos diante de um dos fatos primordiais da história da humanidade. Quando estas tribos semi-civilizadas foram empurradas para o alto dos montes e para detrás dos pântanos, começou a nascer uma série de estirpes.

Uma estirpe é algo muito diverso de uma família.

O que é uma família? É a conjunção de pai, mãe e filhos. Basta haver pais legitimamente casados para que haja família.

Estirpe, contudo, é bem diverso. A língua francesa, que é muito precisa, fala em source, ou seja, fonte, origem. Eles tanto dizem source de uma família quanto source de um rio.

O que vem então a ser a source de uma família?

O que é um homem-estirpe? Aquele que funda uma estirpe é um homem com personalidade bastante vigorosa para criar uma família que mantém a hereditariedade de seus principais traços morais e físicos.

É um homem que dá aos seus uma formação suficientemente forte para que o impulso inicial que ele comunica a uma determinada ordem de coisas continue depois dele; é um homem que funda uma escola de modo de sentir, de agir, de ser, de vencer dificuldades, que funda um pequeno sistema de vida.

É preciso ter muito mais personalidade para fundar uma estirpe do que para governar um Estado. Isto, qualquer político o faz.

Mas para fundar uma estirpe é preciso ter uma personalidade pujantíssima; e para que ela seja lançada em sentido sadio, é preciso que seja pujantemente sadia.

O admirável neste momento da história europeia é que essas famílias, escorraçadas, banidas, lançadas ao sumo infortúnio, reagem; e formam-se estirpes por toda parte, as estirpes nobres da Europa.

Essas estirpes que nascem, e que vão marcar mil anos de História, nascem no infortúnio o mais atroz.

Pelo seu vigor natural, e sobretudo pela correspondência que seus membros deram à graça de Deus, a família abandonada, isolada, deu origem à família nobre, e o conjunto das famílias nobres deu origem à Europa. Eis a verdadeira história do feudalismo.

Entre os sucessores de Carlos Magno, ficou assentado que os cargos seriam vitalícios e hereditários; isto era já um princípio de feudalismo.

Mesmo no tempo de Carlos Magno ele já nomeava condes, que eram os grandes proprietários de determinada região.

Vê-se que ele já tinha o intuito de apoiar a administração central sobre os valores locais autênticos. Por outro lado, podemos afirmar que um conjunto de fatores que nasciam das entranhas cristãs da sociedade do tempo preparava esta distribuição justa de cargos.

Não há dúvida, pois, que tudo isto concorreu muito para a criação do feudalismo. É uma convergência de circunstâncias. Ele nasceu de tantos fatores, que seria mais certo apontá-lo como resultante da convergência deles.

Nosso Senhor Jesus Cristo constituiu feudalmente, de direito divino, a Sua Igreja. 

O bispo é o senhor feudal de que o Papa dispõe. 

Seria normal, portanto, que das entranhas da sociedade cristã nascesse naturalmente o feudalismo, não como a única forma possível de organização da sociedade, mas a mais adequada, a mais compatível com a ordem divina.


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