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domingo, 22 de dezembro de 2013

terça-feira, 19 de novembro de 2013

O medieval era ignorante ou tinha uma sabedoria superior?
O ensino na Idade Média – 7


Nestas condições, podemos perguntar-nos se na Idade Média o povo era tão ignorante como em geral se supõe.

Ele tinha ao seu alcance, incontestavelmente, os meios de se instruir, e a pobreza não era um obstáculo, uma vez que o custeio dos estudos podia ser inteiramente gratuito, da escola da aldeia (ou antes, da paróquia) até à universidade.

E ele aproveitava-se disso, uma vez que abundam os exemplos de pessoas humildes tornadas grandes clérigos.

Significa isto que a instrução estava tão divulgada como nos nossos dias?

Parece que sobre este ponto houve um mal-entendido, pois mais ou menos se confundiu a cultura com a letra, pois para nós um iletrado é fatalmente um ignorante.

O número de iletrados era sem dúvida maior na Idade Média do que na nossa época. (De fato é bem menos do que se disse, uma vez que a maior parte das testemunhas que intervêm nos atos notariais sabem assinar; e entre outros exemplos tem-se o de Joana d’Arc, pequena camponesa que contudo sabia escrever.)

 Mas é justo este ponto de vista? O alfabeto pode ser tomado como único critério da cultura? Do fato de a educação se ter tornado sobretudo visual, pode-se concluir que o homem apenas se educa pela visão?

Num capítulo dos estatutos municipais de Marselha, datando do século XIII, depois de enumerar as qualidades exigidas de um bom advogado, acrescenta-se litteratus vel non litteratus (quer seja letrado, quer não).

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Viagens, desportes, festas, mas formação profunda para triunfar na vida.
O ensino na Idade Média – 6


Ao sair das suas sessões de trabalho na faculdade e no colégio, o estudante medieval é um desportista capaz de percorrer caminhos de várias léguas, e também — os anais da época o lastimam demais — de manejar a espada.

Por vezes, nessa população turbulenta rebentam rixas nos arredores de Sainte-Geneviève ou de Saint-Germain-des-Prés, e é por ter sabido servir-se da sua arma demasiado bem que François Villon teve de deixar Paris.

Os exercícios físicos são-lhe tão familiares como as bibliotecas. 

Mais ainda que nos outros corpos de ofícios, a sua vida suaviza-se com festas e divertimentos que alegram o Quartier Latin.

Sem falar da Festa dos Loucos ou a dos Tolos, que são ocasiões excepcionais, não há recepção de doutor que não seja seguida de cerimônias paródicas, nas quais os graves professores da Sorbonne participam.

Ambroise de Cambrai, que foi chanceler da Faculdade de Decreto, tomou o seu papel a peito e deixou-nos o relato delas nas apreciações críticas pormenorizadas que empreendeu durante o tempo em que ocupou o seu cargo.

Notamos que a Idade Média não conhece fosso entre ofícios manuais e profissões liberais. Os termos são, a este propósito, significativos: qualifica-se de mestre tanto o fabricante de tecidos que terminou a sua aprendizagem como o estudante de teologia que obteve a licença de ensino.

Um ser assim formado estava tão preparado para a ação como para a reflexão, e é sem dúvida por isso que se vê nessa época as personalidades adaptarem-se às situações mais diversas e triunfar.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

O quê se estudava nas Universidades?
O ensino na Idade Média – 5


O ensino é dado em latim. Divide-se em dois ramos: o trivium ou artes liberais – gramática, retórica e lógica; e o quadrivium, quer dizer, as ciências – aritmética, geometria, música e astronomia.

Com as três faculdades de Teologia, Direito e Medicina, eles formam o ciclo dos conhecimentos.

Como método, utiliza-se sobretudo o comentário. Segundo a matéria ensinada, lê-se um texto — as Étymologies (Etimologias) de Isidoro de Sevilha, as Sentences (Sentenças) de Pedro Lombardo, um tratado de Aristóteles ou de Sêneca — e glosa-se o texto, fazendo todas as observações às quais ele pode dar lugar, do ponto de vista gramatical, jurídico, filosófico, linguístico, etc.

Portanto esse ensino é sobretudo oral, dá espaço importante à discussão — questiones disputate — de assuntos na ordem do dia, tratados e discutidos pelos candidatos na licenciatura perante um auditório de professores e alunos.

Alguns deram lugar a tratados completos de filosofia ou de teologia, e glosas célebres, passadas por escrito, eram comentadas e explicadas na continuação dos cursos.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Como viviam os estudantes universitários.
O ensino na Idade Média – 4

Universidade Jagelônica, Cracóvia, Polônia
Universidade Jagelônica, Cracóvia, Polônia

continuação do post anterior

No conjunto, o estudante do século XIII não tem uma vida muito diferente da do século XX.

Conservaram-se e publicaram-se cartas dirigidas aos pais ou a colegas (Cf. Haskins, The life of medieval students as illustrated by their letters, in American Historical Review, III (1892), nº 2), que revelam aproximadamente as mesmas preocupações de hoje: os estudos, os pedidos de dinheiro e de provisões, os exames.

O estudante rico morava na cidade com o seu criado, os de condição mais modesta hospedavam-se em casas de burgueses do bairro Sainte-Geneviève e faziam-se exonerar de toda ou parte das suas taxas de inscrição na faculdade.

Encontramos frequentemente à margem, nos registros, uma menção indicando que fulano ou beltrano nada pagou, ou só pagou metade da remuneração, propter inopiam (devido à sua pobreza).

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Como era o aprendizado universitário.
O ensino na Idade Média – 3


Os estudantes mais dotados tomam naturalmente o caminho da universidade.

Fazem a sua escolha segundo o ramo que os atrai, pois cada uma tem algo do que se pode considerar uma especialidade.

Em Montpellier, é a medicina. Desde 1181 Guilherme VII, senhor desta cidade, deu a qualquer particular — quem quer que seja, e venha de onde vier — a liberdade de ensinar esta arte, desde que apresente suficientes garantias de saber.

Orleans tem como especialidade o direito canônico, e Bolonha o direito romano.

Mas “nada se pode comparar a Paris”, onde o ensino das artes liberais e da teologia atrai os estudantes de todos os países – Alemanha, Itália, Inglaterra, e mesmo da Dinamarca ou Noruega.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Professores e alunos na escola.
O ensino na Idade Média – 2


Os mestres eram quase sempre secundados pelos estudantes mais velhos e mais formados, como atualmente no ensino mútuo. Diz Gilles de Muisit, lembrando as suas recordações de juventude:

“Que bela coisa ver a quantidade de aprendizes: habitavam desvãos e quartos, em comum, filhos de homens ricos e filhos de artesãos”.
De fato, nessa época as crianças de todas as “classes” da sociedade eram instruídas juntas, como o testemunha a anedota célebre de Carlos Magno sendo severo para com os filhos dos barões que se mostravam preguiçosos, ao contrário dos filhos dos servos e de pessoas pobres.

A única distinção estabelecida consistia nas retribuições: ensino gratuito para os pobres e pago para os ricos. 
Esta gratuidade podia prolongar-se por toda a duração dos estudos, e mesmo para o acesso ao ensino, uma vez que às pessoas que têm a missão de dirigir e tomar conta das escolas o concílio de Latrão proíbe “exigir dos candidatos ao professorado uma qualquer remuneração pela outorga da licença”.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

As crianças na escola.
O ensino na Idade Média – 1

Na Idade Média, como em todas as épocas, a criança vai à escola. Em geral, à escola da sua paróquia ou do mosteiro mais próximo.

Todas as igrejas agregam a si uma escola, pois o concílio de Latrão, em 1179, faz-lhes disso uma obrigação estrita.

É uma disposição corrente, ainda visível na Inglaterra, encontrar reunidos a igreja, o cemitério e a escola.

Frequentemente, são também as fundações senhoriais que asseguram a instrução das crianças: Rosny, uma aldeiazinha das margens do Sena, tinha desde o início do século XIII uma escola, fundada por volta do ano 1200 pelo seu senhor Guy V Mauvoisin.

Por vezes também, trata-se de escolas puramente privadas, quando os habitantes de um lugarejo associam-se para sustentar um professor encarregado de ensinar as crianças.

Um pequeno texto divertido conservou-nos a petição de alguns pais solicitando a demissão de um professor.

Não tendo sabido fazer-se respeitar pelos seus alunos, foi por eles desrespeitado, ao ponto de eles o picarem com os seus grafiones (eum pugiunt grafionibus), isto é, os estiletes com os quais eles escrevem nas suas tabuinhas revestidas de cera.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Comércio, sindicatos e produção industrial na Idade Média, placidez e agitação


Nas águas plácidas deste canal da cidade belga de Gand, refletem-se há séculos as fachadas típicas de alguns prédios da Idade Média e da Renascença.

Prédios que dão uma singular impressão de equilíbrio arquitetônico, pelo contraste harmônico entre sua massa imponente, grave e sólida, e a decoração rica, variada e quase fantasiosa de suas fachadas.

Para que serviram primitivamente estes edifícios tão recolhidos e quase diríamos tão pensativos?

Residências patrícias? Centros de estudos? Não.

Eram ocupados por entidades de cunho corporativo: à extrema direita, a sede da corporação dos Barqueiros Livres; depois, a casa dos Medidores de Grãos, vizinha do pequeno edifício da Alfândega, onde os mercadores medievais vinham declarar suas mercadorias. Em seguida, o Celeiro, e por fim a Corporação dos Pedreiros.

Casas de trabalho e de negócios, pois. E nestas casas a história nos diz que se desenvolveu uma atividade das mais intensas e produtivas.

Mas a produção econômica ainda não estava envolvida pelas influências materialistas de hoje, e por isto ela se fazia num ambiente de calma, de pensamento e de fino gosto.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Governantes e súbditos na Idade Média: relacionamento com protocolo, cerimônia e grande respeito mútuo


Como os governantes – senhor feudal, bispo, autoridades municipais – comunicavam ao povo as informações e decisões de interesse geral?

Hoje confia-se tudo aos meios de comunicação social que, muitas vezes deixam o que desejar.

Na Idade Média – e até em épocas posteriores, inclusive no Brasil imperial – exerciam essa função proclamadores oficiais.

Seu ofício era dar a conhecer, lendo ou recitando, as normas ou informações a viva voz, a pé ou a cavalo, pelas ruas e praças, por vezes acompanhados de trompetes, ou outros instrumentos sonoros.

E, para caracterizar bem a dignidade e importância de sua missão, iam revestidos de símbolos que indicavam a autoridade que os tinha enviado.

O espírito humano sente a necessidade de que as coisas importantes sejam rodeadas de cerimônia e protocolo. De ali os métodos dos proclamadores, suas roupagens, símbolos e aparato proporcionado.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Faça uma visita virtual à Catedral de Santiago de Compostela


Veja vídeo


A história da catedral de Santiago de Compostela começou pelo ano 813, quanto um eremita de nome Pelayo e alguns pastores se depararam com uma estranha luminosidade.

Aquela misteriosa luz se espalhava sobre um pequeno bosque perto de um morro chamado Libredón. A paisagem, em certos momentos, ficava tão clara que se parecia a um campo estrelado (Campus Stellae = Compostela).

Teodomiro, o bispo local, informado do estranho fenômeno, soube que a luz focara no chão uma antiga arca de mármore. Nela se teria encontrado os restos humanos que se dizia pertencer ao Apóstolo Santiago.

Segundo uma história antiga o Apóstolo decidiu evangelizar a Espanha, mas foi decapitado pelo rei Herodes Agripa na Palestina.

O corpo dele, então, foi lançado ao mar num barco no porto de Jaffa. Sem tripulação, sem leme, soprada só pelo vento, a nau aportou nas costas da Galícia, que os romanos chamavam de Finis Mundi.

Recolhida da praia, a arca fora enterrada num “compostum”, quer dizer um cemitério.


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Uma gastronomia original foi nascendo em aldeias à sombra de castelos e abadias

Paralelamente ao fervor religioso que deu origem às peregrinações na Idade Média, foram se formando aldeias pitorescas aos pés dos santuários voltadas, muitas vezes ao atendimento dos peregrinos, ou simplesmente vivendo da vida da abadia, do castelo ou do santuário.

Várias dessas aldeias depois deram origem a cidades até grandes como Munique, na Alemanha.

Um exemplo menor, porém cheio de autenticidade e muito conservado até hoje é a charmosa aldeia construída colada ao Monte São Miguel,.

Toda a população do povoado (nunca foi grande, e ainda hoje contém menos de 100 pessoas) sempre teve sua vida voltada para o acolhimento dos peregrinos dos tempos remotos e dos turistas na atualidade.

No século XIX houve um reafervoramento desse espírito religioso e das peregrinações, tendo como conseqüência dois subprodutos culturais na região: as famosas omeletes da Mère Poulard e a carne de cordeiro pré-salgada.

Quanto à carne de cordeiro pré-salgada, é assim chamada porque os rebanhos de ovelhas que se criam junto ao Monte São Miguel alimentam-se de capim regularmente banhado pelas águas salgadas do mar.

Os animais — trata-se de uma variedade da raça Suffolk — crescem então com uma carne rica em sal e iodo, muito apreciada pelos gastrônomos.

A alimentação medieval, assim como as vestimentas, casas e tudo o que é necessário para a existência humana desconhecia a produção industrial de massa.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

As belezas da pobreza bem levada refulgiam na plebe medieval. O exemplo de Domremy.

Casa da família de Santa Joana d'Arc, Domremy, França
Ouvindo nossos elogios inclusive as formas de vida das classes populares na Idade Média, alguém poderia objetar:

“bom, a plebe é a classe mais pobre, e que tem menos condições para se cercar de coisas bonitas. Então, daí decorre que a plebe parece o recanto da feiúra dentro do universo. E pelas mesmas razões pelas quais a nobreza seria o recanto da beleza, a plebe seria o recanto da feiúra.

“Os próprios seres humanos, postos num ambiente nobre, deixam ver mais a sua beleza do que no ambiente plebeu.

“Então o que é que o Sr. vai admirar na pobreza?”

A resposta me salta aos lábios, o presépio de Belém.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Bula “Universitas Parens Scientiarum” do Papa Gregório IX regulamentando a Universidade de Paris

Gregório IX, autor da Bula “Universitas Parens Scientiarum”
Gregório IX, autor da Bula “Universitas Parens Scientiarum”

A Universidade é uma criação da Igreja Católica na Idade Média. Até as Universidades modernas usufruem de direitos e privilégios concedidos pelos Papas na era medieval.

Em diversos posts deste blog tratamos da importância capital do impulso dado pelos Papas às Universidades.

A seguir apresentamos um exemplo de como os Papas fizeram isso.

Trata-se da Bula “Universitas Parens Scientiarum” de 13 de abril de 1231, emitida pelo Papa Gregório IX (1227-1241), regulamentando as atividades da Universidade de Paris, mais conhecida como a Sorbonne.

Numa época como a nossa em que as Universidades Católicas se revoltam contra as legítimas autoridades eclesiásticas e até decapitam em esfinge ao Santo Padre, como aconteceu na PUC de São Paulo, o documento a seguir produz um efeito ordenativo restaurador:

terça-feira, 2 de julho de 2013

Melhores vinhos modernos: herdeiros das abadias medievais

Abbaye Sylva Plana, Le Songe de l'Abbé, faugères; Domaine de l'abbaye du Petit Quincy, chablis; Le Clos du Cellier aux Moines. Fundo: antiga abadia de Paray-le-Monial
Abbaye Sylva Plana, Le Songe de l'Abbé, faugères;
Domaine de l'abbaye du Petit Quincy, chablis;
Le Clos du Cellier aux Moines
Fundo: antiga abadia de Paray-le-Monial
Os vinhedos da Gália do tempo dos romanos – que inclui a França, mas partes de outros – foram plantados pelos legionários durante suas guerras de conquista no século I.

Eles tinham uma muito grande sofisticação na produção, escreveu o especialista em vinhos Marcel Larchiver em seu livro de referência “Vinhos, vinhas e vinhateiros”:

“Para os romanos, o vinho era ao mesmo tempo um objeto de comércio e de luxo, mas também um néctar divino do qual lhes parecia impossível renunciar. Por isso, o vinhedo era rodeado de todos os cuidados”.

Porém, o Império Romano veio abaixo no século V e a anarquia e os saques das hordas bárbaras destruiram a plantação.

Foi nessa época de caos, morte e destruição que se desenvolveu o apostolado da Igreja Católica.

Já desde o século IV a Igreja estimulava o desenvolvimento das vinhas. Em primeiro lugar porque o vinho era necessário para a consagração na Missa e para a Comunhão.

Os bispos fundaram importantes vinhedos, e esta obra contribuiu a fortalecer sua imagem ante o povo.

Mas vieram também os mosteiros. Na França medieval havia mais de um milhar de mosteiros masculinos entre os quais 250 abadias cistercienses e mais de 400 abadias beneditinas.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Como era a vida do povo na Idade Média?

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Como é que os medievais eles próprios descreviam a vida popular na sua época?

Os medievais faziam muito iluminuras, quer dizer, pequenos desenhos que ilustravam as páginas de seus livros.

Pois os livros eram escritos à mão até o momento em que Gutenberg inventou a tipografia.

Na foto ao lado encontramos uma cena da vida campestre pintada por um medieval.

Acontece num dia do inverno europeu, portanto com muita neve.

Mas o frio não parece incomodá-los quase. Eles estão cheios de saúde e vigor. Todos eles estão trabalhando, indo ou voltando da igreja, e mostram enorme vitalidade.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Corporações: ufania do próprio ofício e projeção política no governo municipal

Comércio

“O artesão medieval tem em geral grande amor e zelo pela própria profissão.

“Encontra-se um testemunho disso nos romances de profissão, como os de Thomas Deloney sobre os tecelões e sapateiros de Londres, no qual estes últimos intitulam seu trabalho como “a nobre profissão”, e têm orgulho do provérbio: “todo filho de sapateiro é príncipe nato”.

“É um traço especialmente medieval este orgulho do próprio estado e o zelo das corporações na reivindicação de seus privilégios.

“Um dos mais preciosos para a época era o de poder julgar os delitos cometidos por seus membros.

“Mas a corporação estima essencialmente a liberdade de administrar-se por seus próprios representantes. Para isso é eleito cada ano um conselho de mestres escolhido de mil maneiras, quer pelo conjunto da corporação, quer apenas pelos mestres. Os usos variam segundo os ofícios.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Glória da cidade medieval: a instituição das Universidades

Biblioteca da Universidade de Salamanca, Espanha
Biblioteca da Universidade de Salamanca, Espanha
Sem dúvida um dos florões da cidade medieval foi a instituição da Universidade.

Hoje são comuns. Mas elas constituem uma das melhores e mais exclusivas invenções medievais.

Não é verdade que a Idade Média tenha sido uma época de estreitamento intelectual, escreveu Jean Guiraud.

terça-feira, 26 de março de 2013

Dignidade pessoal nas categorias sociais

Bispo, fachada da catedral de Reims, França.
Havia na Idade Média uma forma de distinção própria a cada classe social, e condicionada à função de cada qual na sociedade.

Havia uma distinção eclesiástica, uma distinção aristocrática e uma burguesa.

É necessário não confundir a distinção, segundo a concepção medieval, com a dos tempos modernos.

No Ancien Régime, por exemplo, a distinção eclesiástica era ter o cabelo empoado, usar lencinho, e uma série de atitudes congêneres que davam idéia de um homem adamado, freqüentando a sociedade mundana.

Na Idade Média, pelo contrário, vemos o espelho da distinção eclesiástica nas imagens de bispos esculpidas nos portais das catedrais góticas.

Elas nos apresentam homens eretos, de porte firme, olhar profundo e simplicidade de maneiras.

terça-feira, 12 de março de 2013

San Gimignano: Ufania em relação a um passado de glória

San Gimignano a cidade das torres, na Toscana, Itália

A série de torres — para um olho mal habituado, deformado pelo espírito contemporâneo –– à primeira vista poderiam parecer arranha-céus.
San Gimignano é a famosa cidade, situada na Toscana, cercada por muralhas.

Todas suas construções são medievais.

San Gimignano era uma urbe guerreira, que visava ser a sentinela daquela região da Toscana.

Ela exprime exatamente a idéia do que seria uma cidade de menor porte daquela época, com construções bem simples.

terça-feira, 5 de março de 2013

As corporações de mestres (patrões) e aprendizes ditavam suas próprias leis trabalhistas

Comércio. Catedral de Chartres, vitral dos Apóstolos
Padaria, venda de pães. Vitral dos Apóstolos, catedral de Chartres, França

“O exercício de cada profissão era objeto de uma minuciosa regulamentação, que existia principalmente para manter o equilíbrio entre os membros da corporação.

Toda tentativa para embaraçar um mercado, todo esboço de entendimento entre alguns mestres em detrimento de outros, toda apropriação de quantidades excessivamente grandes de matérias-primas, eram severamente punidas.

“Nada mais contrário ao espírito das antigas corporações do que os grandes estoques, a especulação ou os “trusts”.

“Era também punido o desvio da clientela dos vizinhos pelo abuso da propaganda.
Entretanto a concorrência existia sempre, mas restrita ao domínio das qualidades pessoais.

O único modo de atrair os fregueses era fazer pelo mesmo preço um determinado produto mais bem acabado e mais perfeito que o dos vizinhos.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Tirol: tesouro da Europa central, seriedade, inocência e contemplação

Roupas tirolesas diversas. A cidade medieval.
Roupas típicas do Tirol
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A cidade medieval estava profundamente impregnada pela vida do campo.

Não havia conflito mas sim armonia profunda entre uma e outra.

Estando na Alemanha, em certa ocasião, vi alguns tiroleses andando pela Baviera.

Ainda conservo na retina um homem, observado por mim naquela ocasião, qüinquagenário, usando um chapeuzinho meio esverdeado, encimado por uma peninha — o que indicava estar ele disposto a dedicar-se a alguma atividade atlética no campo — envergando roupa que não tinha nada de esportiva no sentido atual do termo, embora fosse uma veste de campo: um paletozão pesado, de boa qualidade, meias de lãs grossonas, enfim, tecidos preciosos quanto à durabilidade.

Vê-se que aquela vestimenta fora confeccionada para durar muitos anos...

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Bruges. exemplo de cidade medieval burguesa e mercantil

Cidade das pontes e dos canais
Bruges recebeu seu nome, segundo se afirma, da palavra Brug, que, em flamengo, quer dizer ponte.

Com efeito, tudo bem contado, a cidade possui, creio, cinqüenta e seis.

Ela tem, além disso, sete portas, oito praças públicas e duzentas ruas.

Por isso, mestre Adrien Bartaud, professor de eloqüência em Louvain, onde morreu em 1542, disse: “Pulchra sunt oppida Gandavum, Antuerpia, Lovanium, Mechlina, , sed nihil ad Bruges”.

O que significa: “Gand, Antuérpia, Louvain e Malines são belas cidades, mas nada em comparação com Bruges”.

Com efeito, na época em que o bom doutor escrevia este elogio pomposo, ou seja, sob o reino de Felipe, o Bom (pai de Carlos, o Temerário), Bruges era não somente uma das mais belas, mas ainda uma das mais ricas cidades do mundo.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Bruges: vida repousante, comércio e artesanato intenso e elevado

Bruges, Bélgica, tranqüilidade, repouso e segurança

Um povo tem obrigação de estar sempre progredindo. Também não é normal que esteja o tempo inteiro progredindo.

Assim como um homem que trabalha muito em certas horas do dia ou em certas fases de sua vida, e depois descansa para acumular capacidade de ação e depois se lançar mais na ação, assim também os povos têm legitimamente períodos de repouso.

Não se trata de uma decadência, mas de um repouso num píncaro. E, partir desse píncaro, voltando à ação ele sobe para mais alto.

Não é um repouso de decadente, é um repouso de equilibrado que quer respirar antes de continuar a escalada.