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terça-feira, 26 de março de 2013

Dignidade pessoal nas categorias sociais

Bispo, fachada da catedral de Reims, França.
Havia na Idade Média uma forma de distinção própria a cada classe social, e condicionada à função de cada qual na sociedade.

Havia uma distinção eclesiástica, uma distinção aristocrática e uma burguesa.

É necessário não confundir a distinção, segundo a concepção medieval, com a dos tempos modernos.

No Ancien Régime, por exemplo, a distinção eclesiástica era ter o cabelo empoado, usar lencinho, e uma série de atitudes congêneres que davam idéia de um homem adamado, freqüentando a sociedade mundana.

Na Idade Média, pelo contrário, vemos o espelho da distinção eclesiástica nas imagens de bispos esculpidas nos portais das catedrais góticas.

Elas nos apresentam homens eretos, de porte firme, olhar profundo e simplicidade de maneiras.

terça-feira, 12 de março de 2013

San Gimignano: Ufania em relação a um passado de glória

San Gimignano a cidade das torres, na Toscana, Itália

A série de torres — para um olho mal habituado, deformado pelo espírito contemporâneo –– à primeira vista poderiam parecer arranha-céus.
San Gimignano é a famosa cidade, situada na Toscana, cercada por muralhas.

Todas suas construções são medievais.

San Gimignano era uma urbe guerreira, que visava ser a sentinela daquela região da Toscana.

Ela exprime exatamente a idéia do que seria uma cidade de menor porte daquela época, com construções bem simples.

terça-feira, 5 de março de 2013

As corporações de mestres (patrões) e aprendizes ditavam suas próprias leis trabalhistas

Comércio. Catedral de Chartres, vitral dos Apóstolos
Padaria, venda de pães. Vitral dos Apóstolos, catedral de Chartres, França

“O exercício de cada profissão era objeto de uma minuciosa regulamentação, que existia principalmente para manter o equilíbrio entre os membros da corporação.

Toda tentativa para embaraçar um mercado, todo esboço de entendimento entre alguns mestres em detrimento de outros, toda apropriação de quantidades excessivamente grandes de matérias-primas, eram severamente punidas.

“Nada mais contrário ao espírito das antigas corporações do que os grandes estoques, a especulação ou os “trusts”.

“Era também punido o desvio da clientela dos vizinhos pelo abuso da propaganda.
Entretanto a concorrência existia sempre, mas restrita ao domínio das qualidades pessoais.

O único modo de atrair os fregueses era fazer pelo mesmo preço um determinado produto mais bem acabado e mais perfeito que o dos vizinhos.

Tintureiro, aprendiz auxilia mestre e aprende ofício. Catedral de Chartres, vitral dos Apóstolos
Aprendiz auxilia o mestre tintureiro, enquanto aprende o ofício.
Catedral de Chartres, vitral dos Apóstolos
“Os regulamentos lá estavam, para zelar pela boa execução dos trabalhos, apontar as fraudes e punir os transgressores.

“Com este objetivo o trabalho deveria, o quanto possível, ser feito ao ar livre, ou ao menos de modo bem visível.

“Tudo devia ser mostrado à luz do dia, na qual o malandro não gosta de permanecer, e onde “maître Patelin” (espertalhão) não consegue enganar o comerciante ingênuo.

“Os mestres-jurados ou guardas de ofício cuidavam também da fiel observância dos regulamentos.

“Exerciam severamente o direito de visita.

Os fraudadores eram colocados no pelourinho e expostos juntamente com sua má mercadoria durante certo tempo.

“Seus companheiros eram os primeiros em apontá-los, fazendo-os sentir o desprezo de seus confrades, ofendidos pela vergonha que jorrava sobre todo o ofício.

“Eram colocados à margem da sociedade.

“Por isso os falsificadores eram olhados mais ou menos como os cavaleiros perjuros, que teriam merecido a degradação.”


Fonte: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)




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