terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Lordes hereditários atuam melhor que políticos eleitos

Apertura do ano parlamentar na Câmara dos Lordes
Um dos mais antigos órgãos de governo democrático é de origem medieval: trata-se da Câmara dos Lordes da Inglaterra.

Recentemente, porém, a nomeação de 50 novos membros da Câmara dos Lordes da Inglaterra suscitou cóleras igualitárias de uma mal-entendida "democracia".

Os lordes equivalem aos senadores em outros países, atuando também em alguns casos como ministros do Supremo Tribunal de Justiça.

São vitalícios e não eleitos, assumindo às vezes em virtude de privilégios medievais hereditários.

O jornalista Timothy Garton Ash, do jornal socialista “The Guardian”, embora avesso à nobreza e aos Lordes, reconheceu que os 714 nobres são “uma barreira contra as tendências populistas e autoritárias de um governo eleito”, e suas decisões são de “altíssimo nível”.

Concluiu afirmando: “A última coisa de que os britânicos precisam é uma versão piorada da Câmara dos Comuns, com homens fortes dos partidos sendo reciclados a partir de listas”.

Uma lição de bom senso e de genuína democracia, revelando que os melhores são os nobres independentes, nomeados em atenção a privilégios hereditários multisseculares.

Desejaria receber atualizações instantâneas e gratuitas de 'A cidade medieval' em meu email

terça-feira, 16 de março de 2010

O rei Carlos VII e a estuprada semvergonha

Carlos VII

Carlos VII foi um rei medieval. Ele não sobresaiu especialmente, a não ser pelo fato de Santa Joana d'Arc tirá-lo da desgraça e de corrosivas dúvidas interiores.

Entretanto, como todos os reis medievais ungidos pela Igreja, tinha um auxílio especial para governar. Eis um exemplo característico:


Uma moça foi queixar-se a Carlos VII, da França, de que fora violentada por um rapaz.

O rei mandou comparecer diante dele o culpado, e o obrigou a entregar à moça, em sua presença, uma vultosa indenização.

Logo depois que a moça se afastou, o rei disse ao rapaz:

— Agora vá atrás dela e tome-lhe o dinheiro.

O rapaz fez como lhe foi ordenado, mas a moça resistiu valentemente.

Carlos VII tendo a seu lado Santa Joana d'Arco
O rei ordenara também aos guardas que os acompanhassem à distância e lhe trouxessem novamente à presença o casal, flagrado nessa disputa pública.

Diante do rei, a moça ainda mantinha agarrada contra o peito a bolsa contendo a indenização.

E o rei lhe disse:

— Devolva a esse moço o dinheiro que lhe deu, pois você só foi violentada porque o quis. Se tivesse defendido a própria honra com tanto empenho como defendeu o dinheiro, ele não teria conseguido violentá-la, como não conseguiu retomar o dinheiro.