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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Os ritmos da vida e horários
ditados pelos sinos religiosos e públicos

Relógio público na cidade de Rouen, França.
Relógio público na cidade de Rouen, França.



Nas ruidosas cidades medievais, onde fervilhava uma população incessantemente atarefada, a voz dos sinos contava as horas, e também isso fazia parte do “fundo sonoro”.

O ângelus — de manhã, ao meio-dia e à noite — marca as horas de trabalho e de repouso, desempenhando o papel das modernas sirenes de fábrica.

O sino anuncia os dias de festa, chama por socorro em caso de alarme, convoca o povo para a assembleia geral, ou os almotacés para o conselho restrito, toca a rebate de incêndio, dobre de finados, carrilhões de festas.

Pela sua voz, pode-se seguir a vida da cidade durante todo o dia, até soar à noite o recolher.

Na noite


Extinguem-se então as luzes das lojas, os clarões dos assadores; recolhem-se os telheiros, fecham-se os portões; quando se teme qualquer surpresa, fecha-se a cidade e as suas portas, levantam-se as pontes levadiças e baixam-se as grades.

Por vezes é suficiente colocar correntes atravessando as ruas, o que tem igualmente a vantagem, nos bairros mal afamados, de cortar a retirada aos malandros.


Clique para ouvir o carilhão das horas da catedral de Paris :


Só permanecem iluminados os pavios que dia e noite pestanejam diante das estatuetas da Virgem e dos santos abrigadas em nichos na esquina das casas, e diante dos Cristos no cruzamento das ruas.



Fora da cidade, nos portos, irradiam os faróis que marcam a entrada do ancoradouro e os principais recifes.

Os viajantes retardatários só têm direito de circular munidos de uma tocha.

Nas cidades marítimas, toleram-se as idas e vindas dos que estão à espera de embarque.


Clique para ouvir os sinos da abadia de Ettal, Alemanha:


Em tempo de alarme, ou quando se declara um sinistro qualquer — incêndio, avaria grave num navio, perigo de naufrágio — as autoridades mandam colocar tochas na equina das ruas, para permitir socorros rápidos e prevenir os acidentes.

A corte do senhor retira-se então para o interior da casa, cujas paredes teve-se a precaução de construir bem espessas, servindo de muralhas contra o frio, o calor e os ruídos importunos.

(Autor: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)



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Um comentário:

  1. Gostei muito desse post! Todo o blog está de parabéns! e surgiu uma duvida: é dito que "...Por vezes é suficiente colocar correntes atravessando as ruas, o que tem igualmente a vantagem, nos bairros mal afamados, de cortar a retirada aos malandros..."
    Como assim? Estendia-se uma corrente atravessando uma rua residencial, pregada nas paredes das casas que estavam uma em frente a outra, para fazer com que bandidos tenham dificuldades em correr em caso de assalto? Eles tropeçavam nessas correntes estendidas?

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