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terça-feira, 14 de junho de 2016

As refeições medievais: imensa variedade
aproveitando os recursos regionais

Peregrinos rumo a Compostela sentados na mesa de uma taverna da estrada
Peregrinos rumo a Compostela sentados na mesa de uma taverna da estrada
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



O regime geral das refeições variava muito com as regiões, estando muito mais dependente dos recursos locais do que hoje em dia.

É certo que as trocas eram numerosas, mais extensas do que se poderia acreditar, uma vez que os figos de Malta e a uva da Armênia eram apregoados em Paris.

Os comerciantes italianos e provençais traziam para as grandes feiras da Champagne e da Flandres os produtos exóticos.

Num plano mais restrito, os mercados atraíam negociantes de quase todas as regiões de França.

Mas essas trocas eram naturalmente menos generalizadas do que nos nossos dias, e se excetuarmos o movimento comercial criado em torno do castelo senhorial, vivia-se no campo à base das produções locais.

Não eram utilizados processos de cultura artificiais para fazer avançar as estações.

Por outro lado, os dias de jejum e abstinência eram muito numerosos, e a alimentação mudava de época para época muito mais do que hoje em dia.

Durante toda a Quaresma, compunha-se unicamente de legumes, peixes e caças de água, temperados com azeite.

O mesmo acontecia nas vigílias ou nas vésperas de dias santos, significando uma quarentena de dias por ano.



Deve-se observar que essas prescrições eclesiásticas estavam perfeitamente de acordo com os preceitos da higiene: o jejum da primavera e o das mudanças de estação corresponde a uma necessidade de saúde, enquanto a grande época das festas, que se traduzem inevitavelmente em comezainas, se situa nos meses mais frios do inverno, quando o organismo sente necessidade de uma alimentação rica.

Em qualquer dos casos, com base nos tratados de cozinhas guardados nas nossas bibliotecas e em obras tais como esse precioso Ménagier de Paris, conclui-se que a mesa era na Idade Média muito cuidada, para não dizer muito refinada.

Dá-se grande importância à apresentação dos pratos e à ordenação geral das refeições. Nas residências senhoriais, os convivas sentam-se em mesas compridas, apoiadas em cavaletes e recobertas de toalhas brancas.

O chão está muitas vezes, nos dias de festa, juncado de flores e de folhagens recém-apanhadas.

Serviço doméstico da mesa no tempo do rei João da Inglaterra, 1199-1216
Serviço doméstico da mesa no tempo do rei João da Inglaterra (1199-1216)
As mesas são dispostas em quadrado ao longo das paredes, não existindo portanto o face-a-face, de modo que o pessoal doméstico possa ir e vir e pôr diante de cada conviva aquilo de que este necessitar.

Os convidados são sempre numerosos, pois é hábito de todos os barões ter mesa aberta.

Robert de Blois indigna-se com o pensamento de que alguns senhores mandam fechar as portas das salas onde comem, em vez de as manterem abertas a quem chega.

A hospitalidade é então um dever sagrado, estende-se tanto à populaça como aos iguais.

Por outro lado, a corte do senhor compreende todos os escudeiros ligados ao seu serviço, os filhos dos seus vassalos, grande parte dos seus parentes.

De tal modo que, ao lado da grande mesa onde o suserano se senta em lugar de honra há toda uma multidão de comensais, mais ou menos bem colocados segundo os seus títulos de precedência.

Este costume explica por que os cavaleiros do rei Artur, entre os quais reina uma perfeita igualdade, se sentam em redor de uma mesa redonda ou desenhando uma espécie de ferradura, de modo que todos os lugares sejam igualmente honrosos, sem no entanto se tornar impossível servir os convivas.


(Autor: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)





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