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terça-feira, 17 de abril de 2018

Limpo como na Idade Média: abordagem histórica da época que cultou a higiene


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A higiene não é uma descoberta dos tempos modernos, mas “uma arte que o século de Luiz XIV menosprezou e que a Idade Média cultuou com amor”, escreveu a historiadora Monique Closson, autora de numerosos livros sobre a criança, a mulher e a saúde no período medieval.

No estudo de referência “Limpo como na Idade Media”, a historiadora mostra com luxo de fontes que desde o século XII são incontáveis os documentos como tratados de medicina, ervolários, romances, fábulas, inventários, contabilidades, que nos mostram a paixão dos medievais pela higiene. Higiene pessoal, da cozinha, dos talheres, etc.

As iluminuras dos manuscritos são documentos insubstituíveis onde os gestos refletem o “clima psicológico ou moral da época”.

O zelo pela higiene veio abaixo no século XVI, com a Renascença e o protestantismo.

Milhares de manuscritos, diz Closson, ilustram o costume medieval.

Bartolomeu o inglês, Vicente de Beauvais, Aldobrandino de Siena, no século XIII, com seus tratados de medicina e de educação “instalaram uma verdadeira obsessão pela limpeza das crianças”.

Eles descrevem todos os pormenores do banho do bebê: três vezes ao dia, as horas, temperatura da água, perto da lareira para não pegar resfriado, etc..

As famosas Chroniques de Froissart, em 1382, descrevem a bacia no mobiliário do conde de Flandes, de ouro e prata.

As dos burgueses eram de metais menos nobres e as camponesas em madeira.

A Idade Média atribuía valor curativo ao banho, como ensinava Bartolomeu o Inglês no Livro sobre as propriedades das coisas.

Na idade adulta os banhos eram quotidianos.

Os centros urbanos tinham banhos públicos quentes copiados da antiguidade romana.

Mas era mais fácil tomar banho quente todo dia em casa.

Na época carolíngia os palácios rivalizavam em salas de banho com os monastérios, que muitas vezes tinham ambulatórios para doentes e funcionavam como hospitais.

Em Paris, em 1292, havia 27 banhos públicos inscritos. São Luis IX os regulamentou em 1268.

Nos séculos XIV e XV, os banhos públicos tiveram um verdadeiro apogeu.

Bruxelas, Bruges, Baden, Dijon, Digne, Rouen, Strasburgo, Chartres... grandes ou pequenas as cidades os acolhiam em quantidade.

Eram vigiados moral e praticamente pelo clero que cuidava da saúde pública.

Os hospitais mantidos pelas ordens religiosas, eram exímios e davam o tom na matéria.

Regulamentos, preços, condições, etc., tudo isso ficou registrado em abundantes documentos, diz Closson.

Dentifrícios, desodorantes, xampus, sabonetes, etc., tirados de essências naturais, são elencados nos tratados conhecidos como ervolários feitos nas abadias.

Historiadores como J. Garnier descreveram com luxo de detalhes os altamente higienizados costumes medievais.

As estações termais também eram largamente apreciadas. Flamenca, romance do século XIII faz o elogio da estação termal de Bourbon-l'Archambault.

Imperadores, príncipes, ricos-homens os frequentavam na Alemanha, Itália, Países Baixos, etc.

A era do ensebamento começou com o fim da Idade Média e durou até o século XX, conclui Monique Closson.

Ao menos até que os movimentos hippies, ecologistas, neo-tribais, etc. voltaram a pôr na moda andar sujo , sem barbear, vestido com blue-jeans e outras peças que estão ou fingem estar em farrapos ou com manchas, que vemos todos os dias na rua, nos transportes, aulas e locais de festa!



(Autor : Monique Closson, "Propre comme au Moyen-Age", Historama N°40, junho 1987)



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terça-feira, 3 de abril de 2018

Andorra: o principado esquecido, herdeiro da organicidade medieval

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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Você conhece um principado que há sete séculos vive em paz, resguardado dos conflitos que não têm cessado de ensanguentar a terra?

Uma nação que soube conservar suas tradições ancestrais, abrindo-se largamente para o progresso moderno?

Ela ocupa um modesto território de 468 km2, no coração da Europa entre a França e a Espanha, aninhada no seio da cordilheira dos Pirineus.

Você adivinhou: trata-se dos Vales de Andorra – les Valls d'Andorra, para empregar o catalão, idioma falado do país.

Convenhamos que é assunto mais frequente, na imprensa internacional, Mônaco e Liechtenstein, do que esse curioso principado montanhês, desconhecido e injustamente esquecido.

Porém, cada verão, milhares de turistas apressados atravessam as fronteiras andorranas para comprar, livres de imposto, bebidas alcoólicas ou aparelhos eletrônicos.

Mas, sem dúvida, quase não têm tempo de estudar as instituições nascidas na Idade Média e que sobreviveram até nossos dias, quase inalteradas...

Certos autores, desorientados pela originalidade de seu sistema político, têm falado de “República de Andorra”.

Mesmo sendo muito democrático o funcionamento do Estado, Andorra é bem um principado, ou, para ser mais preciso, um “co-principado”.

Com efeito, até muito recentemente dois “co-principes”, de igual dignidade, exercem uma soberania consagrada pela História. Um deles é o bispo de Urgell, Espanha. O outro é o presidente da França.

Mas como se chegou a essa situação singular? Isso merece, certamente, uma explicação.

Uma legenda dourada conta que o próprio Carlos Magno concedeu a liberdade aos andorranos, para os recompensar por o haverem ajudado a combater os mouros da Espanha.

O hino nacional proclama ufanamente essa filiação imperial, ao menos hipotética:

“El grau Carlemany, mon Pare, dels Alarbs me desllivrá... O grande Carlos Magno, meu pai, dos árabes me livrou...”
Historicamente, é a partir do século IX que os bispos de Urgell estendem pouco a pouco sua autoridade temporal sobre as seis paróquias que formam o território do atual principado.

A 8 de janeiro de 1176, os andorranos assinaram uma concordata com o bispo Bernardo Sanç e o reconheceram por seu suzerano.

Incapaz de assumir, só ela, a proteção de seus súditos, a Igreja de Urgell cedeu Andorra em feudo aos condes de Caboet.

Por casamento, os direitos destes passaram à casa de Caste1bó. Em 1208, Roger-Bernard II de Foix desposava a última herdeira dos Castelbó.

Abria-se, então, um período sombrio de lutas cruentas, opondo os bispos de Urgell a seus poderosos vassalos, os condes de Foix.

A 8 de setembro de 1278, consciente de sua debilidade militar, o bispo Pére d’Urtx concluia um primeiro ‘paréage’ com seu adversário, Roger-Bornard III.

Este acordo de circunstância, delimitando as jurisdições respectivas dos bispos de Urgell e dos condes de Foix, deveria ter uma espantosa longevidade. Junto com o segundo ‘paréage’, de 1288, constitui ainda hoje as bases da independência e da especificidade dos Vales andorranos.

Se os bispos de Urgell conservaram suas prerrogativas até o presente, os condes de Foix cederam as deles, em consequência de alianças matrimoniais, aos soberanos da Navarra.

Quando, em 1589, Henrique III da Navarra tornou-se Henrique IV da França, uniu à Coroa seu co-senhorio pirenaico.

É assim que os atuais presidentes da república (da França), na qualidade de continuadores (sic) da monarquia e remotos sucessores (sic!) dos condes de Foix, levam o titulo de co-príncipes de Andorra.

No decurso dos séculos, à sombra protetora de seus dois soberanos, de seus “dois valentes tutores”, uma nação iria nascer e desenvolver suas liberdades. Mas, no conjunto, são as cartas do século XIII que definem sempre o funcionamento dos poderes públicos.

Os co-principes são representados nos Vales, respectivamente, por um ‘viguier’ (delegado da autoridade) episcopal e um 'viguier’ francês, os quais exercem funções judiciárias.

Ademais, dois delegados permanentes – um tendo sede em Urgall, o outro sendo o prefeito de Perpignan – têm poderes legislativo e desempenham uma função de recurso.

Igreja de Santo Estevão
Cada 'viguier’ escolhe dois “bayles” (bailios) ou juízes de primeira instância. Para as apelações, existe um juiz das apelações, nomeado alternativamente por cada um dos co-príncipes.

Outras jurisdições, regidas pelos costumes, em matéria cível e criminal, aumentam ainda um emaranhado de competências que não deixa de fazer lembrar a complexidade de nosso Ancien Régime.

Instância suprema do país, o Conselho Geral des Vales é eleito por sufrágio universal por quatro anos e é composto de vinte e oito conselheiros. Este designam um síndico e um sub-síndico que podem ser quaisquer andorranos, mesmo não membros do Conselho.

Esse Parlamento faz as leis, recebe e distribui os impostos indiretos... porque não há impostos diretos. Por ouro lado, a reforma de 1951 instituiu um chefe de governo e um ministério.

Cada ano, o síndico geral, em grande gala, leva a um dos co-príncipes em alternância o tributo feudal da “questia”.

Isto é, para o bispo de Urgell, uma soma de 460 pesetas; e para o presidente da república francesa, 960 francos, aos quais se juntam rendimentos em espécie: doze queijos, doze capões, doze perdizes e seis presuntos!

Seria talvez demasiado fácil debicar dessas tradições democráticas desusadas.

Não acompanharam elas o desenvolvimento pacífico dos Vales de Andorra, enquanto outras nações provavam dos frutos envenenados da violência e da opressão?

Fiéis a seus co-príncipes, os andorranos permaneceram também fiéis à Fé de seus antepassados.

Sua festa nacional não comemora nenhum feito de armas, nenhum acontecimento revolucionário, mas celebra a coroação da Virgem de Meritxell, Padroeira do país.

Na manhã de 8 de setembro de cada ano, o muito Ilustre Senhor síndico, o sub-síndico e os conselheiros gerais; o muito Ilustre chefe de governo; os Honoráveis cônsules de paróquias e os conselheiros de comunas vão em peregrinação ao santuário marial.

Assim vive Andorra, “a única filha do imperador Carlos Magno, crente e livre”...


(Fonte: Phitippe Delerme, Point de Vue, No. 2148, de 29 de setembro de 1989, pp. 40 e 41)


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terça-feira, 27 de março de 2018

As belezas da pobreza bem levada refulgiam na plebe medieval. O exemplo de Domremy.

Casa da família de Santa Joana d'Arc, Domremy, França
Luis Dufaur
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Ouvindo nossos elogios inclusive as formas de vida das classes populares na Idade Média, alguém poderia objetar:

“bom, a plebe é a classe mais pobre, e que tem menos condições para se cercar de coisas bonitas. Então, daí decorre que a plebe parece o recanto da feiúra dentro do universo. E pelas mesmas razões pelas quais a nobreza seria o recanto da beleza, a plebe seria o recanto da feiúra.

“Os próprios seres humanos, postos num ambiente nobre, deixam ver mais a sua beleza do que no ambiente plebeu.

“Então o que é que o Sr. vai admirar na pobreza?”

A resposta me salta aos lábios, o presépio de Belém.

Sagrada Família: modelo de dignidade na pobreza
O Menino Jesus foi com certeza um menino de uma beleza inimaginável, além do mais um menino nobre. São José era da Casa de David, está na Escritura.

Quer dizer, ele é descendente do Rei David.

A família de David tinha sido posta fora do trono mas tinha o direito a reinar sobre Israel. São José era o chefe da Casa de David.

Ele tinha sobre Israel um direito como o príncipe imperial D. Luiz de Orleans e Bragança bisneto da Princesa Isabel tem sobre a coroa do Brasil.

O Menino Jesus era, portanto, Filho de Rei.

Agora, O imaginem não no presépio de Belém com as vaquinhas e os boizinhos dando bafo em cima d’Ele, etc., mas no mais belo palácio da terra.

São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida
aparecem a Santa Joana d'Arc, Bois Chenu
Não é verdade que isso seria menos bonito do que no presépio?

E que muita coisa na plebe foi posta feia e pobre para que se realçassem valores que nela aparecem e florescem?

E é preciso saber entender e compreender isto.

Todos se lembram da figura histórica de Santa Joana d'Arc.

Heroína virginal que quando a França feudal, a França do heroísmo e da cavalheirosidade estava no chão, debaixo do pé conquistador da Inglaterra, foi suscitada numa aldeiazinha muito humilde, com um nome que soa como um toque de sininho: Domremy.

E que quando ela ia apascentar as ovelhas da família, as vozes de duas santas ‒ Santa Margarida e Santa Catarina ‒ falavam com ela.

E explicavam-lhe que ela tinha que ir para a França, para salvar o reino, e como é que seria, etc., etc.

Aquela virgem encantadora, em determinado momento partiu. Apresentou-se ao Rei.

E disse que ela era mandada por Deus, etc., etc.

Afinal de contas, o Rei aceitou e a pôs, a ela fraca e débil, à frente de um exército que era um dos mais fortes da Europa.

Ela, na sua debilidade virginal e encantadora, comandou e foi empurrando os ingleses quase completamente para fora da França.

Era uma pastora chamada a brilhar na corte de um rei.

Era uma virgem chamada a viver num campo militar onde, infelizmente, tantas e tantas vezes a linguagem é impura, a presença das mulheres perdidas se faz notar, etc., etc.

E, entretanto, ela ali reluzia como um círio de cera puríssima em plena noite.

Bem, não é mais bonito que ela tenha sido uma pastorinha do que ela tivesse sido filha de um príncipe?




(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira. Sem revisão do autor).




Vídeo: Visita à casa de Santa Joana d'Arco em Domremy





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terça-feira, 6 de março de 2018

Veneza: cidade que desafia o equilíbrio


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Veneza é uma cidade que desafia o equilíbrio. Ela é uma sublime explosão de cores e de formas meio despreocupadas tendendo a um prodigioso meio irreal.

Veneza embriaga.

Veneza é uma das muitas Itálias, porque houve incontáveis Itálias.

Podemos ver antes de tudo, a diferença que vai entre o Campanile ‒ que é uma torre contendo os sinos ‒, e a Basílica de São Marcos.

De lado, fica o incomparável Palácio dos Doges, governantes supremos da República de Veneza eleitos cada cinco anos.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Variedade e unidade das cidades e burgos medievais acolhia extremos opostos e harmônicos

Cesky Krumlov, na República Checa, capital antiga da região de Rosenberg, possuía a nobreza mais rica e influente do país
Cesky Krumlov, na República Checa, capital antiga da região de Rosenberg,
possuía a nobreza mais rica e influente do país
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O espírito católico que permeou a Idade Média, segundo o célebre ensinamento do papa Leão XIII suscitou uma admirável expansão do espírito de cada povo, região, cidade e aldeia.

O resultado no urbanismo foi o aparecimento de cidades com estilos fabulosamente diversos.

Nada havia das cidades monótonas modernas que se repetem a si próprias um pouco por todo mundo.

Cada conjunto humano gestava sem planificação, segundo suas propensões naturais de alma, a cidade que bem entendia.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

As relações patrão-empregado na Idade Média eram de pai para filho

Mestre e aprendiz fabricando tonéis, catedral de Bourges
Mestre e aprendiz fabricando tonéis. Vitral da catedral de Bourges.
Luis Dufaur
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“Todos os membros de um mesmo ofício fazem parte da mesma corporação (antepasado nobre e remoto dos atual sindicato), mas nela não desempenham o mesmo papel.

“A hierarquia vai dos aprendizes aos mestres-jurados, formando o conselho superior da corporação.

“Durante toda a Idade Média, no início as oportunidades são as mesmas para todos, e o aprendiz só não se torna mestre por falta de jeito ou indolência.

“O aprendiz liga-se a seu mestre por um contrato de aprendizagem — sempre esse laço pessoal, caro à Idade Média — comportando obrigações a ambas as partes: para o mestre, a de formar seu aluno no ofício, e seu sustento durante esse tempo; para o aprendiz, obediência a seu mestre e dedicação ao trabalho.

Transpôs-se assim ao artesanato a dupla noção de “fidelidade-proteção”, que une o senhor a seu vassalo.

“Mas como aqui uma das partes contratantes é uma criança de 12 a 14 anos, todos os cuidados são tendentes a reforçar sua proteção.

“Deste modo, por um lado manifesta-se maior indulgência para com suas faltas, estorvamentos e até vagabundagens; por outro, delimitam-se severamente os deveres do mestre: ele não pode ter mais que um aprendiz por vez, para que seu ensino seja frutuoso; não pode explorar seus alunos, descarregando sobre eles uma parte de seu trabalho.