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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Os reis apoiaram as liberdades e os privilégios municipais

Luís VI
A realeza dá o exemplo na outorga de liberdades às comunas rurais. A “Carta de Lorris”, concedida por Luís VI, suprime as “corvées”, a servidão; reduz as contribuições, simplifica o processo de justiça; e estipula, além disso, a proteção dos mercados e das feiras:

“Nenhum homem da paróquia de Lorris pagará quaisquer taxas ou direitos por aquilo que é necessário à sua subsistência, nem pelas colheitas feitas por trabalho seu ou de seus animais, nem pelo vinho que obteve de suas vinhas.
“A ninguém será exigida cavalgada ou expedição que não permita voltar no mesmo dia para casa, caso queira.
“Ninguém pagará pedágio para Étampes, Orléans, Milly, Gâtinais e Melun.
“O que tiver sua propriedade na paróquia de Lorris estará isento do seu confisco, se cometer alguma falta, a menos que seja contra Nós ou nossa gente.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Feeria de cores e sons da Paris medieval

Paris, Quai des Grands Augustins
Por mais admirável que vos pareça a Paris do presente, refazei a Paris do século XV, reconstruí-a em vosso pensamento; olhai o dia através deste renque surpreendente de agulhas, de torres e de campanários, espalhai-o no meio da imensa cidade, rasgai-o nas pontas das ilhas, dobrai-o sob os arcos das pontes do Sena, com suas grandes manchas verdes e amareladas, mais mutável que uma pele de serpente, destacai nitidamente sobre o horizonte azulado o perfil gótico dessa velha Paris, fazei flutuar o contorno em uma bruma de inverno que se agarra em suas numerosas chaminés.

Afogai-o em uma noite profunda, e olhai o jogo bizarro das trevas e da luz nesse sombrio labirinto de edifícios; jogai aí um raio de lua que o delineie vagamente e fazei sair do nevoeiro as grandes cabeças das torres, ou retomai essa negra silhueta e escurecei de sombra os mil ângulos agudos das flechas e dos pinhões dos telhados e fazei-a sobressair, mais rendada que um pescoço enlutado, sobre o céu de cobre do poente.

E, depois, comparai.

Notre Dame no anoitecerE se vós quiserdes receber da velha cidade uma impressão que a moderna não vos pode dar, subi, numa manhã de grande festa, ao sol levante da Páscoa ou de Pentecostes, subi até algum ponto elevado de onde domineis a capital inteira, e assisti ao despertar dos carrilhões.

Vede, a um sinal partido do céu, porque é o sol que o dá, essas mil igrejas estremecerem ao mesmo tempo.

Primeiro, tinidos esparsos, indo de uma igreja à outra, como quando os músicos se avisam que vão começar; depois de repente vede – porque parece que em certos instantes o ouvido tem também sua vista – elevar-se, no mesmo momento, de cada campanário uma coluna de barulho, como uma fumaça de harmonia.

Clique para ouvir o Carrilhão das horas:

Antes, a vibração de cada sino sobe reta, pura e por assim dizer isolada dos outros nesse céu esplêndido da manhã.