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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Alemães lotam festival para voltar por um instante à Idade Média


A Idade Média fascina a muitos alemães, informou a rádio oficial alemã Deustche Welle.

Em Colônia, por exemplo, um festival reúne fãs e curiosos que comem, vestem-se e se divertem como se vivessem no mundo medieval.






“O cheiro de carne assada se mistura com a música tocada por harpas, violinos e tambores de uma era remota e ao tilintar das correntes, descreve a rádio alemã.

“A viagem ao passado começa já na bilheteria, onde os modernos euros são trocados por moedas medievais.

“A maioria dos funcionários e visitantes veste trajes medievais. E assim, de um instante para outro, você está na Idade Média”.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Festim medieval na corte do Duque de Borgonha





Um dia do ano de 1454, Felipe o Bom ofereceu uma festa maravilhosa em seu palácio de Dijon, deslumbrando mais uma vez seus convivas, apenas refeitos dos faustos de seu muito célebre 'banquete do Faisão'. “Point de Vue” estava na festa.

Há muito tempo, sonhei com a culinária medieval. Menosprezada durante o Grand Siècle (século XVII), e tida depois como muito “mediana”, à semelhança de sua época, ela hoje conhece uma recuperação de prestigio.

Nossos paladares, tornados curiosos, abrem-se ao exotismo das culinárias orientais, das quais a medieval é considerada bastante próxima. Meus fracos a respeito de uma Idade Média de livro de Horas fizeram o restante: resolvi (terá sido um dia; terá sido uma noite?) empreender a viagem.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Os privilégios do Vale do Roncal, exemplo de sociedade orgânica não planificada – 4

O tributo medieval das três vacas é pago com vacas pirenaicas
O tributo medieval das três vacas é pago com vacas pirenaicas

continuação do post anterior

A origem do Tributo

As executórias do Vale descrevem este velho direito com as seguintes palavras:

“Não é fácil que em Navarra, e em algum outro reino ou província, encontre-se honra tão singular como a que reside no Vale de Roncal de receber o tributo desde tempo muito antigo (dos habitantes) do Vale de Baretous, seus vizinhos, vassalos do Rei Cristianíssimo (da França), de três vacas da mesma dentadura, pelagem e cornadura, que entregam todos os anos no limite, confim e divisão dos dois reinos; e o preito de homenagem que lhe prestam os de Baretous de manter paz e subordinação aos roncaleses; e se em alguma ocasião foi-lhes recusada alguma das três vacas por defeito de uma das três qualidades, foram substituídas de noite na praça de Isaba, evitando a vergonha de serem vistos nessa ação, sem que o préstimo que os franceses tiveram na Espanha pudesse obter-lhes a dispensa de tributo tão notável”.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

A despedida dos mortos aguardando reencontrá-los na Ressurreição

Quando um membro da família senhorial vinha a falecer, era exposto na grande sala do castelo, revestido com seus mais belos ornamentos, e, freqüentemente, embalsamado.

O luto era caracterizado pela cor violeta, e mais raramente pelo preto.

Mas a viúva guardava-o habitualmente de branco, à imitação das Rainhas, às quais a etiqueta prescreve esta cor, o que explica às Rainhas-mães o titulo de 'reines-blanches'.

O caixão, recoberto de damasco dourado ou de tecido vermelho, era conduzido à igreja, não sobre os ombros de servidores ou aldeões, mas sobre os dos mais próximos parentes e dos principais vassalos.

Quando transladaram à França o relicário com os ossos de São Luis, morto em Tunis, ele foi levado até Saint-Denis por Philippe le Hardi, filho do defunto.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Os privilégios do Vale do Roncal, exemplo de sociedade orgânica não planificada – 3

Rapazes roncaleses com trajes típicos.
Rapazes roncaleses com trajes típicos.

continuação do post anterior

Outros privilégios do Vale, como a isenção do serviço militar fora de suas fronteiras e o livre comércio com a França, não subsistem hoje, se bem que tenham sido os roncaleses os últimos a perdê-los.

A liberdade de alfândegas com a França encontra-se reduzida atualmente ao dia de Ernaz ou do Tributo das Três Vacas.

Quanto à isenção do serviço militar ordinário, permaneceu para os roncaleses por mais tempo que para o Reino da Navarra. Por Real Cédula de Carlos III, em 1773, estabeleceu-se o sorteio e recrutamento em Navarra, apesar dos protestos da Deputação, que denunciou o contraforo.

Os roncaleses, por sua parte, amotinaram-se contra o acordo do Real Conselho que pretendia incluí-los, e negaram-se a renunciar seus privilégios, até conseguirem que se revogasse o acordo.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Os privilégios do Vale do Roncal, exemplo de sociedade orgânica não planificada – 2

El Roncal, cruz em Urzainqui, Navarra
El Roncal, cruz em Urzainqui, Navarra

continuação do post anterior


No ano do Senhor de 785 foi muito comentada a passagem que Abderraman, o grande rei de Córdoba, fez dos Pirineus pelas marcas de Aragão, com seu exército mouro.

Fugitivos horrorizados chegaram então a Roncal contando as crueldades e extermínio que na sua passagem deixavam aqueles selvagens da África.

Os mouros chegaram até Toulouse naquela sangrenta expedição, bem dentro da Gália.

À volta decidiu o rei mouro fazê-la pelos passos do Val-de-Roncal, castigando simultaneamente os habitantes do Vale que tinham escorraçado até então todas as incursões muçulmanas.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Os privilégios do Vale do Roncal, exemplo de sociedade orgânica não planificada – 1

Brasão do Vale do Roncal, Navarra, Espanha
Brasão do Vale do Roncal, Navarra, Espanha
Como 'nobreza obriga', os roncaleses, habitantes do Valle del Roncal, Espanha, estiveram sempre presentes quando se cuidou de empreendimentos comuns à defesa da Fé ou da Coroa. Daí nasceram alguns privilégios coletivos, que os roncaleses mantiveram zelosamente através dos tempos.

É curioso que enquanto sua mais remota epopéia bélica cobre-se com as brumas do mito e da legenda até o ponto de fazer os eruditos hesitarem a respeito de quando aconteceram os feitos, os privilégios derivados daqueles feitos conservam-se até nossos dias com uma vigência concretíssima, excepcional nos tempos presentes.

Dois são esses privilégios ainda atuais, recordações de outras tantas batalhas legendárias.

O primeiro consiste em que todos os roncaleses são nobres 'cavaleiros, fidalgos e infanções' com direito a usarem como próprio o escudo do Vale, de tal modo que para alguém ser armado cavaleiro das ordens militares, ainda hoje basta provar que seu sobrenome é roncalés para ficar demonstrada a nobreza do mesmo.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Como Europa recuperou e aperfeiçoou a ordem em todos os pontos

São Bento, pai dos monges de Ocidente,  alma fundadora da Cristandade medieval.  Estátua em Montecassino, Itália
São Bento, pai dos monges de Ocidente,
alma fundadora da Cristandade medieval.
Estátua em Montecassino, Itália

No início da Idad Média, a Europa inteira não tinha nem caminhos nem pousadas; suas florestas estavam cheias de ladrões e assassinos; suas leis eram impotentes, ou, sobretudo, ali não havia lei alguma; a Religião só, como uma grande coluna elevada no meio das ruínas bárbaras, oferecia abrigos e um ponto de comunicação aos homens.

Sob a segunda linhagem de nossos reis, a França tendo caído na anarquia mais profunda, sobretudo os viajantes eram detidos, espoliados e mortos ao cruzar os rios.

Monges hábeis e corajosos tiveram a iniciativa de remediar estes males.

Formaram entre eles uma companhia, sob o nome de ‘hospitalários pontífices’ ou ‘fazedores de pontes’.

Obrigavam-se, pela sua instituição, a prestar socorro aos viajantes, a reparar os caminhos públicos, a construir pontes, a hospedar os estrangeiros nas hospedarias que eles elevavam à beira dos rios.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Aldeias e cidades nasceram, ou reviveram, à sombra de igrejas, conventos e catedrais

Cesky Krumlov, República Checa A cidade medieval
Cesky Krumlov, República Checa

O clero multiplicou nossos vilarejos, fez crescer e embelezou nossas cidades. Diversos bairros de Paris, tais como os de Santa Genoveva e de Saint-Germain-l’Auxerrois, surgiram em parte às custas das abadias dos mesmos nomes.

Em geral, onde quer que se estabelecesse um mosteiro, ali se formava uma aldeia: a Chaise-Deiu, Abbeville, e muitos outros lugares levam ainda em seus nomes a marca de sua origem.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Como os monges resgataram a agricultura na Idade Média


É ainda ao clero secular e regular que devemos a renovação da agricultura na Europa, como lhe devemos a fundação dos colégios e hospitais.

Desmatamento das terras, abertura dos caminhos, aumento dos vilarejos e cidades, estabelecimento dos correios e hospedarias, artes e ofícios, manufaturas, comércio interior e exterior, leis civis e políticas; tudo enfim nos vem originariamente da Igreja.

Nossos pais eram bárbaros aos quais o cristianismo foi obrigado a ensinar até arte de se alimentar.

A maioria das concessões feitas aos mosteiros nos primeiros séculos da Igreja, era terras baldias, que os monges cultivavam com suas próprias mãos. Florestas agrestes, pântanos intransitáveis, vastas charnecas, foram a fonte dessas riquezas que tanto censuramos no clero.

Enquanto os cônegos premonstratenses trabalhavam as solidões da Polônia e uma parte da floresta de Coucy na França, os beneditinos fertilizavam nossas plantas nativas. Molesme, Colan e Cister, que se cobrem hoje de vinhas e colheitas, eram lugares de abrolhos e espinhos, onde os primeiros religiosos habitavam em choupanas de folhagens.

domingo, 5 de agosto de 2012

Corporações: independência trabalhista e importância político-social

Preboste dos mercaderes e magistrados municipais de Paris
“Para melhor se defenderem, e por um costume caro à época, os comerciantes medievais tinham o hábito de se associarem.

“Há no princípio, para os navios, o que se chama a “conserva”: dois ou mais navios decidem fazer juntos sua viagem, e esta decisão é objeto de um contrato, que não se rompe sem se expor a sanções e a uma multa.

“De outro lado, os comerciantes de uma cidade, onde quer que eles se encontrem, formam uma associação e elegem um representante seu para os administrar, e, se for necessário, assumir a responsabilidade ou a defesa de seus interesses.

“As ferrarias mais importantes têm um cônsul permanente — ou pelo menos durante a grande “estação” comercial, que vai de São João (24 de junho) a Santo André, em novembro — fiscalizando os armazéns.

domingo, 29 de julho de 2012

Forte do Relógio: jóia da Veneza medieval


Veneza, Torre dell'Orologio. A cidade medievalO Forte do Relógio, constrúido por Codussi entre 1496 e 1499, é um dos monumentos arquitetônicos mais fotografados de Veneza.

O enorme quadrante situado sobre a porta de entrada da torre é uma obra-prima mecânica do final do século XV, construído por Giampaolo e Giancarlo Ranieri, artistas nascidos em Parma. O engenhoso aparelho indica as estações do ano, as horas e as fases da lua.

O edifício que figura nesta contracapa é um dos prédios mais famosos de Veneza.

Possui ele um corpo central, denominado Forte do Relógio. De cada lado há três andares que formam uma como que moldura -- muito bonita, mas discreta -- para a torre.

A torre foi concebida para ser uma homenagem a Nossa Senhora. Em sua parte mais visível vê-se uma imagem da Mãe de Deus com o Menino Jesus.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Aldéia medieval: modelo de condomínio bem sucedido


Turenne, França

Segurança, prédios duráveis, inversão garantida, entorno saudável, harmonia prédios-natureza, beleza panorâmica, vizinhança sociável, local psicologicamente aprazível e até dimensão espiritual, são requisitos de um bom condomínio.


Encontrá-los reunidos na justa proporção é coisa rara e custosa.
Frigliana, Espanha

Uma empreendedora descobriu que todos eles estão presentes nas cidades e aldeias medievais.

Lançou então um projeto que espelha os povoados espanhóis da Idade Média.
O Conjunto Residencial Sopetrán foi planejado em volta do mosteiro de Hita, Guadajalara (Espanha).

A “cidade medieval do século XXI”, planeja 325 casas cujo exterior reproduz as construções de há 1.000 anos, mas o interior contêm todo o conforto hodierno.

O mosteiro de Hita, fundado no ano 611, agora em ruínas, será centro cultural.

O condomínio terá áreas deportivas, gastronômicas e lúdicas.

Estaing, França
O empreendimento foi saudado na Espanha como um triunfo da imaginação na hora em que se esgotam as ideias na área de construção.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Cidade medieval: ambiente bom para restaurar a sociedade e a religião em crise, ensinou famoso arquiteto inglês – 2

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Continuação do post anterior


 
Pugin levou seu combate para o coração das cidades industriais de Birmingham e Sheffield.

Ele as achava “minas inesgotáveis de mau gosto”, infestadas de “edifícios gregos, chaminés fumegantes, agitadores radicais e dissidentes”.

A igreja de São Chad, que Pugin construiu em Birmingham no meio da sujeira do bairro dos fabricantes de armas, tornou-se a primeira catedral inglesa construída após a de Saint Paul.

Politicamente, Pugin poderia ser definido como um radical conservador.

Ele queria reformar a sociedade levando-a de volta a uma hierarquia benigna, a um medievalismo no qual cada classe poderia olhar para a que lhe era superior e dela receber apoio, enquanto os de cima aceitavam a responsabilidade de proteger os que estavam embaixo.

Igreja de Saint Chad em Birmingham,
Uma das grandes realizações de Augustus Welby Northmore Pugin (1812-1852).
Em 1841, ele publicou a segunda edição do Contrastes, acrescentando todo um panorama moral.

A cidade medieval, com seus capiteis graciosos e suas sólidas muralhas, era confrontada com o seu equivalente moderno de muros em cacos, capiteis em ruínas e o horizonte dominado por olarias e fábricas.

Seus imitadores – todos eles mais vulgares e despreocupados – lhe roubaram grande parte da clientela.

Seu trabalho no Parlamento de Westminster havia se tornado uma rotina monótona.

Por uma triste ironia, seu último projeto, feito em janeiro de 1852, estava destinado a ser o mais famoso: a torre do relógio do Palácio de Westminster, o célebre Big Ben.

Ele morreu em setembro de 1852, aos 40 anos de idade.




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terça-feira, 5 de junho de 2012

Cidade medieval: exemplo bom para restaurar a sociedade e a religião em crise, ensinou famoso arquiteto inglês – 1

Big Ben, obra mais famosa de Pugin, simbolo da Inglaterra
Big Ben, obra mais famosa de Pugin, simbolo da Inglaterra.
Todas as fotos deste post são de obras de Pugin
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




O estilo de uma época pode ser um fator de regeneração social, cultural, moral e religiosa?

Evidentemente, depende do estilo.

Mas, em concreto, a arquitetura da cidade medieval poderia ser – e segundo veremos abaixo, historicamente o foi – um fator poderoso para a recuperação social e moral de um país.

E, em concreto, para a Gra-Bretanha do século XIX, segundo o mais famoso arquiteto inglês dessa época A. W. N. Pugin.

Pugin é o criador do famoso Big Ben, hoje símbolo de Londres e da Inglaterra.

Augustus Welby Northmore Pugin, nascido em Londres em 1º de Março de 1812, tinha apenas 24 anos quando publicou o livro Contrastes.

O autor ofereceu nele todo um programa que redefiniu a arquitetura como uma força moral, imbuída de significado político e religioso. Foi um primeiro ensaio sobre os problemas da cidade moderna.

Foto aérea da cidade de Tallinn, Estônia, modelo vivo de uma cidade medieval saudável, bonita que convida à virtude numa existência aprazível
Foto aérea da cidade de Tallinn, Estônia,
modelo vivo de uma cidade medieval saudável, bonita
que convida à virtude numa existência aprazível
Uma década depois, aconteceram os primeiros surtos de cólera e alguns dos piores episódios de agitação civil na história britânica.

Em Bristol o Palácio do Bispo foi queimado pelos manifestantes, e em Nottingham o castelo foi destruído.

A mensagem de Pugin era simples: se algo está errado em nossas cidades, algo está errado conosco, sendo necessárias reformas na sociedade e na arquitetura.

Em Contrastes ele defendeu um renascer da arquitetura gótica medieval, e com ela um retorno à fé e às estruturas sociais da Idade Média.

Cada desenho reproduzia um prédio urbano moderno comparado com o seu equivalente no século XV.

Assim, a representação de uma pousada no estilo tardio da época do rei George, construída grotescamente num bloco de casas geminadas, aparecia ao lado do Hotel Angel de Grantham com suas sacadas encantadoras e suas adegas repletas de cerveja.

Câmara dos Lordes, trono onde a rainha inaugura as sessões do Parlamento britânico
Câmara dos Lordes, trono onde a rainha inaugura as sessões do Parlamento britânico
Um de seus mais lucrativos empregos consistiu em fornecer detalhes decorativos para o projeto vencedor do Parlamento de Londres.

Ele desenhou alguns de seus mais admirados ambientes, como o interior da Câmara dos Lordes.

Pugin quis reconstruir a Grã-Bretanha através de uma arquitetura de tipo medieval católica.

Foi uma cruzada inimaginável, mas o sucesso foi maior do que o esperado.

Quando completou 30 anos, Pugin havia construído 22 igrejas, três catedrais, três conventos, meia dúzia de casas, escolas diversas e um mosteiro cisterciense.


continua no próximo post

(Fonte: Excertos de Rosemary Hill, autora de "Arquiteto de Deus: Pugin e a construção da Grã-Bretanha romântica" (Penguin Ed.). Clarin Arquitectura, Buenos Aires, 2012/05/03)




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terça-feira, 22 de maio de 2012

Professor medieval: cavaleiro andante no mundo do pensamento

Eu peguei restos de uma concepção do homem que vai espantar muito aos senhores. A mais bela condição para o homem civil era ser professor universitário.

Mas professor universitário especialmente, porque ele era uma espécie de cavaleiro andante no mundo do pensamento.

Então, ele ia refutar os sofismas abomináveis, e ia esmagar os hereges mostrando que estavam falsos nisso, naquilo, naquilo outro, e passava a vida pensando nisto e combatendo os inimigos de Cristo com o pensamento.

Bom, o arquétipo disso foi São Tomás de Aquino. Hoje seria um exagero estender a figura de São Tomás de Aquino a todos os professores universitários.

Mas, na Idade Média não, porque ele encarnava um ideal que muitos professores universitários procuravam seguir.

terça-feira, 8 de maio de 2012

O guerreiro medieval participava da glória do martírio. Beleza do cavaleiro andante


De um certo ponto de vista, o homem de paz, de uma profissão pacífica, era muito mais do que o guerreiro. Mas de outro ponto de vista ele era muito menos.

Porque o guerreiro corria o risco por Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele dava a vida por Nosso Senhor e ali entravam a glória incomparável do martírio.

Toda santidade tem glória, mas o martírio tem uma glória especial. Dessa glória era participante o guerreiro que guerreia por Deus, por Nossa Senhora, etc.

Uma forma de cavalaria que se adulterou muito, etc., mas cujo ideal era muito bonito, era a cavalaria andante. O cavaleiro que ia sozinho ou em grupo de dois ou três por vales e montes, para procurar as injustiças para reparar.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Maravilhosa estabilidade do povinho medieval: trabalho sem pressa, sem aflição –crônicas da família


Em geral, as iluminuras da Idade Média representam um operário trabalhando no seu métier, uma dona de casa cozinhando ou costurando, ou um calígrafo no seu pupitre desenhando uma letra.

Em cima tem um passarinho, e o passarinho tem um rolinho de pergaminho no qual se encontra um trecho da Escritura, umas coisas assim.

Todos eles são representados com uma coisa que eu não me farto de admirar quando me cai debaixo dos olhos: o sossego, a estabilidade, a tranqüilidade e o gosto de viver na repetição das mesmas coisas, no interior do mesmo ambiente, fazendo o mesmo trabalho que leva longos dias, meses e, às vezes, anos, executado sem pressa, contanto que ele saia perfeito.

Representa mais ou menos o que na ordem material representa a lei da gravidade. A lei da gravidade no campo artístico é uma coisa sem valor porque é a força que nos puxa para um elemento vil como é a terra. Mas sem a gravidade o mundo todo estaria louco.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Sindicatos da Idade Média: com espírito familiar trazendo concórdia e alegria para o trabalho

Corporação de sapateiros que doou um vitral para a catedral de Chartres
Elas (as corporações) se glorificavam por suas obras de caridade. Os joalheiros obtiveram assim permissão para vender nas festas dos apóstolos, no domingo e nos feriados em geral.

Tudo o que o joalheiro ganhasse então era colocado na caixa da confraria, e do dinheiro desta caixa dava-se todo ano, no dia da Páscoa, um jantar aos pobres do Hospital de Paris. Na maioria dos ofícios, os órfãos da corporação são educados às suas custas.

Tudo se passa numa atmosfera de concórdia e de alegria, da qual o trabalho moderno não pode dar uma idéia.

“As corporações e confrarias tinham cada uma suas tradições, suas festas, seus ritos piedosos e cômicos, canções e insígnias.

“Ainda segundo Thomas Deloney, para ser adotado como filho do “nobre ofício” um sapateiro deve saber “cantar, soar o corno, tocar flauta, martelar, combater com a espada e cantar seus instrumentos de trabalho em versos”.