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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Feiras de Natal: o encanto da tradição medieval oscula a festa religiosa

Feira de Natal, Frankfurt
Longe da banalidade comercial de hoje, o sorriso sobrenatural do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo enchia de alegria suave e de aconchego as praças de cidades e aldeias, de palácios e choupanas da Idade Média.

A tradição, embora deformada, pervive até hoje.

Trata-se das feiras de Natal que ainda dominam em cidades alemãs, austríacas, alsacianas, etc., na Europa.

Elas constituem um eco saudoso, requintado em épocas posteriores, do Natal medieval.

Cheiro de ervas, amêndoas torradas, vinho, cravo, canela, incenso e resina de pinheiro.

Enfeites natalinos que falam não ao corpo mas à alma nos fazem reviver as profundas alegrias da infância.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Como nasceu o “Stille Nacht” (“Noite Feliz”)


Em 24 de dezembro de 1818, a canção “Stille Nacht” (“Noite Feliz”) foi ouvida pela primeira vez na aldeia de Oberndorf (Áustria). Foi na Missa de Galo na minúscula capelinha de São Nicolau.

Estavam presentes o pároco Pe José Mohr, o músico e compositor Franz Xaver Gruber com seu violão, e o pequeno coro da esquecida aldeia. No fim de cada estrofe, o coro repetia os dois últimos versos.

Naquela véspera de Natal nasceu a música que passou a ser como um hino oficial do Natal no mundo todo. Hoje se canta nas capelas dos Andes e no Tibete, ou nas grandes catedrais da Europa.

Há muitas histórias sobre a origem dessa canção. Entretanto, a verdadeira é simples e risonha como a canção ela própria.

O Pe. Joseph Mohr, jovem sacerdote, compôs a letra em 1816. Ele estava encarregado da igreja rural de Mariapfarr, Áustria. Seu avô morava perto e é fácil imaginar que ele criou o texto enquanto caminhava para visitar seu ancião parente.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Os reis apoiaram as liberdades e os privilégios municipais

Luís VI
A realeza dá o exemplo na outorga de liberdades às comunas rurais. A “Carta de Lorris”, concedida por Luís VI, suprime as “corvées”, a servidão; reduz as contribuições, simplifica o processo de justiça; e estipula, além disso, a proteção dos mercados e das feiras:

“Nenhum homem da paróquia de Lorris pagará quaisquer taxas ou direitos por aquilo que é necessário à sua subsistência, nem pelas colheitas feitas por trabalho seu ou de seus animais, nem pelo vinho que obteve de suas vinhas.
“A ninguém será exigida cavalgada ou expedição que não permita voltar no mesmo dia para casa, caso queira.
“Ninguém pagará pedágio para Étampes, Orléans, Milly, Gâtinais e Melun.
“O que tiver sua propriedade na paróquia de Lorris estará isento do seu confisco, se cometer alguma falta, a menos que seja contra Nós ou nossa gente.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Feeria de cores e sons da Paris medieval

Paris, Quai des Grands Augustins
Por mais admirável que vos pareça a Paris do presente, refazei a Paris do século XV, reconstruí-a em vosso pensamento; olhai o dia através deste renque surpreendente de agulhas, de torres e de campanários, espalhai-o no meio da imensa cidade, rasgai-o nas pontas das ilhas, dobrai-o sob os arcos das pontes do Sena, com suas grandes manchas verdes e amareladas, mais mutável que uma pele de serpente, destacai nitidamente sobre o horizonte azulado o perfil gótico dessa velha Paris, fazei flutuar o contorno em uma bruma de inverno que se agarra em suas numerosas chaminés.

Afogai-o em uma noite profunda, e olhai o jogo bizarro das trevas e da luz nesse sombrio labirinto de edifícios; jogai aí um raio de lua que o delineie vagamente e fazei sair do nevoeiro as grandes cabeças das torres, ou retomai essa negra silhueta e escurecei de sombra os mil ângulos agudos das flechas e dos pinhões dos telhados e fazei-a sobressair, mais rendada que um pescoço enlutado, sobre o céu de cobre do poente.

E, depois, comparai.

Notre Dame no anoitecerE se vós quiserdes receber da velha cidade uma impressão que a moderna não vos pode dar, subi, numa manhã de grande festa, ao sol levante da Páscoa ou de Pentecostes, subi até algum ponto elevado de onde domineis a capital inteira, e assisti ao despertar dos carrilhões.

Vede, a um sinal partido do céu, porque é o sol que o dá, essas mil igrejas estremecerem ao mesmo tempo.

Primeiro, tinidos esparsos, indo de uma igreja à outra, como quando os músicos se avisam que vão começar; depois de repente vede – porque parece que em certos instantes o ouvido tem também sua vista – elevar-se, no mesmo momento, de cada campanário uma coluna de barulho, como uma fumaça de harmonia.

Clique para ouvir o Carrilhão das horas:

Antes, a vibração de cada sino sobe reta, pura e por assim dizer isolada dos outros nesse céu esplêndido da manhã.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A mulher na vida quotidiana na Idade Média

Criada, seculo XV

Faltaria falar das mulheres comuns, camponesas ou citadinas, mães de família ou trabalhadoras.

A questão é muito extensa, e os exemplos podem chegar através de diversas fontes como documentos ou mil outros detalhes colhidos ao acaso e que mostram homens e mulheres através dos menores atos de suas existências.

Asti, Itália
Através de documentos, pôde-se constatar a existência de cabeleireiras, salineiras (comércio do sal), moleiras, castelãs, mulheres de cruzados, viúvas de agricultores, etc.

Frankfurt, vestido para ir a igreja
É por documentos deste gênero que se pode, peça por peça, reconstituir, como em um mosaico, a história real ‒ muito diferente dos romances de cavalaria ou de fontes literárias que apresentam a mulher como um ser frágil, ideal e quase angélico ou diabólico ‒ mas que não tinha voz nem vez.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A mulher na Igreja medieval


Santa Hildegarda de Bingen
Precisamente por causa da valorização prestada pela Igreja à mulher, várias figuras femininas desempenharam notável papel na Igreja medieval.

Certas abadessas, por exemplo, eram autênticos senhores feudais, cujas funções eram respeitadas como as dos outros senhores; administravam vastos territórios como aldeias, paróquias; algumas usavam báculo, como o bispo...

Seja mencionada, entre outras, a abadessa Heloisa, do mosteiro do Paráclito, em meados do século XII: recebia o dízimo de uma vinha, tinha direito a foros sobre feno ou trigo, explorava uma granja...

Ela mesma ensinava grego e hebraico às monjas, o que vem mostrar o nível de instrução das religiosas deste tempo, que às vezes rivalizavam com os monges mais letrados.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O papel da mulher na Idade Média

Ana de Bretanha
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Há quem pense que na Idade Média o papel da mulher era o de submissão total e completo ostracismo.

Há quem cogite que se pensava que a alma da mulher não era imortal ‒ afirmação gratuitamente preconceituosa e contraditória (se a alma é espiritual e imortal, como a alma feminina não seria? Seria uma alma mortal?).

Felipa de Henault
Como a Igreja seria hostil a esses seres sem alma, mas durante séculos batizou, confessou e ministrou a Eucaristia a essas criaturas?

Não é estranho que os primeiros mártires cristãos tenham sido mulheres (Santas Agnes, Cecília, Ágata etc)?

Como venerar a Virgem Maria como cheia de graça e considerá-la desalmada?

A historiografia contemporânea simplesmente apagou a mulher medieval.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A vida rural encravada na cidade


A vida rural foi extraordinariamente ativa durante a Idade Média, e grande quantidade de culturas foi introduzida na França durante essa época.

Isso foi devido, em grande parte, às facilidades que o sistema rural da época oferecia ao espírito de iniciativa da nossa raça.

O camponês de então não é nem um retardatário nem um rotineiro. A unidade e a estabilidade do domínio eram uma garantia tanto para o futuro como para o presente, favorecendo a continuidade do esforço familiar.

Nos nossos dias, quando concorrem vários herdeiros, é preciso desmembrar o fundo e passar por toda espécie de negociações e de resgates, para que um deles possa retomar a empresa paterna. [disposições recentes vieram modificar o regime das sucessões]

A exploração cessa com o indivíduo, mas o indivíduo passa, enquanto o patrimônio fica, e na Idade Média tendia-se para residir.

Se existe uma palavra significativa na terminologia medieval, essa palavra é mansão senhorial (manere, o lugar onde se está), o ponto de ligação da linhagem, o teto que abriga os seus membros passados e presentes, e que permite às gerações sucederem-se pacificamente.

Bem característico também é o emprego dessa unidade agrária que se denomina manse — extensão de terra suficiente para que uma família possa nela fixar-se e viver.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Estímulo à cortesia e à dignidade da vida no povo medieval

Stein am Rhein, praça da prefeitura
A poesia de aldeias humildes, que contribuem para proporcionar ao povo os valores de cortesia e de dignidade de vida numa civilização católica não é o privilégio da aristocracia.

Pelo contrário, a arte animada pelo espírito cristão favorece essas qualidades em todas as classes sociais no modo que é próprio a cada uma delas.

Por toda a Europa florescem - não há outra expressão - aldeias assim. A um tempo fontes, relicários e sementeiras de uma vida de alma admirável, própria a um povo que não foi transformado em massa.

Como teriam a lucrar na consideração destes exemplos tantas das cidades de nosso interior, às quais a penetração do espírito revolucionário, todo materialista e utilitário, privou desde o nascedouro do encanto de São João del Rei, de Congonhas do Campo, em Minas, de M'Boy, em São Paulo, etc.!

Stein am Rehin - simples "Pedra junto ao Reno" - é uma cidade minúscula na Suíça, mas cheia de poesia, onde, como se vê na foto, tudo convida à existência cristã digna e cortês.

A pequena praça do mercado, afável, tranqüila, marcada a fundo pela seriedade do Paço municipal do século XVI, representa o aspecto citadino da encantadora localidade.

Porém, como toda aldeia verdadeira (e Stein am Rhein é mais uma aldeia que uma cidade), ela deve ser vista não só em si mesma, mas também em função do campo.

A segunda foto no-la mostra como elemento integrante da paisagem bucólica, que seu campanário altaneiro domina, enquanto as habitações populares, confortáveis e alegres, parecem aconchegar-se filialmente junto à igreja, e mirar-se, satisfeitas de si, da paisagem e do Criador cheio de bondade, na placidez límpida das águas tio Reno.

Arte, poesia, dignidade e amenidade da vida, frutos exímios dessa "tradição que se chama a cultura cristã"... tradição que não é apenas um vertígio do passado, mas u m valor perene, a inspirar o presente e o futuro.

Plinio Corrêa de Oliveira, CATOLICISMO, outubro de 1961




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terça-feira, 23 de agosto de 2011

As corporações garantiam todas as formas de seguro social num espírito de amizade familiar

Milão, re-encenação confraria medieval
A confraria, que era de origem religiosa e existia mais ou menos por toda parte, era um centro de ajuda mútua.

“Figuravam em primeiro plano as pensões concedidas aos mestres idosos ou já enfermos e os socorros aos doentes, durante todo o tempo da doença e da convalescença.

“Era um sistema de seguros em que cada caso podia ser conhecido e examinado em particular, o que permitia dar o remédio apropriado a cada situação e ainda evitar os abusos.

“Se o filho de um mestre é pobre e quer aprender, os homens de bem devem lhe ensinar por 5 soldos (taxa corporativa) e por suas esmolas — diz o estatuto dos fabricantes de escudos.

“A corporação ajudava ainda no caso de seus membros precisarem viajar ou por ocasião do desemprego.

Sapateiro e cliente, catedral de Chartres“Thomas Deloney conta-nos este episódio interessante:

Tom Dsum, sapateiro inglês em viagem, encontra-se com um jovem senhor arruinado, e se dispõe a acompanhá-lo a Londres:
— Sou eu quem paga. Na próxima cidade nos divertiremos bastante.
— Como?! Pensava que você não tivesse mais que um soldo no bolso.
— Se você fosse sapateiro como eu, poderia viajar de um lado a outro da Inglaterra apenas com um penny (=tostão) no bolso. Em cada cidade acharia boa comida, boa cama e boa bebida, sem mesmo gastar seu penny. Isto porque nenhum sapateiro deixará faltar alguma coisa a um dos seus. Pelo nosso regulamento, se algum companheiro chegar a uma cidade sem dinheiro e sem pão, basta ele se dar a conhecer, não precisando se ocupar com outra coisa. Os outros companheiros da cidade não somente o receberão bem, mas lhe fornecerão gratuitamente víveres e acomodações. Se quiser trabalhar, sua corporação se encarregará de lhe arranjar um patrão, e ele não terá que procurá-lo”.

“Esta curta passagem não necessita comentários. Assim compreendidas, as corporações eram um centro muito vivo de ajuda mútua, honrando seu lema: “Todos por um, um por todos”.


(Fonte: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)




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terça-feira, 16 de agosto de 2011

A cidade de GENAZZANO: Um urbanismo extremamente pitoresco

Genazzano, A cidade medieval
As fotografias apresentam uma visão da cidadezinha de Genazzano, na Itália.

No centro, vêem-se o campanário e o corpo da igreja. Em torno dela, pode-se observar a localidade, que se "pendura" nas encostas de uma pequena montanha.

Chama a atenção o pitoresco do lugarejo, que foi outrora uma cidade fortificada, espécie de feudo dos príncipes Colonna.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Palácio da Senhoria de Florença: seriedade e altivez

Palácio da Signoria, Florença, a Cidade Medieval
Durante muito tempo o Palácio senhorial de Florença foi a sede de governo de um pequeno Estado – o Grão-Ducado de Toscana, na Itália -- que ocupou na cultura e no pensamento humano um lugar proeminente. Foi uma grande potência do pensamento.

O palácio é típico do estilo florentino. Sua cor é bonita, o amarelado da pedra utilizada na construção apresenta aspecto agradável, nada mais do que isso.

Uma torre quadrada com relógio, janelas, algumas em forma ogival, outras puras perfurações na parede, destituídas de beleza especial.

Estamos habituados, na ótica moderna, à idéia de que a torre deve estar bem no meio do edifício. Ali não. A torre fica um pouco mais para o lado direito da fachada.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Exemplo de procissão religiosa com participação oficial de toda a cidade: Bruxellas


A vida medieval não se compreende sem sua dimensão religiosa, por assim dizer omnipresente.

A procissão do Ommerang em Bruxelas é muito elucidativa.


A devoção a Nossa Senhora das Vitórias de Sablon começou no século XIV com um fato miraculoso.

Havia na cidade vizinha de Antuérpia uma imagem milagrosa conhecida como Notre Dame à la Branche (Nossa Senhora no Galho), que fora protetora daquela cidade e que estava na catedral.

terça-feira, 26 de julho de 2011

O urbanismo medieval: glória da Igreja Católica

Albrechtsburg, Meissen, Sachsen. A cidade medievalO clero multiplicou nossos vilarejos, fez crescer e embelezou nossas cidades.

Diversos bairros de Paris, tais como os de Santa Genoveva e de Saint-Germain-l’Auxerrois, surgiram em parte às custas das abadias dos mesmos nomes.

Em geral, onde quer que se estabelecesse um mosteiro, ali se formava uma aldeia: a Chaise-Deiu, Abbeville, e muitos outros lugares levam ainda em seus nomes a marca de sua origem.

A cidade de Sante Salvatore, aos pés do Monte Cassino, na Itália, e os burgos circundantes, são obra dos religiosos de São Bento.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Cada profissão era como um universo autônomo de privilégios e leis próprias

Cristo vigia o trabalho dos sapateiros
O exercício de cada profissão era objeto de uma minuciosa regulamentação, que existia principalmente para manter o equilíbrio entre os membros da corporação.

Toda tentativa para embaraçar um mercado, todo esboço de entendimento entre alguns mestres em detrimento de outros, toda apropriação de quantidades excessivamente grandes de matérias-primas, eram severamente punidas.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Relações entre patrões e empregados nas corporações de ofício

Mestre açougueiro e aprendiz

Durante toda a Idade Média, no início as oportunidades são as mesmas para todos, e o aprendiz só não se torna mestre por falta de jeito ou indolência.

O aprendiz liga-se a seu mestre por um contrato de aprendizagem — sempre esse laço pessoal, caro à Idade Média — comportando obrigações a ambas as partes: para o mestre, a de formar seu aluno no ofício, e seu sustento durante esse tempo; para o aprendiz, obediência a seu mestre e dedicação ao trabalho.

Transpôs-se assim ao artesanato a dupla noção de “fidelidade-proteção”, que une o senhor a seu vassalo.

Mas como aqui uma das partes contratantes é uma criança de 12 a 14 anos, todos os cuidados são tendentes a reforçar sua proteção.

terça-feira, 7 de junho de 2011

As sociedades de comércio e as corporações de ofício: triunfos da autonomia operária e burguesa

Orvieto, parada na festa de Corpus Christi:
bandeiras das corporações de sapateiros e açougueiros

Para melhor se defenderem, e por um costume caro à época, os comerciantes têm o hábito de se associarem.

Há no princípio, para os navios, o que se chama a “conserva”: dois ou mais navios decidem fazer juntos sua viagem, e esta decisão é objeto de um contrato, que não se rompe sem se expor a sanções e a uma multa.

De outro lado, os comerciantes de uma cidade, onde quer que eles se encontrem, formam uma associação e elegem um representante seu para os administrar, e, se for necessário, assumir a responsabilidade ou a defesa de seus interesses.

As ferrarias mais importantes têm um cônsul permanente — ou pelo menos durante a grande “estação” comercial, que vai de São João (24 de junho) a Santo André, em novembro — fiscalizando os armazéns.

Marseille nos oferece o exemplo dessa instituição dos cônsules, comum nas cidades do Mediterrâneo, cujas decisões só podiam ser suprimidas pelo reitor da comuna e tinham até força da lei.

Havia também cônsules na maior parte das cidades da Síria e do Norte da África, em Acre, Ceuta, Bougie, Túnis e nas Baleares.

terça-feira, 24 de maio de 2011

O cativante espetáculo do desenvolvimento das cidades medievais

A história da evolução de uma cidade na Idade Média é um dos espetáculos mais cativantes.

Cidades mediterrâneas, como Marseille, Arles, Avignon ou Montpellier, rivalizando pela sua audácia com as grandes cidades italianas no comércio de aquém-mar; centros de tráfico, como Laon, Provins, Troyes ou Le Mans; núcleos de indústria têxtil, como Cambrai, Noyon ou Valenciennes; todas demonstraram um ardor, uma vitalidade sem igual. Obtiveram, além do mais, a simpatia da realeza.

Já que as cidades libertas entravam na enfiteuse real, não procuravam elas por este fato, em seu desejo de emancipação, a dupla vantagem de enfraquecer o poder dos senhores feudais e aumentar com isso inesperadamente o domínio real?

terça-feira, 3 de maio de 2011

A vida burguesa orgânica: fenômeno tipicamente medieval

Feltre, Itália: a vida comunal tinha admirável riqueza e originalidade
Desde quando acabam as invasões, a vida ultrapassa os limites do domínio senhorial. As famílias não se bastam mais a si próprias.

Toma-se então o caminho da cidade, o tráfico se organiza, e logo, vencendo as muralhas, surgem os burgos. É então, a partir do século XI, o período de grande atividade urbana.

Dois fatores de vida econômica, até aqui secundários, vão tomar uma importância de primeiro plano: o artesanato e o comércio. Com eles surgirá uma classe — a burguesia — cuja influência sobre os destinos da França será capital.

terça-feira, 26 de abril de 2011

O Pálio de Siena, relíquia palpitante de vida da Civilização Cristã (5)

Palio de Siena, corrida, a cidad medieval.Continuação do post  anterior

 O prêmio pertence ao santo patrono

No pátio do Palácio Público surgem os dez cavalos com os seus jóqueis, e são vagarosamente conduzidos ao ponto de partida, onde se colocam em ordem pré-estabelecida por sorteio, e esperam. O juiz dá um sinal, cai a corda que os retém, da multidão irrompe um clamor imenso, os cavalos disparam.

domingo, 17 de abril de 2011

Cortejo do Prefeito de Londres: resto da ordem municipal medieval

A dignidade da vida municipal numa ordem cristã se apalpa nesta cerimônia anual (aqui em 2009) em que o prefeito de Londres visita a Corte real.

O cortejo parece de um rei, mas não o é.

É bem o prefeito da cidade, com guardas municipais de honra em trajes históricos, herança da Civilização Cristã.

Veja vídeo

terça-feira, 12 de abril de 2011

O Pálio de Siena, relíquia palpitante de vida da Civilização Cristã (4)

Palio di Siena, a cidade medievalContinuação do post  anterior

 Uma cidade revive seu passado

O cortejo histórico do Pálio de Siena é mais do que uma simples reconstituição arqueológica: é a revivescência da tradição de uma cidade, pela qual um povo toma consciência de si mesmo, de seu passado, de seus valores, de sua personalidade e de seus traços característicos.

No brilho e no pitoresco dos trajes medievais, com seu talhe esbelto, com a variedade de seus adornos, capacetes, couraças, plumas, emblemas, se refletem as glórias antigas da cidade.

Mas se espelha sobretudo a alma de um povo, com seu talento artístico, sua vivacidade, sua riqueza de expressão, suas virtudes.

Nada a ver com os espetáculos de massa das cidades hodiernas. É isto, mais que tudo, que explica o entusiasmo em meio do qual o desfile decorre.

terça-feira, 29 de março de 2011

O Pálio de Siena, relíquia palpitante de vida da Civilização Cristã (3)

Palio di Siena, a cidade medievalContinuação do post  anterior
 
Entre a "prova generale" e a "provaccia", um banquete

Nos dias que antecedem a corrida, a cidade toda se agita com os preparativos.

A municipalidade anuncia em termos solenes a sua próxima realização, as contradas se aprestam, as casas são enfeitadas, preparam-se as vestes para o desfile, ninguém comenta outra coisa senão o Pálio: Siena vai viver seu grande dia.

A corrida tem regras muito peculiares, a começar pelo sorteio dos cavalos entre as contradas.

terça-feira, 15 de março de 2011

O Pálio de Siena, relíquia palpitante de vida da Civilização Cristã (2)

Madonna del Voto, Siena, a cidade medievalContinuação do post  anterior
 
Em louvor da Virgem

O Pálio não é apenas uma festa esportiva e guerreira, é também uma comemoração religiosa. A primeira corrida se realiza no dia 2 de julho, em honra da Madona de Provenzano, e a segunda a 16 de agosto, em louvor de Nossa Senhora da Assunção.

Esta especial devoção dos sienenses para com a Mãe de Deus, a Quem elegeram como Padroeira da cidade, tem origens muito antigas. Nos tempos do apogeu militar, partindo para a guerra eles ofereciam a Nossa Senhora as chaves das nove portas de Siena, para alcançarem sua proteção no combate.

Em agradecimento pelas vitórias conquistadas, erguiam-lhe capelas e oratórios. Na véspera da batalha de Monteaperti, dedicaram a cidade a Nossa Senhora da Assunção; a Ela consagraram a catedral.

Palio di Siena, igreja, a cidade medievalNessa época, em que todas as atividades humanas eram vivificadas pelo sopro do Catolicismo, era natural que as próprias comemorações guerreiras tivessem uma nota profundamente religiosa.