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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A nobreza do campo leva o esplendor aos castelos
e ao mundo agrícola

A nobreza do campo encarnava a identidade da região, Carnasciale, Itália
A nobreza do campo encarnava a identidade da região,
Carnasciale, Itália


Vencidos os tempos caóticos típicos do início da Idade Média, os nobres que viviam nos castelos-fortalezas foram reformando seus castelos e lhes dando o ar elegante e maravilhoso que hoje contemplamos.

A nobreza continuou assim vivendo no meio do campo numa residência muito boa.

Os castelos na Idade Média, de início rústicos, maciços e austeros por causa de sua finalidade militar, foram sendo ajeitados.

E das inacessíveis fortalezas feudais se passou às residências magníficas que deslumbram os séculos.

Nelas viviam os nobres do campo.

Eles não os derrubaram, mas fizeram algo mais interessante e inteligente: procuraram conservar, tanto quanto possível, o tom medieval original.

E fizeram disso um ponto de honra: afinal de contas foi naquelas torres e muralhas que seus antepassados viveram e morreram para salvar a civilização e a região onde estão instalados.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A nobreza urbana: “o sino que dá o tom na cidade”

Cortejo histórico na cidade de Asti, Itália
Cortejo histórico na cidade de Asti, Itália
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A nobreza está associada ao castelo que habita.

A família nobre porta o mesmo nome que é usado para identificar indiferente um ou outro, ou os dois ao mesmo tempo.

O castelo tinha nas origens uma missão militar e a nobreza exercia os deveres militares para proteger a região contra invasores, bandos de criminosos e outros perigos que exigiam o uso das armas.

Por isso era também conhecida como nobreza de sangue, pois o derramava abundantemente para salvar o bem comum, e transmitia a missão pela hereditariedade, quer dizer o sangue, a seus descendentes.

Com a pacificação dos costumes bárbaros por efeito da Igreja e também pela ação da mesma nobreza, as cidades puderam se desenvolver, enriquecer e adquirir peso político.

Nelas apareceu naturalmente uma nobreza da cidade, muitas vezes aparentada com a nobreza do castelo: filhos ou netos dos castelões que mudaram para as cidades e levaram uma vida esplêndida.

Outras vezes não: tratou-se de ricos comerciantes, juízes, literatos ou personalidades que adotaram os estilos dos nobres. E acabaram sendo reconhecidos como verdadeiros aristocratas.

Frequentemente os filhos das duas nobrezas passaram a casar entre si e a se inter-relacionarem profundamente.

A razão de ser dessa nova nobreza não estava mais nas armas, embora fornecesse numerosos e excelentes oficiais para os exércitos do rei e heróis na defesa da região.

Qual era sua razão de ser?

Cortejo histórico em Asti, Itália
Cortejo histórico em Asti, Itália
Na verdade, a nobreza urbana tem uma missão, e muito importante.

Ela tem a função, segundo diz Pio XII numa de suas alocuções, empregando um provérbio francês muito bonito — de ser la cloche qui donne le son au village. Deve ser o sino que dá o tom à aldeia.

Ou seja, concretamente, nas cidades deve haver uma nobreza que dê o tom à vida social.

Mas não é só o tom da vida social como modas e costumes.

O tom social, em última análise, exprime a vontade, o modo de ser e de entender de toda a cidade.

Ao mesmo tempo, ela deve ter um poder político na cidade.

Cortejo Histórico na cidade de Florença, Itália
Cortejo Histórico na cidade de Florença, Itália
Como é que se pode conceber esse poder político? De um modo simples.

Mesmo num regime democrático, em que, portanto, os cargos do poder político são eletivos, se a nobreza que dá o tom sabe influenciar devidamente o povo, ela, independente de mídia, tem uma força de direção, de persuasão, de tração, de levar as pessoas e as coisas atrás de si, e tem uma larga medida de influência.

Se a nobreza da cidade guarda esta influência e sabe exercê-la sobre o geral do povo, ela tem um papel parecido com o do patriciado nas cidades livres da Alemanha, da Suíça, e em geral das cidades livres que pertenceram ao reino de Lotário.

Quer dizer, a faixa de terra opulenta, cheia de história e cheia de futuro, que se estende desde a desembocadura do Reno até à Calábria.

Em linha mais ou menos reta, passando pela Suíça, pelo Luxemburgo, pela Bélgica, atingindo depois o norte da Itália, e descendo a península italiana até o fim.

Essa nobreza de cidade deve caracterizar-se por algumas notas especiais.

Ela deve ter uma certa opulência.

Com essa opulência, ela deve ter um certo brilho de vida.

Com essa opulência e esse brilho de vida, ela deve dar aos habitantes da cidade uma ideia de como é que a vida na cidade — e, portanto, também as mentalidades e os costumes — devem ser.

O tom da cidade é dado por essa nobreza.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, palestra em 8/4/94, sem revisão do autor)


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