segunda-feira, 27 de maio de 2019

Pontes com beleza na cidade medieval

A Ponte dos suspiros, assim chamada porque os réus ali dariam seu último adeus
A Ponte dos suspiros, assim chamada porque os réus ali dariam seu último adeus
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









A Ponte dos Suspiros, em Veneza. Quem não a conhece? Reúne dois corredores de palácios.

Tão simples! Tão pequena! É insignificante como obra de engenharia em comparação com qualquer dos nossos minhocões.

Os senhores acham que algum desses minhocões vai passar para a história?

A Ponte dos Suspiros é uma amostra da natureza espiritual da alma humana. Embora tal vez não seja verdade que os condenados à morte passavam por essa ponte, a ideia de que uma ponte chamada dos Suspiros!

Como é nobre suspirar numa ponte, olhando para a água! Como isso é belo! Que bom lugar para suspirar!



E quanta dignificação entra a alma humana escolher um lugar adequado para o ponto onde ela suspira!

Quem não ouviu falar da Ponte dos Suspiros? Quem não a admira?

Os senhores em São Paulo comparem o Viaduto do Chá com o Viaduto Santo Ifigênia. Todo mundo gosta mais do Viaduto do Chá.

O Viaduto do Chá é uma rua Barão de Itapetininga que se prolonga em dois parapeitos sem graça, onde a única singularidade que há é uma espécie de batatões de cimento.

Comparem com o Viaduto de Santa Ifigênia, mais estreito, menos escancarado.

Mas olhem as grades do viaduto: todas ornadas, todas floridas; olhem os metais que estão em baixo: todos ligeiros, nada fala de massa pesada, agressiva.

Com frequência a ponte se reflete nos rios que passam sob ela.

Pode-se dizer que a alegria do rio é passar sob a ponte, recolher a sua imagem e depois levá-la muito além.

E que quando um rio passa por debaixo de uma bela ponte, um capítulo de sua história foi feito. Ele passou pela ponte tal.

Ponte Sant'Angelo sobre o Tibre, Roma, em direção ao castelo do Santo Anjo Miguel
Se os senhores, por exemplo, soubessem agora que o Tietê passou por debaixo da ponte do Castelo de Santo Ângelo, não é verdade que os senhores paravam o automóvel para olhar para o Tietê?

Por que? Porque ele trouxe algo dessa figura.

Mas como é verdade o contrário!

Imaginem uma ponte a cujos pés tenha secado a água; a cujos pés a água tenha deixado de correr por uma razão qualquer, por exemplo, uma obra prosaica que obrigou o desvio das águas.

Os srs. imaginem a solidão da ponte vendo seus fundamentos secos, e nada do que acontece junto a ela.

A sua imagem não se reflete, não tem brilho, está seca, esturricada no ar.

De repente, abrem-se as comportas e a água começa a circular; da parte da ponte, um gáudio!

Se é uma alegria refletir algo que representa uma tradição, quanta alegria é refletir uma tradição em algo que representa o futuro.

E a continuidade da água que vem de um local remoto, fica enobrecida por um presente formoso e se encaminha enobrecida para o futuro.



(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de palestra pronunciada em 26.8.78, sem revisão do autor)



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