Reencenação de um jantar dos castelões, hóspedes, empregados e viajantes. Castelo de Amorosa, Califórnia. |
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de política internacional, sócio do IPCO, webmaster de diversos blogs |
Na Idade Média, o refinamento dos costumes fez grandes avanços.
Não só eram gerais hábitos elementares como o de lavar as mãos antes das refeições — na parábola do mau rico, vemo-lo impacientar-se porque a mulher, lenta ao lavar as mãos, o retarda na ida para a mesa —, mas ainda eram cultivados certos preciosismos, como o uso de taças para lavar as mãos na mesa.
O Ménagier de Paris dá uma receita “para fazer água de lavar as mãos à mesa”:
“Ponha-se a ferver salva, em seguida escorra-se a água e faça-se arrefecer até mais do que morna.
“Põe-se no de cima camomila, manjerona ou rosmaninho, e se põe a cozer com cascas de laranja. Também as folhas de loureiro são boas”.
Para que se tenha sentido necessidade de fornecer tais receitas, é preciso que as donas de casa tenham levado muito longe os cuidados com o interior da casa e o sentido da apresentação.
As donas de casa deviam estar atentas para que não faltassem o vinho e as bebidas. Foto do cortejo histórico na cidade de Asti, Itália. |
“Às horas pertinentes, mandai-os sentar à mesa e dai-lhes repasto de uma única espécie de carne, largamente e abundantemente, e não de várias, nem deleitáveis ou delicadas, e servi-lhes uma só bebida alimentícia e não molesta, vinho ou outra, e não várias; e admoestai-os para que comam muito, bebam bem e abundantemente.
“E após o seu segundo labor e nos dias de festa, que tenham outra refeição; e em seguida, a saber, nas vésperas, que sejam saciados abundantemente como antes, e largamente; e se a estação o requerer, que sejam aquecidos e postos a contento”.
Em suma, três refeições ao dia, uma alimentação simples mas sólida, e vinho como bebida.
Isto sobressai igualmente nos romances de ofícios, onde se vê os burgueses abastados comerem com os criados à mesa e alimentá-los do mesmo modo que a si próprios, como já não se pratica senão nos nossos campos.
(Autor: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)
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