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segunda-feira, 6 de setembro de 2021

As famílias na justiça de Deus

Levando o Santissimo Sacramento para os doentes. Ferdinand Georg Waldmüller (1793 - 1865)
Levando o Santíssimo Sacramento para os doentes. Ferdinand Georg Waldmüller (1793 - 1865)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Continuação do post anterior: A tradição familiar, as estirpes e o governo do Estado




Os homens, sendo eternos, serão julgados na vida eterna; mas as nações, não o sendo, receberão prêmio ou castigo nesta Terra.

O mesmo se dá com as famílias: como tais, não se salvam nem se perdem; têm a recompensa de suas qualidades ou a punição de seus defeitos nesta Terra mesmo.

Certas famílias terão até seu anjo da guarda próprio.

Este o mistério de que nos fala muitas vezes a Escritura: famílias que são chamadas a uma certa missão, recusam, e saem do cenário histórico; outras, que correspondem à graça, começam a florescer, e Deus faz nascer delas homens inteligentes, capazes, ilustres.

Não quer isto dizer que cada família que empobreça o seja por punição; mas, de um modo geral, pode-se dizer que a ascensão ou decadência das famílias está relacionada com o uso que tenham feito das graças divinas.

Oração familiar da noite, Ferdinand Georg Waldmüller (1793 – 1865)
Oração familiar da noite, Ferdinand Georg Waldmüller (1793 – 1865)
Um homem, pois, assegura a continuidade e ascensão de sua estirpe praticando atos de virtude que se somam, como que numa balança, cá na terra.

O bem de um avô recairá sobre o neto.

E muitas vezes a punição de um acaba caindo sobre o descendente.

Tal é a continuidade da família, que a sua balança na justiça divina é uma só.

Uma das razões do tédio da vida de família hodierna está em que são famílias frustradas.

As personalidades e a conversa também o são, e uma das frustrações – quanta maldição daí provém! – é que nem todos os filhos nasceram.

Numa família do Ancien Régime – nobre ou plebéia, porque todas são miniaturas umas das outras, do rei ao mais pobre – todos pensam e sentem do mesmo modo, todos se querem, a prole é fecunda, a família existe.

Se vão passear juntos, é porque lhes é conatural estarem uns com os outros.

Com a atual decadência das famílias, isto tudo já não mais se dá.

Se elas fossem estirpes, todos sentiriam essa conaturalidade; cada comentário feito por um repercutiria em todos de modo agradável; seria uma espécie de sinfonia.

Os santos óleos para um doente grave, Ferdinand Georg Waldmüller (1793 – 1865)
Os santos óleos para um doente grave, Ferdinand Georg Waldmüller (1793 – 1865)
Hoje é uma cacofonia pobre, com poucos instrumentos, e além do mais dissonantes, porque quase não são mais sonantes.

Estirpes fora do âmbito familiar


Pode, por fim, haver estirpes fora do âmbito propriamente familiar.

Em geral, as grandes instituições são estirpes que não estão muito rigorosamente baseadas sobre as famílias.

Constituem famílias de almas: Ordens religiosas, universidades, o exército alemão.

São estirpes espirituais, um tanto relacionadas, em certos casos, com estirpes naturais – no exército alemão era tradicional certas famílias ocuparem certos postos – ou não relacionadas, como no caso das Ordens religiosas.

Estas estirpes constituíram também o corpo social da Idade Média.



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