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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A mística do guerreiro medieval

O guerreiro típico da Idade Média é aquele que combate por uma razão religiosa. Ainda que de imediato se trate de uma guerra feudal, em que estão, portanto, envolvidas questões de terras, de limites, etc., no fundo há algo de religioso.

Porque para os senhores é quase impossível pegar isso, pela enorme diferença de idade que há entre nós. Mas eu peguei restinhos disso.

Uma família é tida como uma pequena pátria, e deixar de pertencer à família é uma vergonha como deixar de pertencer à pátria.

Por quê?

Porque toda família tem uma mentalidade própria e um modo de ser próprio de dar glória a Deus. E se desaparece aquela família, é a mesma coisa do que alguém roubar um pedaço de um vitral.

O vitral seria o país, os pedaços do vitral seriam as famílias. E é uma espécie de obrigação não deixar perecer a família, nem a honra dela, nem o nome dela. Sustentar, portanto, a honra dela até no combate.

O modo de um pai ou de uma mãe passar um pito no filho é dizer: “Você é a vergonha de nossa família”. Quer dizer, está fazendo com que aquele pedaço de cristal do vitral perca a sua beleza e fique como se alguém colasse nele um pedaço de folha de papel jornal.

Tudo era brilhante, mas ali tem um caco qualquer sem expressão por estar colado um pedaço de jornal. Essa é a família que perdeu a sua expressão.


No fundo disso há uma razão religiosa. E o guerreiro, quando vai para a guerra, vai para sustentar a honra, a grandeza dos limites de sua terra senhorial.

Ainda muito mais quando ele ia como cruzado para a guerra santa contra os maometanos que ocupavam Jerusalém, contra os pagãos do norte da Europa, ou contra os maometanos de Espanha e Portugal.

Ele ia inflamado pela idéia de que estava lutando por tal ponto da doutrina católica. Uma graça o tocava e ele acendia com aquilo, e animava toda sua alma de altaneria, coragem, gosto do desafio, gosto do risco por amor àquilo que está sendo contestado.

No meu modo de entender, pelo menos muito freqüentemente, essa atitude tinha algo de místico. De onde a reverência enorme prestada ao guerreiro pelo homem de paz.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 28/2/91. Sem revisão do autor)




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