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terça-feira, 18 de abril de 2017

Rotemburgo: bom gosto e dignidade na vida popular medieval


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





A sociedade da Idade Média dividia-se em três classes.

A mais alta das classes era o Clero, porque constituída por pessoas consagradas a Deus, integrantes da estrutura da Igreja Católica Apostólica Romana.

A segunda classe era a Nobreza — a classe dos guerreiros e dos proprietários de terras no interior.

Em caso de guerra, eram eles que iam para a frente de batalha. Serviço militar obrigatório era só para os nobres.

Para os plebeus, o serviço militar era muito restrito.

Por fim a Plebe — era a terceira classe, portanto —, à qual cabia a produção econômica.

Habitualmente, quando ouvimos falar em Idade Média, pensamos em catedrais suntuosíssimas, em castelos magníficos.

E com base na realidade, porque na Idade Média construíram-se catedrais e castelos incomparáveis.

Mas é natural a indagação: como seria então a vida da plebe — ou seja, do burguês e do trabalhador manual — nessa época?

Caminho de ronda nas muralhas que protegiam  a cidade burguesa
Caminho de ronda nas muralhas que protegiam  a cidade burguesa
A cidade cujas ilustrações vemos nestas fotos oferece-nos uma resposta palpável de como era essa vida.

Qual é a localidade?

É a cidadezinha construída naquele período histórico, denominada Rothenburg ob der Tauber.

Tauber é o nome de um riozinho que banha essa cidade. Em português: Rotemburgo sobre o Tauber.

A cidade era fortificada, porque poderia haver incursões de inimigos do Sacro Império Romano Alemão que quisessem tomá-la.

Para essa eventualidade, havia uma muralha que a cercava e a tornava absolutamente fortificada, como uma fortaleza.

Rothenburg ob der Tauber: vida burguesa em meio à poesia e à ordem
Rothenburg ob der Tauber: vida burguesa em meio à poesia e à ordem
Em seu interior, porém, encontramos o contrário.

Era uma cidade de trabalho, onde se vivia o dia-a-dia da pequena burguesia medieval ou do trabalhador manual.

Naturalmente, as construções mais bonitas eram as da pequena burguesia. Grande burguesia como que não havia lá. Era praticamente só a pequena.

As casas, em grande parte, comportavam a residência de mais de uma família. Eram prédios de apartamentos daquele tempo.

Havia uma entrada geral do edifício, o qual continha vários apartamentos.

Pode-se conjeturar que nos andares de cima ficavam os aposentos dos trabalhadores
manuais e nos dois andares de baixo residiam as pessoas mais abastadas.

Como não havia elevador naquele tempo, para morar lá no alto era necessário subir escadas a mais não poder.

O resultado era que o aluguel desses andares era mais barato.

Os prédios eram indiscutivelmente bonitos.

Não da beleza de um castelo, mas belos, dignos e inteiramente diferentes de uma favela ou das moradias de um bairro operário de qualquer cidade moderna.

Há uma ideia de solidez e aconchego nesses edifícios, que nos possibilita avaliar o prazer de estar em seu interior.

Tem-se a impressão de que lá come-se bem, dorme-se bem, e nos dias feriados descansa-se bem.

E na Idade Média o número de feriados era colossal.

As cores dos edifícios são discretas, embora não sejam tristes. São cores agradáveis.

Há uma preocupação de bom gosto e de arte em tudo, até nos pinheirinhos plantados diante das casas, que são encantadores.

Termino citando Karl Marx. Numa obra em que ele apresenta a história do operariado europeu, há uma frase que os comunistas atuais não gostam de repetir: "A idade de ouro do operariado europeu foi a Idade Média".






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terça-feira, 4 de abril de 2017

A burguesia rica: cidadãos ilustres e banqueiros

Banquete, Musée du Petit-Palais, Paris. Ms. Histoire du Grand Alexandre
Banquete, Musée du Petit-Palais, Paris. Ms. Histoire du Grand Alexandre
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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política internacional,
sócio do IPCO,
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Na cena ao lado o ambiente é dos mais elevados.

Estamos na presença de um festim de gente rica e nobre.

Percebe-se a diferença.

A figura vestida de vermelho é o personagem de mais realce e está colocado num plano mais alto.

Ele está olhando para um outro que lhe está fazendo uma saudação pomposa.

Nas mesas do banquete há comerciantes ricos.

Na segunda imagem vemos uma reunião de banqueiros.

Um está ouvindo notícias de seus negócios; outro já fez o bom negócio e está guardando dentro da bolsa e anotando entradas e saídas.

Os bancos estavam naquele tempo apenas se organizando.

Outro banqueiro está contando dinheiro em cima da mesa e discute com o banqueiro de azul.

À direita um outro ainda vem fazer o pagamento.

O banqueiro está vestido com um tecido magnífico.

O banqueiro era sempre um plebeu; era um típico burguês, quer dizer habitante do burgo ou cidade.

Todos eles estão contentes.

O que está pagando eu não diria que está muito satisfeito, mesmo porque a função de pagar é menos alegre do que a de receber, mas positivamente não é nem um faminto nem um maltrapilho.


(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 22/4/1973. Sem revisão do autor).


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