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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Viagens, desportes, festas, mas formação profunda para triunfar na vida.
O ensino na Idade Média – 6


Ao sair das suas sessões de trabalho na faculdade e no colégio, o estudante medieval é um desportista capaz de percorrer caminhos de várias léguas, e também — os anais da época o lastimam demais — de manejar a espada.

Por vezes, nessa população turbulenta rebentam rixas nos arredores de Sainte-Geneviève ou de Saint-Germain-des-Prés, e é por ter sabido servir-se da sua arma demasiado bem que François Villon teve de deixar Paris.

Os exercícios físicos são-lhe tão familiares como as bibliotecas. 

Mais ainda que nos outros corpos de ofícios, a sua vida suaviza-se com festas e divertimentos que alegram o Quartier Latin.

Sem falar da Festa dos Loucos ou a dos Tolos, que são ocasiões excepcionais, não há recepção de doutor que não seja seguida de cerimônias paródicas, nas quais os graves professores da Sorbonne participam.

Ambroise de Cambrai, que foi chanceler da Faculdade de Decreto, tomou o seu papel a peito e deixou-nos o relato delas nas apreciações críticas pormenorizadas que empreendeu durante o tempo em que ocupou o seu cargo.

Notamos que a Idade Média não conhece fosso entre ofícios manuais e profissões liberais. Os termos são, a este propósito, significativos: qualifica-se de mestre tanto o fabricante de tecidos que terminou a sua aprendizagem como o estudante de teologia que obteve a licença de ensino.

Um ser assim formado estava tão preparado para a ação como para a reflexão, e é sem dúvida por isso que se vê nessa época as personalidades adaptarem-se às situações mais diversas e triunfar.

Prelados combatentes, como Guillaume des Barres ou Guérin de Senlis na batalha de Bouvines; juristas capazes de organizar a defesa de um castelo, como Jean d’Ibelin, senhor de Beyrouth; mercadores exploradores, ascetas construtores, etc.

A universidade foi o grande orgulho da Idade Média. Os papas falam com benevolência desse “rio de ciência que, através das suas múltiplas derivações, irriga e fecunda o terreno da Igreja universal”.

Nota-se, não sem satisfação, que em Paris a multidão dos estudantes é tal que o seu número chega a ultrapassar o da população. 

É-se cheio de indulgência por eles, e gozam da simpatia geral apesar das suas ”gracinhas” e pilhérias, que frequentemente incomodam os burgueses.

Algumas cenas da sua vida foram descritas por um dos escultores do portal Saint-Étienne, em Notre-Dame de Paris: Vemo-los a ler e estudar; uma mulher vem perturbá-los, e arranca-os dos seus livros; para a punir, é colocada no pelourinho por ordem da autoridade.

Os reis dão o exemplo desse modo de tratar os “escolares” como meninos mimados: Filipe Augusto, depois da batalha de Bouvines, mandou um mensageiro anunciar a sua vitória em primeiro lugar aos estudantes parisienses.


Tudo o que respeita ao saber é assim honrado na Idade Média: “Com desonra morra merecidamente quem não gosta de livro”, dizia um provérbio.

Basta inclinarmo-nos sobre os textos para encontrar sinal das medidas pelas quais qualquer apetite de ciência era encorajado e alimentado.

Entre outras, citamos a criação em 1215 de uma cátedra de teologia em Paris, especialmente para permitir aos padres da diocese aperfeiçoarem-se e completarem os seus estudos, o que testemunha a preocupação de manter um grau elevado de instrução, mesmo no baixo clero.

O “homem avisado”, esse tipo de homem completo que foi o ideal do século XIII, devia ser necessariamente um letrado.

(Autor: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge” - Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)

Continua no próximo post



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