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terça-feira, 17 de novembro de 2015

Higiene e saúde nas ruas e nas casas,
mais que em séculos posteriores

Casas populares em Troyes, região da Champagne, França. A dignidade, a compostura e a salubridade de casas, ruas e logradouros foram muito prezadas na Idade Média.
Casas populares em Troyes, região da Champagne, França.
A dignidade, a compostura e a salubridade de casas, ruas e logradouros
foram muito prezadas na Idade Média.



Podemos perguntar, perante estes testemunhos inegáveis, o que é que terá sugerido a um Luchaire a estranha opinião segundo a qual as casas medievais não passavam de “pocilgas fedorentas, e as ruas eram cloacas” (apud La société française au temps de Philippe-Auguste, p. 6.).

É verdade que não cita monumento nem documento de espécie alguma em apoio à sua afirmação, e concebe-se dificilmente a razão pela qual, se tinham o hábito de viver em pocilgas, os nossos antepassados puseram tanto cuidado em orná-las de janelas com colunas dividindo-as ao meio, de arcaturas trabalhadas assentes em finas colunetas esculpidas, que reproduzem muitas vezes a ornamentação das capelas vizinhas.

Isso ainda se pode ver na Borgonha em Cluny, no Auvergne em Blesle, na Gasconha na pequena vila de Saint-Antonin, para citar apenas casas datadas da época romana, quer dizer, do século XI ou dos primeiros anos do século XII.

Quanto às ruas, longe de serem “cloacas”, são pavimentadas desde muito cedo, e Paris o foi desde os primeiros anos do reinado de Filipe Augusto.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

A vida borbulhante e participativa nas ruas medievais

Na Idade Média toda a atividade acontecia na rua, à luz do dia. Todos podiam ver como o produto era fabricado, como o serviço era feito, e encomendar as coisas como cada um queria.
Na Idade Média toda a atividade acontecia na rua, à luz do dia.
Todos podiam ver como o produto era fabricado,
como o serviço era feito, e encomendar as coisas como cada um queria.



O ambiente da rua é muito importante para o homem da Idade Média, pois vive-se muito na rua, o que é mesmo uma verificação assaz curiosa de fazer.

Até então, e de acordo com o uso corrente na Antiguidade, as casas eram iluminadas por dentro, apresentando poucas ou nenhuma abertura para o exterior.

Na Idade Média elas abrem-se para a rua. Isso é o índice de uma autêntica revolução dos costumes, pois a rua torna-se um elemento da vida quotidiana, tal como o haviam sido, no passado, a ágora ou o gineceu.

As pessoas gostam de sair. Todos os lojistas têm um toldo que montam todas as manhãs, e expõem os seus artigos ao ar livre.

A iluminação foi, antes do século da eletricidade, uma das grandes dificuldades da existência, e a Idade Média, amante de luz, resolvia a questão tirando o maior proveito da luz do dia.

Um mercador de tecidos que arrastava os clientes até ao fundo da loja era mal considerado, pois se seus artigos não contivessem algum defeito, ele não teria receio de expô-los em plena rua, tal como o faziam todos os outros.

O que o cliente quer é poder acotovelar-se sob o toldo e examinar à vontade, em pleno dia, as peças entre as quais fará recair a sua escolha com os conselhos do seu alfaiate, que o mais das vezes o acompanha para isso.

O cordoeiro, o barbeiro, mesmo o tecelão, trabalham na rua ou virados para ela.

O cambista instala as suas mesas sobre cavaletes, no exterior, e tudo que a autoridade municipal pode fazer, para evitar estorvos, é limitar a uma escala fixa a dimensão dessas mesas.