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terça-feira, 11 de maio de 2010

A família na origem do feudalismo e do Estado medieval - 2

No topo dos morros, refúgios para escapulir dos bárbaros
Diante das destruições dos bárbaros, os homens mais civilizados, horrorizados com o que sucedia, co-meçaram a galgar os montes e montanhas, fixando-se nos pontos menos acessíveis.

De tal modo que os normandos, passando, não tivessem vontade de atingi-los.

Começaram, por outro lado, a fixar culturas e a construir casas por detrás dos pântanos, nos lugares chamados marécage, zonas pantanosas atrás das quais há regiões férteis.

Frederico de Sonneburg, Codex Manesse
Os bárbaros, que percorriam os caminhos das grandes cidades, não os encontravam, por estarem escondidos por detrás dos pântanos, nas montanhas, nas regiões as mais inóspitas.

Eram fugas desordenadas, levadas a efeito pelo pavor. Por isso fugiam, não cidades inteiras, mas grupos de famílias. E cada qual para onde podia.

Em presença da rudeza da natureza e dos adversários que os atacavam de to-dos os lados, não tendo mais um Estado que os governasse – pois que os reis, fracos e sem nenhum poder, não podiam fazer chegar suas ordens a esses lugares absoluta-mente recônditos – ficaram reduzidos à célula inicial da sociedade, a família.

Esta foi a organização natural primeira que lhes permitiu sobreviver.

Apareceu então o paterfamilias desta célula que era ao mesmo tempo um pequeno exército, uma pequena unidade religiosa, um pequeno núcleo de produção, constituindo em cada ponto do território um pequeno país.

Em cada um destes grupos sociais, um homem, em geral de envergadura maior, tomava a direção.

Ele era o suporte natural daquela coletividade em debandada.

Era um homem de personalidade muito ampla, dotado do poder de chefiar, da perspectiva dos perigos, da capacidade de organizar, e no qual todos encontravam ponto de apoio.

Ele organizava a vida. Sua prole herdava suas qualidades e herdava suas funções.

Em torno deste homem e desta família princeps começaram então a se agluti-nar as famílias dos fugitivos, constituindo pequenas unidades sociais, que eram naturalmente monárquicas e familiares.

Monárquicas pela presença de uma autoridade única inquestionável; familiares porque, em essência, o que havia era o chefe com sua grei, e depois os agregados que ali entravam como pessoas admitidas, toleradas, semi-assimiladas, mas que não constituíam propriamente a essência daquela unidade, que se consubstanciava no chefe e na sua família.

Funck-Brentano (“L’Ancien Régime”, Arthème, Fayard e Cie., Paris, 1937) dá-nos uma descrição em extremo pitoresca – no que ele é exímio – de uma dessas pequenas aldeias de tipo fundamentalmente familiar, que vai se formando.



Ele descreve o pitoresco dos primeiros trabalhos, a derrubada das árvores centenárias, a construção das primeiras choupanas, o primeiro aproveitamento do solo, as primeiras colheitas, as primeiras batalhas, o pequeno exército familiar que sai à luta, em defesa de uma família vizinha ou contra uma horda bárbara que se aproxima, a pequena indústria que vai nascendo das mãos da família.

Começa a produção das armas, as mulheres tecem, aparecem certas criações, como a das abelhas.

Tudo isto faz de cada família um pequeno mundo, e no centro está o chefe.

Onde está o Estado? Quase não existe. Todas as funções que lhe são próprias, exerce-as o chefe da família.

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