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segunda-feira, 19 de abril de 2021

Espada de São Fernando no brasão de Sevilha

Pendão de Sevilha
Pendão de Sevilha
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Os cavaleiros medievais “batizavam” suas espadas com nomes e até lhes reconheciam feitos prodigiosos que Deus operava por meio delas.

Durante séculos esta crença foi partilhada por nações inteiras e algumas dessas espadas sobreviveram às vicissitudes da história e são exibidas em museus como relíquias.

Figuram como motivo de orgulho em brasões e símbolos heráldicos de famílias, cidades e países.

A disputa pela inclusão da espada do rei São Fernando III de Castela no brasão da cidade de Sevilha suscitou uma aparatosa polêmica na Assembleia Municipal informou o jornal espanhol “ABC”.

Por fim, até o esquerdista PSOE votou em seu favor ao lado dos partidos conservadores PP e Ciudadanos, mas enfrentando uma enraivecida oposição das agrupações de esquerda e extrema-esquerda.

A 'Lobera' espada de São Fernando
A 'Lobera' espada de São Fernando
Essas tripudiaram contra o escudo acusando-o “rançoso, machista, que só reflete cinco séculos de história e omite as etapas pré-romanas e moderna”.

O furor do partido extremista Podemos se concentrou contra a presencia do Rei San Fernando, patrono da cidade, no centro segurando na mão em lugar do cetro a sua espada, símbolo que denegriam como “máxima expressão da violência e um apelo à conquista e à guerra”.

O escudo oficial de Sevilha agora exibe sobre esmalte vermelho ao rei entronizado com o famoso gládio chamado “Lobera” tendo à sua direita e esquerda dois bispos, além do manto real, a coroa e o lema da cidade.

Em 1248 São Fernando III de Castela reconquistou a cidade invadida pelos mouros e os bispos São Leandro e São Isidoro, brilharam no período visigodo.

A espada de São Fernando III é especialmente odiada porque o rei santo usou para conquistar Córdoba, Jaén, e para assaltar desde terra e água, Sevilha e as cidadelas que a rodeavam, todas muçulmanas.

Em 23 de novembro de 1248, o emir sevilhano Axataf se rendeu a São Fernando que portava a “Lobera” e instalou sua corte em Sevilha até morrer.

Procissão na catedral de Sevilha aberta pela 'Lobera'
Procissão na catedral de Sevilha aberta pela 'Lobera'
O rei santo foi procura-la no mosteiro de São Pedro de Cardeña, onde estava o sepulcro do mítico conde Fernán González do qual se ouviam as exclamações quanto em alguma parte os cristãos davam batalha aos maometanos.

Segundo o bispo de Pamplona Prudencio de Sandoval, o Santo Rei levou consigo a espada do herói e o pendão do conde para a campanha por Sevilha “confiado de que por esses meios Deus lhe entregaria a cidade e lhe daria a vitória contra os mouros”.

Após a tomada de Sevilha, essa espada virou o símbolo do poder de Fernando III, e assim aparecia em muitos gravados segurando na mão a “Lobera” em lugar do cetro.

Seu sucessor Affonso X ordenou em 1255, que cada 23 de novembro a toma de Sevilha fosse comemorada com uma procissão solene precedida com todas as honras pela “Lobera”.

São Fernando III, catedral de Sevilha
São Fernando III, catedral de Sevilha
Até hoje se conserva essa tradição e a espada é guardada como relíquia na Catedral da cidade.

O Infante e escritor Don Juan Manuel, neto do Rei Santo, deixou consignado em seu “Libro de los ejemplos del conde Lucanor y de Patronio”, escrito entre 1330 e 1335, que São Fernando III entregou a espada a seu filho o Infante Don Manuel, padre do escritor, dizendo: 

“Não tenho nada para vos dar em herança, mas eu vos dou minha espada Lobera, que é coisa de muito grande virtude com a qual Deus me fez muito bem”.

De fato, em 29 de agosto de 1326, o Infante Don Manuel, o escritor, derrotou às tropas muçulmanas do Reino de Granada na batalha de Guadalhorce, onde perderam a vida por volta de 3.000 infiéis e 80 castelhanos.

Na “Grande Crónica”, Affonso XI o Sábio relata que armado com a espada, fez uma carga que salvou o exército cristão da derrota quando sua retaguarda se estava derrubando perigosamente.

Vídeo: Procissão da espada de São Fernando III




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