quarta-feira, 4 de outubro de 2023

A feira medieval: ordem, prosperidade, fartura, retidão.
Relação direta entre o produtor e o consumidor

"La foire du Lendit", anônimo, século XIV, 'Pontifical de Sens', França,  na BnF (departemento dos Manuscritos, Latin 962, fol. 264.
"La foire du Lendit", anônimo, século XIV, 'Pontifical de Sens', França,
na BnF (departemento dos Manuscritos, Latin 962, fol. 264.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





A cena representa uma feira medieval numa pequena cidade.

No centro destaca-se o bispo acompanhado do clero abençoando as atividades. O bispo está paramentado levando a mitra e o báculo dourado símbolos de seu alto múnus.

A Igreja zelava para que as transações comerciais acontecessem na boa ordem.

Mas não ficava intervindo a toda hora e propósito nessas atividades, como faz o Estado moderno com regulamentos e impostos.

A Igreja fazia algo mais importante.

Ela formava com seus ensinamentos a consciência dos fiéis para que elas fossem retas e soubessem praticar as virtudes.

Entre as virtudes estava a da justiça que é indispensável para se definir os preços e formas de pagamento justas, afastando abusos e disputas.

A Igreja ensinava com clareza os Mandamentos “Não roubarás” (7º) e “Não cobiçarás o bem alheio” (10º).

"La foire du Lendit", detalhe, anônimo, século XIV, 'Pontifical de Sens', França,  na BnF (departemento dos Manuscritos, Latin 962, fol. 264.
"La foire du Lendit", detalhe, anônimo, século XIV, 'Pontifical de Sens', França,
na BnF (departemento dos Manuscritos, Latin 962, fol. 264.
 Quando esses Mandamentos e suas consequências são bem conhecidos e praticados, a economia desenvolve-se com harmonia e paz, e não como hoje em dia.

Porém, como malandros sempre houve e haverá, a Igreja desempenhava outras funções subsidiárias que até nos fazem sorrir, mas que são indispensáveis.

Ainda hoje ‒ quem puder pode constatar ‒ entrando na belíssima catedral de Pisa, logo à direita, perto da pia de água benta, encontra-se um formidável pé de mármore branco incrustado na parede, entre outros mármores também de grande qualidade e beleza.

O que faz esse pezão numa catedral tão requintadamente artística?

Pois acontecia que a feira medieval da cidade reunia-se na praça em frente da catedral. E a medida do comércio era o pé, como hoje é o metro.

Não é de espantar que pudessem surgir disputas sobre se a medida usada por este ou aquele cliente ou vendedor fosse a correta.

Então, os interessados podiam entrar na catedral e conferir suas réguas com o pé de mármore e ver se estavam certas.

"La foire du Lendit", detalhe, anônimo, século XIV, 'Pontifical de Sens', França,  na BnF (departemento dos Manuscritos, Latin 962, fol. 264.
"La foire du Lendit", detalhe, anônimo, s.XIV, 'Pontifical de Sens',
na BnF (departemento dos Manuscritos, Latin 962, fol. 264.
Nas barraquinhas brancas vemos vários tipos de feirantes. Um dele exibe seus produtos, outro aguarda clientes.

Mais dois parecem estar combinando um preço.

Pacotes de produtos estão amarrados aguardando negociação.

Um pastor levou suas ovelhas, sem dúvida para serem vendidas, pois a economia medieval era fundamentalmente uma economia direta produtor-consumidor sem atravessadores.

Esta organização reduzia muito o preço final dos produtos e garantia ao produtor uma entrada mais justa e proporcionada.

Para o consumidor também era uma garantia de autenticidade: produtos que saiam da terra, ou das mãos dos artesões e artistas.

Na feira ao lado, sem dúvida a barraca mais concorrida é a dos comes e bebes.

Vários feirantes e/ou clientes estão sentados na mesa falando com muito entretenimento.

O garçom aparece levando umas taças enormes, sinal de que ali se bebe e come em abundância.

Nas portas das barraquinhas há umas insígnias penduradas. Elas indicam a especialidade do comerciante.

Numa vemos a figura de um ganso sinal que ali se encontram aves.

Numa outra um círculo feito com martelos. Parece ser a barraca de um ferreiro. Pelo menos o fato do jovem a cavalo ir em direção a ela sugere que ali se consertam ferraduras.

Todos manifestam enorme distensão, não há tensão nem agitação. Há atividade calma e produtiva.

Mas ninguém está vagabundeando, não há malandro à espreita de roubar ou falsificar alguma coisa.

As ruelas estão limpas. As pessoas também muito asseadas, bem vestidas, com roupas originais de cores alegres e variegadas. Todos eles são populares do campo ou comerciantes da cidade.

Assim os medievais viviam este momento tão corriqueiro e marcante da vida quotidiana que é uma feira e assim o deixaram registrado para a posteridade.


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segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Como Europa recuperou e aperfeiçoou a ordem em todos os pontos

São Bento, pai dos monges de Ocidente,  alma fundadora da Cristandade medieval.  Estátua em Montecassino, Itália
São Bento, pai dos monges de Ocidente,
alma fundadora da Cristandade medieval.
Estátua em Montecassino, Itália
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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No início da Idad Média, a Europa inteira não tinha nem caminhos nem pousadas; suas florestas estavam cheias de ladrões e assassinos; suas leis eram impotentes, ou, sobretudo, ali não havia lei alguma; a Religião só, como uma grande coluna elevada no meio das ruínas bárbaras, oferecia abrigos e um ponto de comunicação aos homens.

Sob a segunda linhagem de nossos reis, a França tendo caído na anarquia mais profunda, sobretudo os viajantes eram detidos, espoliados e mortos ao cruzar os rios.

Monges hábeis e corajosos tiveram a iniciativa de remediar estes males.

Formaram entre eles uma companhia, sob o nome de ‘hospitalários pontífices’ ou ‘fazedores de pontes’.

Obrigavam-se, pela sua instituição, a prestar socorro aos viajantes, a reparar os caminhos públicos, a construir pontes, a hospedar os estrangeiros nas hospedarias que eles elevavam à beira dos rios.

Hospitais de religiosos e religiosas atendiam gratuitamente
Hospitais de religiosos e religiosas atendiam gratuitamente
Fixaram-se primeiramente às margens do Durance, num local perigoso, chamado Maupas ou Mauvais-pas, que, graças a esses generosos monges, logo tomou o nome de Bon-pas, que guarda ainda hoje.

Foi esta ordem que construiu a ponte sobre o Ródano, em Avinhão.

Sabe-se que as encomendas e correios, aperfeiçoadas por Luís XI, foram primeiramente estabelecidas pela Universidade de Paris.

Sobre uma íngreme e alta montanha do Rouergue, coberta de neve e brumas durante oito meses do ano, percebe-se um mosteiro, construído pelo ano de 1120, por Alard, visconde de Flandres.

Uma legião de monges tirou Europa do caos e da ignorância
Uma legião de monges tirou Europa do caos e da ignorância
Este senhor, retornando de uma peregrinação, foi atacado nesse local por ladrões; fez voto de, se se salvasse de suas mãos, fundar naquele deserto uma hospedagem para os viajantes, e de expulsar os bandidos da montanha.

Tendo escapado ao perigo, foi fiel às suas promessas, e a hospedagem de Albrac ou de Aubrac elevou-se ‘in loco horroris et vastae solítudinis’, como diz a ata de fundação.

Alard ali fixou padres para o serviço da Igreja, cavaleiros hospitalários para escoltar os viajantes, e damas de qualidade para lavar os pés dos peregrinos, arrumar seus leitos, e cuidar de suas vestimentas.

Antes de partir para reinos estrangeiros, o viajante dirigia-se a seu Bispo, que lhe dava uma carta apostólica, com a qual passava seguro por toda a Cristandade.

A forma dessas cartas variava conforme a categoria e a profissão do portador, donde serem denominadas 'formatae' .

Assim, a Religião ocupava-se em religar os fios sociais, que a barbárie rompia sem cessar.

Em geral, os mosteiros serviam como hospedarias onde os forasteiros encontravam, na passagem, víveres e teto.
Os mosteiros funcionavam também como hotéis e refúgios gratuitos
Os mosteiros funcionavam também como hotéis e refúgios gratuitos

Essa hospitalidade, admirada entre os antigos, e cujos restos ainda se vê no Oriente, era honrada entre nossos religiosos: vários dentre eles, com o nome de hospitalários, consagraram-se particularmente a essa virtude tocante.

Ela manifestava-se, como nos dias de Abraão, em toda a sua beleza antiga, pelo lava-pés, o fogo da lareira e as doçuras da refeição e do repouso.

Se o viajante era pobre, davam-se-lhe vestidos, víveres e algum dinheiro para poder chegar a outro mosteiro, onde recebia os mesmos socorros.

As damas montadas sobre seu palafrím, os valentes buscando aventuras, os reis extraviados durante a caçada, batiam, no meio da noite, à porta das velhas abadias, e vinham partilhar a hospitalidade que se dava ao obscuro peregrino.

Os mosteiros salvaram a cultura, os grandes escritos da Antiguidade pagã
Os mosteiros salvaram a cultura, os grandes escritos da Antiguidade pagã
Às vezes seis cavaleiros inimigos encontravam-se ali e se faziam amável recepção, até o nascer do sol, quando, com o ferro à mão, mantinham um contra outro a superioridade de suas pátrias.

Boucicault, na volta da cruzada da Prússía, alojado num mosteiro com diversos cavaleiros ingleses, sustentou, só, contra todos, que um cavaleiro escocês, atacado por eles nos bosques, fora morto traiçoeiramente.

Nessas hospedarias da Religião, considerava-se prestar muita honra a um príncipe se se lhe propunha de tomar alguns cuidados dos pobres que por acaso ali se encontrassem.

O Cardeal de Bourbon, voltando após ter deixado a infortunada Elisabeth na Espanha, deteve-se no hospital de Roncevaux, nos Pirineus, serviu à mesa trezentos peregrinos, e deu a cada um três reais para continuarem sua viagem.

Le Poussin é um dos últimos viajantes que se beneficiou desse costume católico; foi à Roma, de mosteiro em mosteiro, pintando os quadros dos altares como retribuição pela hospitalidade que recebia.




(Autor : François René de Chateaubriand, « Génie du Christianisme », Garnier-Flammarion, Paris, 1966, Tomo II, pp. 219 a 226).



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segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Quando os Mandamentos de Deus regem a sociedade humana

Representação simbólica da Igreja militante nesta terra.
No centro do andar superior o Papa com a tríplice coroa; a seu lado arcebispos, cardeais
e chefes de ordens religiosas. No andar inferior: no centro um cardeal tendo aos lados bispos
ensinando aos povos o Evangelho junto com religiosos e doutores.
Em volta o povo rezando, pagãos sinceros ouvindo. Mas outros com foices tentam matá-los,
tal vez símbolo de hereges e/ou pagãos perseguidores como os islâmicos hoje.
 
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Se imaginarmos uma sociedade em que ninguém cumpre os Mandamentos da Lei de Deus, ter-se-ia uma sociedade que vai explodir.

Se imaginarmos uma sociedade onde todos cumprem os Mandamentos, ter-se-ia uma sociedade em pleno florescimento.

A razão é muito simples: os Dez Mandamentos mostram a ordem que Deus pôs nas coisas.

Esta ordem posta por Deus produz naturalmente frutos.

E os frutos do precioso Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo para que todas as coisas dêem certo são excelentes.

Por quê?

Porque pelo sangue d’Ele nós obtemos a graça, e sem a graça nós não obteríamos nada.

E é essa graça que nos torna capazes de cumprir os Mandamentos.

É doutrina condenada pela Igreja achar que o homem pode sem a graça praticar duravelmente, na sua totalidade, os Mandamentos.

Um bandido pode praticar alguns mandamentos; por exemplo, um celerado pode assassinar pessoas, mas não roubar.

A construção da cidade católica
A construção da cidade católica
Ou um médico relaxado por culpa de quem os doentes morrem, mas que propriamente não tira o dinheiro da carteira dos outros. Ele cumpre um ou outro mandamento, mas cumprir todos juntos, sem a graça de Deus não consegue.

Então, se os homens todos recebem a graça, e a graça nunca falta a ninguém porque Deus a oferece sempre, eles podem agir de acordo com os Mandamentos.

E se todos os homens que pertencem a uma sociedade cumprem os Mandamentos, essa sociedade é levada ao seu píncaro.

Ali pode se perceber toda a dimensão do elogio feito por S.S. Leão XIII à Idade Média:


“Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados.

“Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil.

“Então a Religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças ao favor dos Príncipes e à proteção legítima dos Magistrados.

“Então o Sacerdócio e o Império estavam ligados entre si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios.

“Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda a expectativa, cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer”. (S.S. Leão XIII, Encíclica “Immortale Dei”, de 1º-XI-1885, “Bonne Presse”, Paris, vol. II, p. 39).

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 28/2/91. Sem revisão do autor)




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segunda-feira, 24 de julho de 2023

O comércio e as profissões em espírito de família

Enriquecimento geral pelo comércio e o artesanato. Castello dei Conti (Itália)
Enriquecimento geral pelo comércio e o artesanato.
Passeata histórica em Castello dei Conti (Itália)
Luis Dufaur
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Com o comércio, o elemento essencial da vida urbana é o ofício.

A forma como foi compreendido na Idade Média, como se regulou o seu exercício e as suas condições, mereceu reter particularmente a atenção da nossa época, que vê no sistema corporativo uma solução possível para o problema do trabalho.

Mas o único tipo de corporação realmente interessante é a corporação medieval, tomada no sentido lato de confraria ou associação de ofício, logo alterada sob pressão da burguesia.

Os séculos seguintes não conheceram dela senão deformações ou caricaturas.

Corporação: é a custo que empregamos este termo, do qual tanto se abusou, e que se prestou a inúmeras confusões a propósito das nossas antigas instituições.

Notemos em primeiro lugar que se trata de um vocábulo moderno, que só aparece no século XVIII. Até então só tinha sido questão de mestrias ou de confrarias (jurandes).

Feira medieval: comércio direto entre produtor e consumidor
Feira medieval: comércio direto entre produtor e consumidor
Estas, caracterizadas pelo monopólio de fabrico por um dado ofício numa cidade, foram bastante pouco numerosas durante o belo período da Idade Média.

Existiam em Paris, mas não no conjunto do reino, onde começaram a tornar-se o regime habitual — ainda com inúmeras exceções — apenas no fim do século XV.

A idade de ouro das corporações não foi a Idade Média, mas o século XVI.

Ora, a partir dessa época, sob o impulso da burguesia, elas começavam a ser de fato formadas pelos patrões, que fizeram da mestria uma espécie de privilégio hereditário.

Esta tendência se acentuou de tal forma, que nos séculos seguintes os mestres constituíam uma verdadeira casta, cujo acesso era difícil, senão impossível, para os operários pouco afortunados.

Estes não tiveram outro recurso senão formar por sua vez, para sua defesa, sociedades autônomas e mais ou menos secretas, as companheiragens.

Depois de ter sido, no espírito de determinados historiadores, o sinônimo de “tirania”, a corporação foi alvo de juízos menos severos e por vezes de elogios exagerados.

Os trabalhos de Hauser tiveram sobretudo por finalidade reagir contra esta última tendência e demonstrar que é preciso evitar ver nela um mundo “idílico”.

É bem certo que nenhum regime de trabalho pode ser qualificado de “idílico”, tanto a corporação como algum outro, a não ser talvez por comparação com a situação criada ao proletariado industrial do século XIX, ou com inovações modernas tais como o sistema Bedaud.

Não poderíamos definir melhor a corporação medieval do que vendo nela uma organização familiar aplicada ao ofício.

Entrar num emprego ou profissão era como entrar numa família
Entrar num emprego ou profissão era como entrar numa família
Ela é o agrupamento, num organismo único, de todos os elementos de um determinado ofício: patrões, operários e aprendizes estão reunidos, não sob uma autoridade dada, mas em virtude dessa solidariedade que nasce naturalmente do exercício de uma mesma indústria.

Como a família, ela é uma associação natural, não emana do Estado nem do rei.

Quando São Luís manda Étienne Boileau redigir o Livre des métiers (Livro dos ofícios), é apenas para colocar por escrito os usos já existentes, sobre os quais não intervém a sua autoridade.

O único papel do rei face à corporação, como de todas as instituições de direito privado, é controlar a aplicação leal dos costumes em vigor.

Como a família, como a universidade, a corporação medieval é um corpo livre, que não conhece outras leis senão as que ela própria forjou. 

É esta a sua característica essencial, que conservará até ao fim do século XV.
Loja medieval: o artesão vendia diretamente sua produção
Loja medieval: o artesão vendia diretamente sua produção

Todos os membros de um mesmo ofício fazem obrigatoriamente parte da corporação, mas nem todos, bem entendido, desempenham aí o mesmo papel.

A hierarquia vai dos aprendizes aos mestres-jurados, que formam o conselho superior do ofício.

Habitualmente distinguimos aí três graus:

̶  aprendiz,


̶ companheiro ou servente de ofício e


̶ mestre.

Mas isto não pertence ao período medieval, durante o qual, até por meados do século XIV, na maior parte dos ofícios se pode passar a mestre logo que terminada a aprendizagem.

Os serventes de ofício só se tornarão numerosos no século XVIII, quando uma oligarquia de artesãos ricos procura cada vez mais reservar-se o acesso à mestria, o que esboça a formação de um proletariado industrial.


(Autor: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)


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