terça-feira, 10 de março de 2015

Harmonia e caridade nas classes sociais
no castelo da Princesa de Chimay

Castelo de Chimay hoje


Talleyrand nos conta nas memórias dele, o que acontecia no castelo da avó dele, a Princesa de Chimay.

Chimay é um grande título da Bélgica.

Ser Princesa de Chimay era quase como que ser Grã-Duquesa de Luxemburgo, quer dizer, uma soberana independente, de um pequeno feudo.

Quando chegava aos domingos, ela primeiro ia à Missa na capela do castelo. As pessoas pobres da zona que quisessem assistir à Missa iam para o castelo e também assistiam.

Depois da Missa, a princesa ia, acompanhada da pequena nobreza local – portanto, nobreza autêntica mas muito inferior à dos príncipes de Chimay –, para a sala onde ela, a bem dizer, reinava como rainha.

O castelo de Chimay numa iluminura
Ela tinha uma espécie de trono sobre um estrado. Ela subia lá, podia haver uma pequena música militar que a banda tocava enquanto ela passava da capela do castelo para a essa sala.

Os pequenos nobres iam levando as coisas necessárias para a princesa exercer suas atividades curativas.

Um levava panos para passar ungüentos, outros levava uma maleta com remédios, outro levava uma caixa com tesouras e outras coisas que facilitavam alguma pequena intervenção como que cirúrgica.

E a princesa sentada no trono e olhando com bondade para aquele povo que estava lá.

O povo olhava como estava vestida a princesa, como é que ela fazia, como estavam vestidos os parentes dela.

Eles sabiam que a moda mudou vendo os fidalgos pequenos e grandes mudarem de vestidos e de roupas. Viam como se conversava elegantemente, acompanhavam os gestos e a gesticulação da conversa, etc.

Depois começava o desfile das misérias.

Os doentes e os pobres iam passando, ela ia perguntando por que é que não veio tal parente do pobre, se ele melhorou, se não melhorou, mandava lembranças, mandava um pequeno presente, ou então mandava um conselho para fazer tal ou tal coisa para melhorar, etc.

A atual princesa de Chimay recebe simpaticamente os visitantes no castelo
Os populares que podiam, traziam também pequenos presentes.

Às vezes eram petiscos, pães saborosos, leite, ovos, galinhas, porquinhos, frutas, legumes.

E a Princesa de Chimay aproveitava a ocasião para dar esses presentes aos que estavam mais necessitados ou mais fracos.

Isso levava tempo. Quando terminava, os nobres iam todos para a sala de jantar da nobreza.

E na copa e cozinha, e ainda em outras dependências, era a grande festa dos pobres que quisessem ficar para tomar sua refeição pela generosidade da princesa.

Depois isto tudo se dissolvia e o castelo voltava ao seu silêncio majestoso, na paz e no contentamento de alma de todos.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, palestra em 8/4/94, sem revisão do autor)



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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A nobreza leva o esplendor dos castelos ao mundo agrícola

A nobreza do campo encarnava a identidade da região, Carnasciale, Itália
A nobreza do campo encarnava a identidade da região,
Carnasciale, Itália
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Vencidos os tempos caóticos típicos do início da Idade Média, os nobres que viviam nos castelos-fortalezas foram reformando seus castelos e lhes dando o ar elegante e maravilhoso que hoje contemplamos.

A nobreza continuou assim vivendo no meio do campo numa residência muito boa.

Os castelos na Idade Média, de início rústicos, maciços e austeros por causa de sua finalidade militar, foram sendo ajeitados.

E das inacessíveis fortalezas feudais se passou às residências magníficas que deslumbram os séculos.

Nelas viviam os nobres do campo.

Eles não os derrubaram, mas fizeram algo mais interessante e inteligente: procuraram conservar, tanto quanto possível, o tom medieval original.

E fizeram disso um ponto de honra: afinal de contas foi naquelas torres e muralhas que seus antepassados viveram e morreram para salvar a civilização e a região onde estão instalados.

Interior do castelo de Chaumont, França
Interior do castelo de Chaumont, França
É a dimensão histórica que faz dos castelos medievais algo como que insuperável, mesmo pelas tentativas de imitação como a Disneylândia.

Quando os povos foram se cristianizando, os costumes ficaram menos violentos e a paz foi se instalando por toda Europa.

Os castelos deixaram de ter a finalidade quase exclusivamente militar originária.

Então, os nobres do campo apelaram ao melhor da arquitetura e das artes para embelezar as fortalezas.

Como no tempo dessas melhoras predominava a arte renascentista, censurável debaixo de alguns aspectos e admirável debaixo de outros, os nobres do campo fizeram uma seleção dos novos estilos.

Quarto do castelo de Chenonceaux
Quarto do castelo de Chenonceaux
E criaram uma coisa única: as mais maravilhosas residências dos Tempos Modernos, que reuniam a história e o progresso das artes.

Os castelos de Chenonceaux e de Chambord, para só citar esses, são um exemplo muito concreto.

E as fortalezas militares viraram verdadeiros palácios, e que ainda se chamam de castelos.

O luxo interior, antes inexistente, passou a ser grande, os parques, outrora sacrificados por razoes militares, ficaram magníficos, os terrenos que a nobreza reserva para si passaram a ser plantados como por um pintor formando conjuntos arborizados de sonho.

Nesses parques, instalaram lindos jogos de artifício de água, com espelhos aquáticos e jorros fantasiosos que entretêm a vida do campo, que sem eles facilmente se torna monótona.

A nobreza melhorou os caminhos e ficou muito fácil a viagem de visita de uns castelos para outros, de uns palácios para outros.

Galeria no castelo de Scone, Perth, Escócia
Galeria no castelo de Scone, Perth, Escócia
De maneira que a todo o momento os nobres se reuniam no castelo ou no palácio de um ou de outro para festas de família, casamentos, batizados, reuniões, ou para tratar de interesses comuns da agricultura, ou inclusive interesses políticos gerais.

Muito frequentemente esses castelos de origem medieval eram bem conservados, e ficavam muito bonitos, com tapeçarias, vitrais, móveis finamente trabalhados com as melhores madeiras, porcelanas, pratarias que o comércio trazia para a Europa de continente longínquos, como a Ásia ou a América do Sul, portuguesa ou espanhola.

Também conservavam recordações dos grandes feitos de guerra dos antepassados: armaduras medievais, salas exclusivamente destinadas a servir de uma espécie de museu de armas medievais.

Sala de jantar de Blenheim Palace, Reino Unido
Sala de jantar de Blenheim Palace, Reino Unido
Então aquelas armaduras que cobriam inclusive o rosto, postas de pé apoiadas sobre uma espada, por vezes de meter medo, com aquela presença dava a impressão de que de dentro uma recordação prestigiosa dizia: "Lembre-se que eu fui um herói".

Era frequente também que, nas peças de mobiliário do castelo, figurasse com destaque o escudo da família.

O escudo é como um resumo simbólico do passado e da ascendência da família.

Conhecido como “as armas”, o escudo, ou brasão, incluía aquilo que o duque de Saint-Simon, grande escritor sobre essa matéria, chama de la chimère, quer dizer as origens por vezes quiméricas da família.

Pois muitas daquelas grandes famílias pretendiam descender, de um modo ou do outro, de reis, de príncipes, de figuras famosas, de cruzados, de heróis de guerra, mas a relação ou as provas se tinham perdido através dos séculos.

Esses brasões provinham de costumes imemoriais e davam uma nota de esplendor e de fantasia oriental à atmosfera que cercava a nobreza. E dignificavam a família em um grau extraordinário.

O nobre de fazenda, para usarmos uma expressão caracteristicamente brasileira, representava a força, a coragem, a capacidade de lutar, a capacidade de organização da vida agrícola, virtudes reconhecidas por todos.

Refeitório dos empregados (representados com figuras de cera) no castelo de Breteuil, Ile de France
Refeitório dos empregados (representados com figuras de cera)
no castelo de Breteuil, Ile de France
As senhoras deles naturalmente eram menos rudes, mas montavam a cavalo também e eram a versão feminina de seus maridos.

Isso punha-as muito em contato com os pobres do feudo, e não era raro que muitas delas ajudassem economicamente os pobres.

Para isso mantinham enfermarias nos salões inferiores do castelo.

Também tinham salas onde a senhora do lugar uma vez por semana, às vezes no próprio domingo, recebia os aldeões mais necessitados ou preocupados.

E até tinham uma espécie de consultório médico com os remédios primitivos da época e distribuíam segundo os casos.

Elas entendiam muito de remédios, e ainda não tinham aparecido os médicos especializados com muito mais competência de nossos dias.

Então, elas aprendiam mais ou menos a arte de curar, davam receitas e remédios caseiros, naturalmente grátis, socorriam os pobres, os acidentados, e encaminhavam para o hospital da cidade – em geral religioso – algum necessitado para cuja situação não havia remédio no feudo.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, palestra em 8/4/94, sem revisão do autor)


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terça-feira, 21 de outubro de 2014

Produção artesanal ou artística, e meio ambiente

Torre da igrejinha de Mittenwald, Alemanha.  A igreja dá o tom à cidade e ao meio ambiente.
Torre da igrejinha de Mittenwald, Alemanha.
A igreja dá o tom à cidade e ao meio ambiente.




Grandes montanhas, solitárias e sublimes, que parecem convidar os homens para o recolhimento e a serenidade das mais altas contemplações.

Ao pé do sublime, num vivo e agradável contraste, sorri e floresce o gracioso: uma aldeinha de encanto quase convencional.

Nela se sente a pulsação compassada mas juvenil de uma vida cheia de paz, de pureza, de alegria e de atividade.

A um tempo sublime por seu significado e sua sobranceria, graciosa por sua harmonia e sua beleza.

Unindo, condensando em si e elevando a um plano superior todas as notas da paisagem da qual é ponto central, vê-se a igrejinha barroca.


Este quadro é, por exemplo, o da aldeia de Mittenwald, na Baviera, Alemanha.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Faça uma visita virtual à Catedral de Santiago de Compostela


Veja vídeo


A história da catedral de Santiago de Compostela começou pelo ano 813, quanto um eremita de nome Pelayo e alguns pastores se depararam com uma estranha luminosidade.

Aquela misteriosa luz se espalhava sobre um pequeno bosque perto de um morro chamado Libredón. A paisagem, em certos momentos, ficava tão clara que se parecia a um campo estrelado (Campus Stellae = Compostela).

Teodomiro, o bispo local, informado do estranho fenômeno, soube que a luz focara no chão uma antiga arca de mármore. Nela se teria encontrado os restos humanos que se dizia pertencer ao Apóstolo Santiago.

Segundo uma história antiga o Apóstolo decidiu evangelizar a Espanha, mas foi decapitado pelo rei Herodes Agripa na Palestina.

O corpo dele, então, foi lançado ao mar num barco no porto de Jaffa. Sem tripulação, sem leme, soprada só pelo vento, a nau aportou nas costas da Galícia, que os romanos chamavam de Finis Mundi.

Recolhida da praia, a arca fora enterrada num “compostum”, quer dizer um cemitério.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Tirol: tesouro da Europa central, seriedade, inocência e contemplação

Roupas tirolesas diversas. A cidade medieval.
Roupas típicas do Tirol
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A cidade medieval estava profundamente impregnada pela vida do campo.

Não havia conflito mas sim armonia profunda entre uma e outra.

Estando na Alemanha, em certa ocasião, vi alguns tiroleses andando pela Baviera.

Ainda conservo na retina um homem, observado por mim naquela ocasião, qüinquagenário, usando um chapeuzinho meio esverdeado, encimado por uma peninha — o que indicava estar ele disposto a dedicar-se a alguma atividade atlética no campo — envergando roupa que não tinha nada de esportiva no sentido atual do termo, embora fosse uma veste de campo: um paletozão pesado, de boa qualidade, meias de lãs grossonas, enfim, tecidos preciosos quanto à durabilidade.

Vê-se que aquela vestimenta fora confeccionada para durar muitos anos...

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Alemães lotam festival para voltar por um instante à Idade Média


A Idade Média fascina a muitos alemães, informou a rádio oficial alemã Deustche Welle.

Em Colônia, por exemplo, um festival reúne fãs e curiosos que comem, vestem-se e se divertem como se vivessem no mundo medieval.






“O cheiro de carne assada se mistura com a música tocada por harpas, violinos e tambores de uma era remota e ao tilintar das correntes, descreve a rádio alemã.

“A viagem ao passado começa já na bilheteria, onde os modernos euros são trocados por moedas medievais.

“A maioria dos funcionários e visitantes veste trajes medievais. E assim, de um instante para outro, você está na Idade Média”.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Os privilégios do Vale do Roncal, exemplo de sociedade orgânica não planificada – 4

O tributo medieval das três vacas é pago com vacas pirenaicas
O tributo medieval das três vacas é pago com vacas pirenaicas

continuação do post anterior

A origem do Tributo

As executórias do Vale descrevem este velho direito com as seguintes palavras:

“Não é fácil que em Navarra, e em algum outro reino ou província, encontre-se honra tão singular como a que reside no Vale de Roncal de receber o tributo desde tempo muito antigo (dos habitantes) do Vale de Baretous, seus vizinhos, vassalos do Rei Cristianíssimo (da França), de três vacas da mesma dentadura, pelagem e cornadura, que entregam todos os anos no limite, confim e divisão dos dois reinos; e o preito de homenagem que lhe prestam os de Baretous de manter paz e subordinação aos roncaleses; e se em alguma ocasião foi-lhes recusada alguma das três vacas por defeito de uma das três qualidades, foram substituídas de noite na praça de Isaba, evitando a vergonha de serem vistos nessa ação, sem que o préstimo que os franceses tiveram na Espanha pudesse obter-lhes a dispensa de tributo tão notável”.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

A despedida dos mortos aguardando reencontrá-los na Ressurreição

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Quando um membro da família senhorial vinha a falecer, era exposto na grande sala do castelo, revestido com seus mais belos ornamentos, e, freqüentemente, embalsamado.

O luto era caracterizado pela cor violeta, e mais raramente pelo preto.

Mas a viúva guardava-o habitualmente de branco, à imitação das Rainhas, às quais a etiqueta prescreve esta cor, o que explica às Rainhas-mães o titulo de 'reines-blanches'.

O caixão, recoberto de damasco dourado ou de tecido vermelho, era conduzido à igreja, não sobre os ombros de servidores ou aldeões, mas sobre os dos mais próximos parentes e dos principais vassalos.

Quando transladaram à França o relicário com os ossos de São Luis, morto em Tunis, ele foi levado até Saint-Denis por Philippe le Hardi, filho do defunto.

Os nobres carregadores vestiam, para a ocasião, longas túnicas negras com capuz, e receberam a denominação de 'pleurants'.

Acontecia de o corpo ser seguido por um personagem, que, por seus trajes, maquilagem, modo de andar e atitudes, esforça-se por se assemelhar ao senhor defunto .

Quanto aos túmulos edificados sobre a sepultura, no coro ou nas criptas da capela ou igreja, são todos, ou quase todos, do mesmo modelo: o gisante.

Ou seja, a estátua do falecido, deitada sobre a laje funerária.

Estes túmulos são também inspirados em convenções que permitem reconhecer, num olhar, certos detalhes da existência do morto.

Se o cavaleiro pereceu em campo de batalha, o escultor o representa completamente armado, espada desembainhada na mão direita, escudo à esquerda e os pés apoiados sobre o flanco de um leão deitado.

Se morreu no leito, é figurado de cabeça descoberta, sem cinto, sem espada nem escudo, tendo os pés um galgo.

Uma grade de ferro em torno da estátua, indicava que o senhor morreu no cativeiro.

Quanto às damas, sua efígie as mostra de vestido longo, mãos postas, os pés sobre o flanco de um cão, símbolo da fidelidade conjugal.

Só os muito altos senhores tinham o direito de se fazerem representar em mármore, pois este era ainda, na Idade Média, um material muito custoso e raro.

Os nobres de menor hierarquia deviam contentar-se com um gisante de pedra, do qual só o rosto e as mãos são de mármore.

Os burgueses não tinham direito senão à pedra.



(Autor : Alfred Carlier, « Sous les Voútes dos Cháteaux-Forts -- La Vie Féodale », Editions Desoer, Liège, pp. 147 a 150)





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JOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Os privilégios do Vale do Roncal, exemplo de sociedade orgânica não planificada – 3

Rapazes roncaleses com trajes típicos.
Rapazes roncaleses com trajes típicos.

continuação do post anterior

Outros privilégios do Vale, como a isenção do serviço militar fora de suas fronteiras e o livre comércio com a França, não subsistem hoje, se bem que tenham sido os roncaleses os últimos a perdê-los.

A liberdade de alfândegas com a França encontra-se reduzida atualmente ao dia de Ernaz ou do Tributo das Três Vacas.

Quanto à isenção do serviço militar ordinário, permaneceu para os roncaleses por mais tempo que para o Reino da Navarra. Por Real Cédula de Carlos III, em 1773, estabeleceu-se o sorteio e recrutamento em Navarra, apesar dos protestos da Deputação, que denunciou o contraforo.

Os roncaleses, por sua parte, amotinaram-se contra o acordo do Real Conselho que pretendia incluí-los, e negaram-se a renunciar seus privilégios, até conseguirem que se revogasse o acordo.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Os privilégios do Vale do Roncal, exemplo de sociedade orgânica não planificada – 2

El Roncal, cruz em Urzainqui, Navarra
El Roncal, cruz em Urzainqui, Navarra

continuação do post anterior


No ano do Senhor de 785 foi muito comentada a passagem que Abderraman, o grande rei de Córdoba, fez dos Pirineus pelas marcas de Aragão, com seu exército mouro.

Fugitivos horrorizados chegaram então a Roncal contando as crueldades e extermínio que na sua passagem deixavam aqueles selvagens da África.

Os mouros chegaram até Toulouse naquela sangrenta expedição, bem dentro da Gália.

À volta decidiu o rei mouro fazê-la pelos passos do Val-de-Roncal, castigando simultaneamente os habitantes do Vale que tinham escorraçado até então todas as incursões muçulmanas.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Os privilégios do Vale do Roncal, exemplo de sociedade orgânica não planificada – 1

Brasão do Vale do Roncal, Navarra, Espanha
Brasão do Vale do Roncal, Navarra, Espanha
Como 'nobreza obriga', os roncaleses, habitantes do Valle del Roncal, Espanha, estiveram sempre presentes quando se cuidou de empreendimentos comuns à defesa da Fé ou da Coroa. Daí nasceram alguns privilégios coletivos, que os roncaleses mantiveram zelosamente através dos tempos.

É curioso que enquanto sua mais remota epopéia bélica cobre-se com as brumas do mito e da legenda até o ponto de fazer os eruditos hesitarem a respeito de quando aconteceram os feitos, os privilégios derivados daqueles feitos conservam-se até nossos dias com uma vigência concretíssima, excepcional nos tempos presentes.

Dois são esses privilégios ainda atuais, recordações de outras tantas batalhas legendárias.

O primeiro consiste em que todos os roncaleses são nobres 'cavaleiros, fidalgos e infanções' com direito a usarem como próprio o escudo do Vale, de tal modo que para alguém ser armado cavaleiro das ordens militares, ainda hoje basta provar que seu sobrenome é roncalés para ficar demonstrada a nobreza do mesmo.

domingo, 29 de julho de 2012

Forte do Relógio: jóia da Veneza medieval


Veneza, Torre dell'Orologio. A cidade medievalO Forte do Relógio, constrúido por Codussi entre 1496 e 1499, é um dos monumentos arquitetônicos mais fotografados de Veneza.

O enorme quadrante situado sobre a porta de entrada da torre é uma obra-prima mecânica do final do século XV, construído por Giampaolo e Giancarlo Ranieri, artistas nascidos em Parma. O engenhoso aparelho indica as estações do ano, as horas e as fases da lua.

O edifício que figura nesta contracapa é um dos prédios mais famosos de Veneza.

Possui ele um corpo central, denominado Forte do Relógio. De cada lado há três andares que formam uma como que moldura -- muito bonita, mas discreta -- para a torre.

A torre foi concebida para ser uma homenagem a Nossa Senhora. Em sua parte mais visível vê-se uma imagem da Mãe de Deus com o Menino Jesus.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Palácio da Senhoria de Florença: seriedade e altivez

Palácio da Signoria, Florença, a Cidade Medieval
Durante muito tempo o Palácio senhorial de Florença foi a sede de governo de um pequeno Estado – o Grão-Ducado de Toscana, na Itália -- que ocupou na cultura e no pensamento humano um lugar proeminente. Foi uma grande potência do pensamento.

O palácio é típico do estilo florentino. Sua cor é bonita, o amarelado da pedra utilizada na construção apresenta aspecto agradável, nada mais do que isso.

Uma torre quadrada com relógio, janelas, algumas em forma ogival, outras puras perfurações na parede, destituídas de beleza especial.

Estamos habituados, na ótica moderna, à idéia de que a torre deve estar bem no meio do edifício. Ali não. A torre fica um pouco mais para o lado direito da fachada.